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Somos todos japoneses

Não, não soube de nenhum novo 11 de setembro em Nagasaki, bomba no metrô londrino de Tóquio ou nos trens madrilenhos de Osaka que inspirasse em mim esse título. Não se trata, hoje, de qualquer sentimento solidário por alguma vítima do terror contemporâneo. É apenas o início de uma singela reflexão: a de constatar, com algum espanto, o pouco tempo que o instante dura, absortos que estamos em registrá-lo.

Fotografamos, filmamos, gravamos, anotamos. Depois nos reunimos, aqui ou lá, e falamos, falamos, falamos, revemos os fotogramas, parados e em movimento, relemos os diários, a bordo de outras naves, reconhecemos sentimentos que cada cena não nos proporcionou, posto que colhidos, ainda verdes, no instante em que empunhamos as nossas ferramentas de frear o tempo, muitas delas com lentes alemãs, e a maioria de olhos puxados…

Lembro do ano de 1976, em visita ao Museo de Oro del Perú y Armas del Mundo, em Lima, do que suponho ter sido o primeiro grande susto com o espocar de flashes e a multidão de guarda-chuvas coloridos — para águas que caíram apenas uma vez nos oito anos em que por lá vivi —, portados por uma horda extremamente educada e silenciosa, os meus primeiros japoneses. Lembro também daquele estranhamento, de minha inadequação diante do que, aos meus olhos, pareceu uma massa compacta, uma equipe, eu que só me concebia praticando esportes individuais.

E com esse reparo em vista, com esse cuidado sobre outros que desconheço, por serem bem mais ricos do que eu possa sequer imaginar, retomo o assunto que aqui me trouxe, ao fato de agora, mais de trinta anos depois daquela cena, colocar a minha câmera prateada na mochila e sair de casa, ao rumo que for, com as possibilidades que a carga de 76 minutos da bateria permita, para confirmar o que supus, mas com uma ligeira variação: que, se não todos, muitos somos japoneses.

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0 Comentários on “Somos todos japoneses”

  1. #1 pingwyn
    on Dec 18th, 2007 at 11:59 am

    Tens razao, Ricardo, “os primeiros japoneses” agente nao esquece nunca…

    [Responder]

  2. #2 Nat
    on Dec 18th, 2007 at 10:02 pm

    Ricardo, querido, embora tenhamos quase presenciado um assassinato, quero dizer que foi um prazer inefável conhecê-lo ;- )
    Quanto ao post, só quero dizer que depois que descobri que o que é realmente bom a mente guarda, eu parei de tirar fotos. Se isso é bom ou ruim, só o futuro vai dizer, mas que eu deixo menos tralha aos meus descendentes, ah, isso é fato hehehe

    [Responder]

  3. #3 Pax
    on Dec 19th, 2007 at 8:49 am

    Pô, acho que o PD deixou um agente cyber no meu micro. Entro aqui - e tenho gostado pacas - e o micro trava. Estou sendo perseguido? Ou é o Ricardo Cabral? Vai saber.

    Eu gosto muito de fotografias, mas as digitais deram uma overdose na coisa toda.

    Pô, houve uma materialização dos códigos fontes e ninguém conta a história pra gente? Ok, a vingança será de igual tamanho ou maior. Sim, isso é uma ameaça.

    [Responder]

  4. #4 pingwyn
    on Dec 19th, 2007 at 8:55 am

    Pax..

    talvez seja vinganca por voce nao estar aparecendo no PD e aqui com a assiduidade como fazia antes..todos estao sentindo MUITA a sua falta.
    um beijao grande para voce..

    [Responder]

  5. #5 Pax
    on Dec 19th, 2007 at 9:34 am

    Querida Tíchia,

    Você é um doce. Volte para o Brasil já ! Aí eu volto pro PD. Tá?

    [Responder]

  6. #6 Ricardo C.
    on Dec 19th, 2007 at 10:06 am

    Gwyn, a referência àquela clássica propaganda do primeiro sutiã foi perfeita!

    [Responder]

  7. #7 Ricardo C.
    on Dec 19th, 2007 at 10:08 am

    Nat, o baixo astral daquele entrevero não tirou nem um pouco do brilho e prazer da materialização dos nossos códigos fonte. Foi muito bom, viu? Que venham outros, e aproveito para dizer que vc correspondeu plenamente às minhas expectativas, que obviamente eram bem altas!
    Beijão!

    [Responder]

  8. #8 Ricardo C.
    on Dec 19th, 2007 at 10:13 am

    Pax, esse seu computador é gay e muito do ciumento! Que história é essa dele não te deixar me visitar? Além do mais, aqui só tem la crème de la crème, e você não pode faltar!
    Quanto a sua vingança, deixe de bestagem, hômi! Vc foi o primeiro a materializar-se com a Tichia e a Alba, e a gente nem fez esse furdunço todo. Ao contrário, ficamos só felizes!
    Abraços sorridentes daqui da cidade maravilhosa!

    [Responder]

  9. #9 Pax
    on Dec 19th, 2007 at 10:19 am

    Pô, tô dizendo. Esses cariocas.

    Computador gay é ótimo. Tadinho desse meu. Vou arrumar um computador macho pra ele já já. Detesto ver “gente” sofrer. Alice Ruiz, uma amigona, quando comentamos se alguém é gay ou não, sua resposta predileta é: Se não é, tá perdendo um tempo danado.

    Ainda trarei Alice para os blogs. Ela tem reagido, mas bem cantado até boi deita né não?

    O blog que imagino para Alice é sobre haikais. Ela daria um show. Vou cativá-la pelo bolso. Me aguardem.

    Mas ainda assim, vamos lá Nat e Ric, escrevam sobre o encontro ou minha vingança será muito ruim. Acreditem nas minhas ameaças !

    [Responder]

  10. #10 Ricardo C.
    on Dec 19th, 2007 at 10:26 am

    Pax, foi o seguinte. Estávamos tomando vários chopes no Al Farabi, um sebo lá no centro da cidade, numa conversa das boas — a Nat é 10, coisa que todos nós já sabemos! —, e tinha um bêbado muito do chato que resolveu encrencar com um vendedor de loterias. Ficou gritando com ele, depois rolou com o cara no chão, o garçom separou, mas o chato continuou por lá, dizendo que iria matar o tal vendedor (outra besta, porque em vez de ir embora continuou rondando por lá). O problema foi que o bêbado entrou num prédio ao lado e pegou uma faca das grandes, e não só continuou ameaçando o cara, como em algum momento ficou de pé ao meu lado, ameaçando uma mulher que estava do meu outro lado… Dá para imaginar a tensão de ver um quase facão na altura do seu rosto? Acabaram levando ele, mas alguns minutos foram mesmo de apreensão!

    [Responder]

  11. #11 Ricardo C.
    on Dec 19th, 2007 at 10:27 am

    Traga mesmo essa Alice, Pax. Ela já tem crédito só por ser sua amiga!

    [Responder]

  12. #12 pingwyn
    on Dec 19th, 2007 at 10:41 am

    Pax,
    Chantagem eu nao aceito nem dos meus filhos…
    Vamos ser sensatos, ( vou pegar emprestado o que o Ricardo escreveu)….” Quando temos que tomar decisões, penso em três palavras: Poder, Dever e Desejar..” rsrsrs
    Voltar para ai eu desejo, mas no momento nao posso e nao devo.

    Portanto, PLEASE… volte a escrever e nos dar o prazer de ter voce ao nosso lado todos os dias, como fazia antes.
    (estou sentindo saudades, ou como se diz em ingles…I am missing you!!!)

    [Responder]

  13. #13 pingwyn
    on Dec 19th, 2007 at 10:55 am

    Ricardo, em relacao ao japoneses em grupos, sao momentos que agente nunca esquece..acho eles fascinantes…

    [Responder]

  14. #14 Pax
    on Dec 19th, 2007 at 1:42 pm

    Tíchia,

    Volto sim, mais hora menos hora. Por você, tá?

    Ricardo,

    Muito chara a história. Mas, na boa, fica a pergunta. Se já havia o chato por lá, porque não sair e procurar outro lugar? O que fez vocês ficarem? Fiquei curioso.

    [Responder]

  15. #15 pingwyn
    on Dec 19th, 2007 at 2:18 pm

    Pax, a idade nos ensina que tudo tem seu tempo certo…vou esperar anciosamente a “sua” hora…..E ficarei muito feliz de saber que foi por um pedido meu.
    um beijo grande no seu coracao

    Nat e Ricardo, incrivel o que acompanhou a sua materializacao…o que me deixou a pensar que nao poderia ser muito diferente em se tratando de voce, Ricardo ( pelo o voce escreve parece que sempre acontece coisas assim)
    eu, como o Pax, tambem fiquei curiosa…

    [Responder]

  16. #16 Ricardo C.
    on Dec 19th, 2007 at 2:46 pm

    É que apesar do chato, a conversa e o lugar eram bons, e achamos que a coisa ia sossegar, o que aconteceu por um tempo, com o chato parecendo só um mosquitinho desses que a gente de vez em quando espanta com a mão. O problema foi quando o mosquitinho apareceu com a faca, e isso aconteceu de forma rápida. Foi só um momento tenso, mas a maior parte do tempo estava ótima. No final deu tudo certo, o chato foi levado embora e a gente ainda teve tempo de terminar a conversa, a primeira de uma série, espero!

    [Responder]

  17. #17 Nat
    on Dec 19th, 2007 at 9:04 pm

    O mais legal é que quando o cara apareceu com a faca bem do meu lado, eu nem vi hehehehe O Ricardo é que teve que comentar depois. Uma coisa que achei interessante também é que quando os caras começaram a brigar e rolar no chão, todo mundo se levantou da mesa, mas eu e o Ricardo continuamos sentados. O Ricardo ainda levou um lero com um dos bêbados revoltosos (o que estava “trabalhando”). Acho que ficamos porque gostamos da loucura alheia ;- )
    Bem, eu também espero que seja a primeira de uma série. Só não dá pra ser uma vez por semana porque senão você vai começar a cobrar hahahahaha

    Pax, querido, relaxa. Tenho certeza que você será o próximo da lista do Ricardo. E, quem sabe, da minha também… ;- )

    [Responder]

  18. #18 Reflexão de segunda* | Ágora com dazibao no meio
    on Sep 30th, 2008 at 10:32 am

    [...] Lembrei de outro post que esbarra nessas questões: Somos todos japoneses. O título é esquisito, o texto não muito. Tags: cotidiano, diálogo, [...]

  19. #19 Ocidente, Oriente, cérebros e silêncios | Ágora com dazibao no meio
    on Dec 6th, 2008 at 11:54 am

    [...] assim. Mas hoje, resolvi falar novamente de japoneses. Não mais os que somos, a que me referi em outro texto, mas os japoneses que não somos. Para esses, o meu silêncio. Embora ocidental, é respeitoso e de [...]

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