Recebi por e-mail esta carta do Luiz Fernando Vianna, dirigida a Henrique, seu filho. Está em seu blog, “a vida do meu filho”, cujo título espero que atraia, mais do que afaste, algumas das pessoas que freqüentam este espaço.
Queria que a carta e o próprio blog não passassem de um exercício de ficção literária. Não é. E alguns dirão que se não se tratasse de história e sim de estória, ela talvez soasse um tantinho piegas, a despeito do estilo sabidamente elegante do Luiz Fernando passar a anos-luz do melodrama.
Não recebi este link de “amigos dos amigos” ou coisa parecida, mas do próprio autor. Conheço-o, e conheço suas irmãs, sua mãe, até mesmo alguns primos. Conheci seu pai, já falecido, e também a sua ex-mulher, mãe do Henrique. Nos dias de hoje permaneço próximo de apenas um dos membros da família, mas acredito continuar a ter uma mais do que razoável visão do cenário, do “roteiro” e do papel que cada um dos seus protagonistas “desempenham”.
Ainda que Luiz Fernando e eu não convivamos faz tempo, acompanho há muito essa história, graças a conversas razoavelmente freqüentes com uma de suas irmãs. Mesmo assim, de nada adiantou essa proximidade. Quando li o relato em seu blog, foi como se eu nada soubesse do ocorrido. Um soco no estômago, uma tristeza imensa.
Leiam. Se possível, todos os “capítulos”. Conseguindo ou não ir até o fim, um comentário ou outro deixado por lá suponho que seja bem-vindo.
Claro que é um relato parcial. É o de “uma parte”, “um dos lados” de todo esse imbróglio. Mas aos que desconfiarem da veracidade do relato e descartarem de cara este “lado” da história, peço apenas que deixem para criticar mais tarde, que esperem alguns dias, ou que reservem o desejo de reagir com agressividade e virulência para este post, não para o do autor. Não recebi nenhuma procuração para tal pedido, e torço para que o próprio Luiz Fernando não se chateie com o que eu escrevi até aqui. Mas faço este pedido mesmo sabendo que o autor é mais do que habilitado para lidar com críticas — especialmente por ter lançado o blog contando a sua própria versão dos fatos —, sobretudo por uma razão: mesmo nas mais sangrentas guerras, alguns dias de “trégua” se dão.
São 10:40, segunda-feira; e por enquanto, não tenho muito mais a dizer.













on Jan 28th, 2008 at 10:12 am
Fiz uma leitura “na diagonal”, admito. É algo tão distante de mim que eu tenho dificuldades para conseguir uma aproximação que seja suficiente para gerar alguma empatia.
Isso deve ser coisa para quem já conhece a dor e a delícia de ser pai.
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on Jan 28th, 2008 at 10:49 am
Rafael, o tema é árido, pode mesmo chegar a ser monótono — exceto para os envolvidos, tanto os protagonistas quanto os que estão nos bastidores, e mesmo a platéia “mais próxima”. Mesmo assim, gostei de ler o teu comentário, até porque o entendi como um crédito àquilo que escrevi, e um crédito “por tabela” ao relato do Luiz Fernando. Achei um gesto pra lá de bacana da sua parte, não importa tanto se vc não conseguiu empatizar com o texto.
Abraço
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on Jan 28th, 2008 at 11:26 am
Tenho um primo autista, conheço bem a realidade dessas crianças. Já passei por lá e parabenizei o Luiz. Como eu disse a ele, embora a presença dele seja pequena, por enquanto, tem sido absolutamente bem aproveitada.
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on Jan 28th, 2008 at 11:37 am
Penso como vc, Nat. E fico feliz por deixar um comentário por lá.
Bjs
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on Jan 28th, 2008 at 12:27 pm
Já tinha ouvido essa história - o mundo do jornalismo é um ovo de codorna. Li muito do blog, mas a impressão inicial, de quando ouvi tudo pela primeira vez, se manteve: conhecendo só um lado dos fatos, por mais real e dramático que seja o relato, me impossibilita qualquer posicionamento, além da emoção. É claro que algumas atitudes são aparentemente injustificáveis, mas só quem viveu realmente a situação sabe (ou pensa que sabe) por que fez o que fez - e as conseqüências disso…
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on Jan 28th, 2008 at 12:38 pm
Mariana, vc tem razão, é mesmo um ovo de codorna. Na verdade a história deve ser bem conhecida nas redações, lembro do Bloch dar os seus pitacos sobre ela em seu blog, por exemplo.
Quanto a sua posição, só posso considerá-la corretíssima, não tenho nenhum reparo a fazer. Eu é que posso tranqüilamente me posicionar do jeito que fiz, e ainda por cima faço isso sem precisar demonizar o outro lado. Minha torcida maior é pelo Henrique, mas torço para que a proximidade do pai possa ser bem maior e com menos dor do que a atual.
Bjs
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on Jan 28th, 2008 at 3:57 pm
Te dou um presente: http://www.parafrancisco.blogspot.com/
Não leia no trabalho. Comece a leitura em casa, com tempo. Pq eu não desgrudei os olhos até terminar todo o arquivo e chorei horrores, aos soluços, assustando minha irmã que estava no quarto.
Vou indicá-lo no meu blog, em breve, junto com esse q vc colocou aqui. Ambos mto lindos.
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on Jan 28th, 2008 at 5:34 pm
Ricardo, so espero que ao ler a historia do Luiz Fernando e do Henrique faca com que os pais (pelo menos alguns..)se conscientizem que seus filhos devem ser amados e respeitados e nao serem usados como “arma” um contra o outro. Todas as criancas sao delicadas, umas precisam de muito mais atencao e cuidado, mas TODAS precisam de toda a nossa atencao,cuidado, carinho e amor.Minha historia e um pouco parecida, mas ao contrario. Sai do meu pais com duas criancas para morar como estrangeira(no pais do pai deles), sozinha, longe da minha familia e de amigos por achar que e o melhor que posso dar a eles
So uma questao que me assombra todos esses anos..sera que fiz o melhor para eles??
Hoje vou dormir acompanhada dessa minha assombracao depois de ler todo o blog do Luiz Fernando.
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on Jan 28th, 2008 at 7:09 pm
Rachel, passei os olhos pelo blog. Vc tem razão, não dá para ficar indiferente, e nem ler no trabalho. Depois de ler, onde fica a vontade de trabalhar?
Bjs
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on Jan 28th, 2008 at 7:19 pm
Sobre as tuas escolhas, Patricia, apenas posso arriscar dizer que sim, vc fez não só o seu melhor, com tb o melhor para eles. De onde tiro essas idéias? Primeiro, ao supor que os seus filhos fossem bem novos — menos de 10 anos, por exemplo –, arrisco a dizer que seus vínculos com o Brasil não se viram tão afetados como poderia ser o caso se eles fossem já adolescentes — e faço questão de frisar esse “poderia ser”, viu? –, o que me leva a afirmar que tudo o que viveram foi acima de tudo acréscimo, e não perda.
Ah, e se por acaso eles andarem te cobrando algo na contramão do que acabei de dizer, pode mandar falarem comigo, hehehe!
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on Jan 29th, 2008 at 2:11 am
Ricardo, meus filhos tinham 4 e 5 anos quando viemos para ca. Um dos motivos que me fez vir foi dar a eles a chance de conhecerem o avo deles, um homem maravilhoso e que nos ajudou muito. Os vinculos com o Brasil sao muito fortes, mesmo depois de 10 anos aqui, os dois falam com todos no Brasil pelo telefone e internet todos os dias. Falam portugues sem nenhum sotaque, tem a bandeira do Brasil nos quartos e o Hino Nacional gravados no ipod (e estao sempre a escutar) ferias para eles e estar ai. O que me preocupa e o que sempre me assombra e o que o Luiz fala, a falta do convivio com a familia, com os amigos, que para mim e importantissimo. Ter esse convivio e conhecerem o afeto, o amor, o carinho e a suas emocoes, o que os ingleses nao sabem bem ao certo como lidar com isso.
Nao se proeucpes…eles nao me combram nada, muito pelo contrario, sao dois adolescentes que so me dao alegrias. Na verdade somos 3 adultos compartilhando nossas vidas.
Pode ter certeza, se eu fosse uns 10 anos mais nova teria pelo menos, mais 3 filhos.
Agora seria fantastico eles conversarem com voce…atendes por Skype??rsrsrsrs
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on Jan 29th, 2008 at 7:53 am
Nossa, a Guyn deu uma idéia ótima hehehehe Atendimento pelo MSN e Skype.
Só não vou dizer que estou nessa pq vc sabe que eu não gosto muito de psicólogos ;- )
Prefiro amigos e cervejas.
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on Jan 29th, 2008 at 7:54 am
Opa, Gwyn…
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