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Confesso

Assim, de soslaio — gosto dessa palavra; esguelha também serve —, contava eu pro Oswaldo, recente amigo, do meu constrangimento ao falar de poesia. Tenho uma (agora não mais) secreta impressão de que dela a gente aprende a gostar de pequeno, porque de burro velho é pra lá de difícil. (Sequer aprofundo a questão; é falta total de base.)

Veio do cocuruto uma comparação. É profana, mas já que comecei, agora vai. Em meu mui particular caso, poesia é que nem feijão. Comi pouco na minha infância — não morava no Brasil. Hoje em dia gosto muito quando como, mas não é das primeiras coisas que ponho no prato na hora do almoço. Já se for feijoada, como com gosto, com farinha ou farofa, várias carnes, e muita, muita pimenta. Agora, se der de passar dois meses sem comer, esqueço até que existe…

Já com a prosa meu paladar é outro. O Julio Cortázar, por exemplo, é dos contistas de se lamber os beiços, ou se preferir, de raspar a panela. Tão citado em páginas mil, é dos que raramente faltam em minha mesa — em espanhol, vertido ao português ou às vezes os dois, um envelhecido exemplar de Rayuela e um recém desenformado O Jogo da Amarelinha, à espera na fila do meu bandejão particular. (E neste post fico só com ele, que é para não desfiar um rosário sem fim de iguarias…)

Tenho muitos amigos que não vivem sem feijão e que cozinham que é uma beleza. Volta e meia passo em suas casas e me sirvo de generosas porções, com o prazer de que só um prato de arroz com feijão dá, sei disso sim. Mas se não tiver feijão, compenso no arroz. Que de arroz eu não abro mão.

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0 Comments on “Confesso”

  1. #1 confetti
    on Dec 19th, 2007 at 10:39 am

    arroz e feijao, yes yes yes !
    arroz asiatico perfumado, arroz selvagem com aqueles graozinhos pretos, arroz “colante” do cambodge, po de arroz, arroz doce, arroz de festa, arroz cubano com pimenta…feijao sopa, feijoada ( sem as carnes), feijao mulatinho, feijao saltador, feijao nos dentes saindo da mesa, feijao raiadinho que baiano faz salada, feijao feijao feijao ! kk

    nao disfarça seu ricardo…raconte la matérialization…:)

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  2. #2 confetti
    on Dec 19th, 2007 at 10:40 am

    esqueci : acarajé e abara de feijao ! comida de deuses

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  3. #3 Ricardo C.
    on Dec 19th, 2007 at 10:46 am

    J’ai déjà racontée, Confetti!
    Foi um conversê dos bons, a Nat é rápida, espirituosa, inteligente, bonita, e o lugar onde nos encontramos — sugestão dela — é bem legal, um sebo no centro do Rio que também serve uns ótimos petiscos, chopp, café… Os assuntos foram os mais variados, e acho que consegui uma proeza: a Nat pareceu ter ficado um pouco mais condescendente com os psicólogos, hehehe!

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  4. #4 confetti
    on Dec 19th, 2007 at 11:14 am

    ja tinha conto ? onde ?
    ah que bom encontros assim hein…

    chegando na bahia em janeiro, eu vou direto pro rio vermelho comer abara com tudo, depois um acarajé, depois um bolo de mandioca, depois vou pra praia do flamengo queimar fumo com os meninos, depois vou pra casa de mario com deolindo, depois etc ! kkk

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  5. #5 Ricardo C.
    on Dec 19th, 2007 at 11:27 am

    Que programão, hein? Pena que não poderei ir a Salvador tão cedo, sinto uma saudade danada de lá…

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  6. #6 Pax
    on Dec 19th, 2007 at 1:47 pm

    E a confetti não me dará o privilégio de levá-la para uma praia deserta. Pois é, como dizia um fulano “a única verdade é uma só, assim como são as pessoas, são as criaturas”.

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  7. #7 Nat
    on Dec 19th, 2007 at 8:58 pm

    Pô, Ricardo, querido, assim fico vexada hehehehehe
    Acho que é a minha vez ;- )
    O Ricardo é inteligente, rápido, espirituoso, mas o mais impressionante são os olhos dele!!! Simplesmente fantásticos, e não só porque são muito bonitos, não, é porque te olham no olho. Adoro isso!
    Outra coisa impressionante nele é a sua inteira disposição pra conversar. Neste assunto, o Ricardo é a síntese das suas profissões. Quando fala ele é cuidadoso em perceber se a pessoa entendeu ou não o que ele quis dizer, aí ele é todo professor, didático. E quando ouve, não só pelos ouvidos treinados de psicólogos, ele ouve mesmo, interessado pelo que você tem a dizer.
    E, Ricardo, só quero ressaltar que me tornei um pouco mais condescendente com os psicólogos porque você é um deles. Mas, infelizmente, nunca encontrei um por aqui que tivesse as suas interpretações da coisa ;- )

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