Numa madrugada atribulada de uma metrópole qualquer, um homem de pouco mais de vinte anos chega ao pronto-socorro, com uma bala de pequeno calibre alojada numa das têmporas, fruto de uma mal-sucedida tentativa de suicídio. A equipe médica, liderada por um jovem plantonista e trabalhando em condições precárias, consegue remover a bala, não sem enorme esforço e horas de dedicação. E o jovem médico, entre exausto e irritado, descarrega sobre o paciente:
— Da próxima vez que for tentar se matar, vê se atira no céu da boca, “caramba”! [O termo usado é impublicável.]
Diligente, dois dias depois da alta, o paciente seguiu à risca as recomendações médicas.
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A história tem bem uns 40 anos. Creio que deu para contar sem ferir suscetibilidades. A maioria dos envolvidos “não mora mais aqui”.













on Nov 30th, 2007 at 5:40 pm
ricardo, aqui um livro foi tirado da circulaçao ha alguns anos ( ainda da pra encontrar em ebay, caro) chamava-se ” suicide mode d’emploi”,e continha receitas quimicas- tipo,que mistura de tranquilizantes é mais eficaz - que veia cortar para o sangue realmente escoar, onde apontar a arma para nao se ferir somente, etc
esse livro foi muito comentado na imprensa e as tiragens se sucediam, sucesso de vendas! até que as autoridades sanitarias constataram o n° de suicidios consumados e o tal livrinho sempre ao lado da vitima…foi proibido, tirado da circulaçao e “as tentativas” continuaram sendo so tentativas….
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on Dec 1st, 2007 at 8:37 am
Eu conheço o Júnior, filho do Sr. Gilder, que tentou se matar 4 vezes sem sucesso. Na primeira tinha 19 anos. Entrou no guarda-roupas fechou a porta e tacou fogo em tudo, mas esqueceu de colocar gasolina. Queimou um pouco as pernas, mas nada que o impedisse meses a frente de voar ribanceira abaixo com o Opala Comodoro do pai na Tamaios. Onze meses no hospital e uma perna coxa o fez sossegar alguns anos até que meteu uma bala na cabeça em 1989. Infelizmente o 22 não é um calibre muito confiável e sim, ele não abriu a boca, apontou para o crânio e POW!
Passou a usar boné pra ninguém ver onde o cabelo não cresce. E, quando quase todo mundo tinha pensado que ele havia desistido da empreita de dar cabo a sua vida, dia desses se jogou do 12° andar de um prédio no centro da cidade. Mas a perna coxa enganchou no parapeito e ele caiu na varanda do 11°. Fraturou a clavícula e o braço direito em 4 lugares. Vai perder os movimentos, sentenciou o médico do plantão.
E isso é tudo verdade!
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on Dec 1st, 2007 at 11:33 am
ricardo, viajou de findi foi ? que hora é essa, acorda menino ! kk
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on Dec 1st, 2007 at 7:25 pm
Nossa… Desculpa se vou me remeter às lembranças de um passado infantil recente ao dizer: Parece coisa do Jaca Paladium… E isso aconteceu na Nova Zelândia!!!
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on Dec 1st, 2007 at 7:56 pm
Confetti, tenho o meu exemplar guardado por aqui. Chegou a ser publicado em português e o título é igual: Suicídio, modo de usar. Achei tão original e anárquico (ou melhor, subversivo) que não pude deixar de comprá-lo!
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on Dec 1st, 2007 at 8:01 pm
Leila, não sei se rio ou se me descabelo de ansiedade com essa história — que vc narrou de forma perfeita, por sinal!
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on Dec 1st, 2007 at 8:03 pm
Nat, estou triste. Vc acabou de reafirmar a minha velhice. Não tenho a menor idéia do que seja essa referência da sua infância! (risos melancólicos…)
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on Dec 1st, 2007 at 8:15 pm
Papo triste, alguém chegar nesse ponto é que tá doendo demais.
E acho que isso não é tão incomum.
Velhice? Que nada, somos jovens há mais tempo.
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on Dec 1st, 2007 at 8:39 pm
Lembro de um antigo vizinho dizer essa frase sobre si mesmo, Pax, a cada vez que eu fazia o gesto para que ele entrasse primeiro no elevador.
Não o vejo faz tempo. Será que ele ainda está vivo?
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on Dec 2nd, 2007 at 7:03 am
Mas, no cerne do tema: Se eu fosse me matar, não me mataria. Nem morto.
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on Dec 2nd, 2007 at 7:31 am
pax, se vc morrer eu te mato !
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on Dec 2nd, 2007 at 7:35 am
ricardo, tbm tenho meu “suicide mode d’emploi” vintage ! aqui a saude publica tirou mesmo da circulaçao…as receitas sao realmente eficaces ! meu exemplar ta super manuseado : adoro curtir as receitas e o timing pra parada cardiaca….
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on Dec 2nd, 2007 at 11:05 am
Confetti, percebi ainda agora que o meu está emprestado… e não sei pra quem!!! (Grrrrr!!!)
Lembro vagamente dos autores dizerem algo sobre preferirem que as pessoas se amassem e que os bancos fossem assaltados, do que as pessoas se matassem, mas que se esse fosse o seu desejo ,pelo menos que soubessem fazê-lo com um mínimo de sofrimento e sem conseqüências trágicas — como por exemplo, sobreviver e carregar seqüelas gravíssimas e dolorosíssimas por um bom tempo… Eles disseram algo parecido com isso no livro, não?
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on Dec 2nd, 2007 at 8:16 pm
Ricardo, querido, o Jaca Paladium era da TV Colosso!!! Não é mesmo pra vc se lembrar, mas era um programa infantil imperdível na minha geração. Muito bem feito.
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on Dec 3rd, 2007 at 7:43 am
ricardo, eu ia colar uma “receita” tiro e queda com benzodiazepinas, mas tive medo que alguém usasse….:-))
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on Dec 3rd, 2007 at 9:01 am
Pô, confetti, papo brabo. Mato você de amor, pode ser?
De sexo, já não prometo, apesar que meus teclados e meu paladar andam a toda.
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on Dec 3rd, 2007 at 9:37 am
pax je t’m
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on Dec 3rd, 2007 at 4:38 pm
Confetti, não tô aguentando mais, vou me matar de amor ou você vem logo pra cá?
Ah, traz vinho. Se você beber também, traz duas garrafas. Eu, com uma na cabeça faço coisas inacreditáveis. Acredite. (:…:)
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on Dec 4th, 2007 at 8:54 am
ricardo, suprimiu o que ali em riba ? censura ?
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on Dec 4th, 2007 at 9:34 am
Sabe o que foi, Confetti? Era o mesmo comentário que vem logo abaixo do deletado, e que se dirige a vc. Só que tinha um erro imperdoável: estava escrito “Cofetti” e não “Confetti”. É um motivo mais do que suficiente, não?
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on Dec 4th, 2007 at 11:29 am
Mas que turma animada!
Eu acompanhei caso parecido quando morava no fundão de Mato Grosso. Nós morávamos entre o único hospital e o cemitério.
Como a precariedade era grande, toda semana havia alguém gritando na porta, a pedir remédios pra minha mãe (ela pedia montes de amostras grátis a um irmão médico, no medo pânico de que alguma doença acometesse os 5 filhos pequenos) ou transfusão de sangue para o meu pai.
Numa dessas, apareceu uma pobre moça, em adiantado estado de gravidez e que havia dado um tiro na cabeça. Tinha sido estuprada pelo pai, de quem era a criança que esperava. Só posso imaginar os horrores que sentiu por essa situação por meses a fio.
Bem, mas ela não conseguia morrer porque o bebê estava vivo. O médico fez o que pôde.
Minha mãe, que a essa altura entrava e saía do hospital, deu um banho na pobrezinha, lavou com muito cuidado a sua cabeça até que ela simplesmente suspirou, parecendo de alguma forma aliviada e morreu. Eu estava lá. Tinha 10 anos.
E desculpem pelo baixo astral, viu?
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on Dec 4th, 2007 at 4:00 pm
História punk a sua, Alba. Ao mesmo tempo, uma baita experiência de vida. Seria bom que tivéssemos um contato menos tabu com isso (a tal da morte). Sofreríamos menos e viveríamos melhor…
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