Desprovido da minha câmera, não pude registrar. Terão que confiar quando digo que vi o texto que segue, num dos adesivos colados ao Land Rover estacionado na praça do Bairro Peixoto, em Copacabana:
Não compro bala porque sou diabético.
Não sou seu tio porque sou filho único.
E malabarismo faço eu mesmo
para pagar minhas contas todos os dias
Uma observação:
Aquela única estrela lá de cima é a nota que dou, por conta do contexto tão excludente e violento em que o Rio de Janeiro anda. Descontando isso, daria mais duas estrelas, por conta do humor.
Um comentário:
Estranhei o dono de um baita Land Rover dizer que faz malabarismos para pagar suas próprias contas…
Uma confissão:
Mesmo não sendo filho único, aquela frase do tio bem que ando pensando adotar…

December 13, 2007 at 9:14 am
Ricardo, veja bem o que a falta de conhecimento de uma cultura faz, eu li, reli e so depois de ter lido pela tercera vez e nao entender o que vc falava que caiu a ficha…nos semafaros no Brasil, criancas vendem balas, chamam de tio e fazem malabarismo..nao sei se fiqui mais triste pelo o que li, ou por reconhecer a minha demora de conhecer uma realidade do meu pais..
December 13, 2007 at 9:23 am
Há um lado ruim e um bom para nós dois nessa história, Gwyn. O ruim para vc é esse do não reconhecer o seu país; já para mim, é ter que fazer piada de algo que reflete a miserabilidade e extrema desigualdade que existem no nosso Brasil.
O lado bom? Vc poder se entristecer com isso, no sentido de não ter sido como que obrigada pelas circunstâncias a desenvolver uma dura casca que te proteja de tanta injustiça, mas que costuma ter como efeito colateral o de volta e meia tornar-nos indiferentes a esse cotidiano brutal.
No meu caso, o de fazer humor sem desconhecer o horror, tornando o meu cotidiano menos opressor e mais leve…
Bjs de bom dia!
December 13, 2007 at 9:31 am
Ricardo, a falta da casca dura, como voce diz, me derrubou nessa minha ida para o Brasil a um mes atras…
Por mais conhecimento, por mais consciencia que eu tenho dessa realidade de extrema desigualdade que existe no nosso pais, a cada dia aumenta mais a minha total incompreensao de como se consegue viver essa realidade mesmo com toda a casca dura para que nao doa tanto…Voces sao herois…e eu me sinto uma covarde de nao estar ai..
December 13, 2007 at 9:36 am
Gwyn, não é covardia sua… E quem está aqui não é herói… O que a gente faz é apenas adaptação. Se formos olhar a cidade com os seus olhos, por exemplo, não vamos conseguir mais viver por aqui.
E sair por não querer ver os problemas ainda não é a solução.
December 13, 2007 at 11:09 am
Não há covardia nenhuma, Gwyn, concordo com a Nat. Se vc voltasse a viver aqui acabaria acontecendo, a sua casca se adaptaria. Como eu disse antes, não é propriamente bom ou ruim, mas isso dependerá de como o administremos.
December 13, 2007 at 1:58 pm
Nat e Ricardo, acho que voces tem razao, voltando para ai eu me adaptaria. So nao sei se eu conseguiria ver criancas nas ruas e nao morrer um pouquinho todas as vezes, afinal as criancas sao o nosso tesouro, sejam eles nossos filhos ou os filhos dos outros. Nao temos o direito de assistir passivamente eles serem tao violentamente negados a construirem estruturas e alicerces que os tornem cidadoes e parte integrante da sociedade aonde vivem.