Rodoviária de Nanuque, nordeste de Minas, 6:17 a.m. Ônibus para Belo Horizonte, só às oito e meia. Cadú e a irmã — hoje não se dão bem, há doze anos sim —, sonolentos da maratona iniciada em Itupeva (três e meia da madrugada), léguas de chão de terra batida atrás. Levanta-se ela e compra um jornal local, querendo enganar o tempo que teima andar mineira e baianamente devagar. Um minuto só e ele já escuta um “Posso dar uma palavrinha pro senhor?”, moça de uns dezenove se tanto, trança rapunzeliana, saia de escolar abaixo do joelho, manga comprida e colarinho abotoado, naquele calor abafado, tadinha… Tadinha nada!, “A Sentinela” na mão, aquele conhecido jornal dos Testemunhas de Jeová, “saco!” (Apenas pensado, por sorte…) Segue-se um “Pois não?”, de sorriso meia boca. “É que gostaria de lhe oferecer um exemplar da palavra do Senhor…”. “Muito obrigado, senhorita, mas é que sou agnóstico”, a pobrezinha agora sem entender, fazendo aquela cara de “me ajuda!” pro sujeito ao lado, que parecia uma espécie de supervisor do que seria a primeira transação comercial-religiosa daquela devota, ex-tadinha. E Salvador — digamos que fosse o nome do sujeito — se aproxima do agora herege, “O senhor disse… ateu?”, e a resposta em forma de “Não, eu disse agnóstico, porque não nego a existência de Deus, só penso que a compreensão dessa existência é inacessível ou incognoscível ao entendimento humano, daí que é inútil indagar-nos sobre isso”, uma réplica tirada do dicionário Houaiss e o Cadú já bem desperto, calibrando as armas. Pois Salvador rebate num “É porque o senhor ainda não deixou o seu coração ser tocado pela Palavra…”, treplicado com “Engano seu, fui religioso praticante, mas dadas as incongruências e incoerências do catolicismo…”, contestado pelo “Ahá!, desconfiei, o senhor não ouviu a verdadeira Verdade” de Salvador, seguido do “Peraí, me escute um pouco…”, um freio meia-sola, mas funcionou.
(A irmã-hoje-desafeta agora assiste, sentada metros à frente, de camarote. Sabia — hoje não sabe mais — o irmão que tinha, e pôs-se a mirar a cena.)
“Meu caro”, é Cadú no comando, “estamos aqui, você… posso chamá-lo de você? Ótimo! Então estamos você, eu, sua aluna e todos aqui na rodoviária, acreditando piamente que levamos uma vida autônoma”… “Guiados por Deus!”, Salvador inflamado, “Calma, paciência, me escute um pouco”, Cadú com as rédeas de novo. “Imagine, só imagine que tudo isso não passa de uma ilusão”, e Salvador com ar de “como-assim?!?” não dá nem um pio e põe cara de “sim, continue”, ao que retoma Cadú: “Pois é, suponha, apenas suponha que ontem à noite você foi dormir”… “O sono dos justos!”, não se agüenta o Salvador, “Tudo bem, vá lá que dos justos. E enquanto você dormia, não se assuste, mas te conto que uns filhos do demo te anestesiaram, abriram teu crânio, tiraram o teu cérebro inteirinho lá de dentro e puseram ele numa bacia cheia de uma espécie de gelatina que eles chamam de ‘nutrientes’… Péra mais um pouco, sossegue essa ira santa mais um segundo que já já eu termino… não, eu vou é te contar de outro jeito que é pra tirar essa sua cara de ‘não entendi patavinas’… Já sei!, imagina que teu cérebro é um peixe, que o peixe tá num aquário, que a água do aquário tá cheia de comida pra peixe e que nesse aquário, que na verdade é uma bacia, em vez de comida pra peixe tem comida pros miolos, e que além do mais aqueles filhos do cramunhão espetaram um monte de agulhas com fios, ligadas numas máquinas parecidas com aquelas de hospital e que servem pra te manter vivo, sabe quais?, porque a gente sabe que peixe nada e come sozinho, mas cérebro não”… “Oxe, que diacho, isso não existe, só pode ser sacrilégio!”, “Né não, caaalma, que você não sabe do que esses gringos são capazes… Mas deixe eu continuar. Pois então você, ou melhor, a tua massa cinzenta, agora tá lá, na bacia, e os sem mãe ficam apertando uns botõezinhos nas máquinas, e elas dão uns choques nesse teu monte de miolos… e não esqueça, você tava dormindo quando isso tudo começou, e aí esses choques fazem você acreditar que está acordando, e os pai d’égua dão outros choques e você começa a sentir o seu corpo, e acha mesmo que está deitado na cama, na sua própria cama, a que fica no seu próprio quarto, e então toma mais uns choques e pronto, senta na cama, e outro choque e abre os olhos, e vê tudo no lugar de sempre, e mais uns choquinos e se levanta, veste esse seu terno puído e vem aqui pra rodoviária, se encontra com sua aluna, e manda ela falar com aquele sujeito, sim, eu mesmo!, e você nem desconfia que é tudo choque junto com comida pro seu tutano, e aproveitando que está na cara que ele, ou seja, eu, não é, ou seja, não sou, de Nanuque, você diz pra sua aluna, sem saber que nem ela e nem você estão lá de verdade, pra ela falar dessa tal Verdade com ele, ou seja, comigo, sem saber que no fundo isso tudo é só um monte de choque, uma pá de estimulação no seu cocuruto, e que o teu mundinho não passa de um mentirinha, e que a verdadeira verdade é que eu não estou aqui, a sua aluna também não, a rodoviária e todo o resto também não, é pura descarga de eletricidade naqueles miolos lá na bacia, que se bobear podem nem ser os seus, vai ver que são os meus e é você que não existe, que é coisa que aqueles discípulos do chifrudo puseram no meu próprio cocuruto, e que”… “Desculpe senhor, com licença, a prosa está boa mas preciso ir embora, desculpe de novo incomodar o senhor”, e lá se vai Salvador, siderado e apressado, levando a aluna-rapunzeliana-ex-tadinha pelo braço, com os sovacos encharcados e as idéias confusas.
Cadú sorri, se espreguiça, estende e apóia os braços no espaldar do banco da rodoviária de Nanuque, a irmã-com-quem-nunca-mais-falou ainda na platéia, cúmplice daquela nova empreitada gestada ali, às 7:14.
“Uma religião só minha. Por que não?”















on Jan 12th, 2008 at 9:36 am
Ou estou louco, tomara, ou já tinho lido essa. Que é muito boa, por sinal.
E o caso com a irmã é autobiográfico?
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on Jan 12th, 2008 at 11:32 am
Não está louco não, Pax, eu já tinha te mandado por e-mail uma antiga versão dele. Fiz alguns acréscimos, porque uma coisa é ter a imagem clara na sua própria cabeça, e outra é saber se fica tão claro pros outros quanto pra você, né?
E não, o caso da irmã não é autobiográfico, puxei de irmãos dos outros.
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on Jan 12th, 2008 at 11:44 am
Putz, que pena, não estou louco.
Agora lembrei. É que gostei desse texto quando li. Mas era mail, não blog. Sabia que conhecia. Cá uso mais ou menos assim mesmo quando me chegam os proselitismos.
ps.: ainda bem, sobre a irmã. Você tem?
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on Jan 12th, 2008 at 12:09 pm
Tenho, uma mora em Salvador e outra mora em Florença. E ambas me deram sobrinhos super bacanas!
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on Jan 12th, 2008 at 12:30 pm
Pax já tá de olho nas irmãs do Ricardo hehehe
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on Jan 12th, 2008 at 1:06 pm
Muito bom Ricardo, mas eu vou me achegar com minha lugubridade: se Cadu leva realmente a sério o que ele disse, não tem razão alguma para viver, pois sua existência na verdade não existe.
Se estivesse no lugar de Cadu eu seria mais afeito à dicotomia cartesiana: penso, logo existo. Minha consciência é tudo que posso provar que existe, o lá-fora é especulação. Acredito no último por não ter alternativa à mão, é uma profissão de fé.
Eu, hein!
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on Jan 12th, 2008 at 1:37 pm
Ô de casa! Dá licença?
Agora entendi seu comentário no Doria, sobre a fecundidade da literatura em comparação com as guerras…
Muito bons textos! Obrigado pela publicação deles.
Mas para não perder meu costume de chatear, Nanuque no Sul de Minas deve ter sido um lapso. Já ouvi brincadeira dizendo que Nanuque é a primeira cidade do sul da Bahia… Nanuque fica no sertão, polígono das secas e tudo. Palavra de mineiro!
Aquele abraço!
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on Jan 12th, 2008 at 3:44 pm
Sidney, foi um lapso dos brabos! Conheço a cidade, ainda que a última vez em que estive lá tem quase duas décadas… E como cheguei lá vindo da Bahia — como vc disse, dizem mesmo que é a primeira cidade do sul da Bahia, hehehe! —, ficou essa história de “sul de”… E não é que errei de estado? Já corrigi, parei de passar vexame!
Abraços
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on Jan 12th, 2008 at 3:49 pm
Ricardo,
Da próxima vez que for parado pelos insuportaveis donos-da-verdade-verdadeira, saberei o que fazer.
Obrigado.
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on Jan 12th, 2008 at 3:52 pm
Rafael, deixe eu te contar que Cadú é um sofista preguiçoso e malandro, que parece que se divertiu muito estremecendo as convicções do tal do Salvador e de sua aluna.
Já quanto à dicotomia cartesiana, não acredito que ele seja um defensor da mesma. Aliás, soube que ele andou silenciosamente por este blog e leu um velho(?!) post, e me disse que era a cara dele. Siga o link, quem sabe vocês dois não acabam tendo uma conversa filosófica das boas…
Abração!
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on Jan 12th, 2008 at 4:01 pm
Monsores, vc lê melhor em inglês ou em francês? Pergunto por ter tirado a inspiração para a parte “teórica” de um livro do Daniel Dennett, “Consciousness Explained”, do qual tenho a versão em francês, “La Conscience Expliquée”. Ele é um filósofo da mente pra lá de interessante!
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on Jan 12th, 2008 at 4:26 pm
Ricardo,
Inglês é meu forte. Francês, masomen, sabe como é?
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on Jan 12th, 2008 at 6:09 pm
tou com pressa mas li mescalina e dende !! e por ai….kkkk
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on Jan 12th, 2008 at 6:50 pm
Confeeeeettiiiiii!
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on Jan 12th, 2008 at 8:30 pm
haha, boa Ricardo. É sempre bom levar uma rasteira dessas e voltar ao lugar.
Mas ainda assim me atrevo: se Cadu se identificou com aquele post, eu ainda teria a marra de provocá-lo com a idéia de que ele, sua irmã, o salvador e sua discípula não “são”, em si, algo com existência autônoma (que é o que ele argumenta), tampouco algo manipulável. Diria a Cadu que não existem seres e objetos, o que existe são as relações entre eles. A rodoviária não existe sem os 4, os 4 não existem sem a rodoviária. E, acima de tudo, os 4 não existem sem os outros 3.
Eu, hein! (2)
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on Jan 13th, 2008 at 1:11 pm
Bom, não sei direito o que falar.
A patroa aqui é Testemunha de Jeová, em mostrando o texto à ela creio que a receptividade não será lá essas coisas.
Fico na minha, depois de 15 anos sem um interferir na crença do outro é melhor deixar quieto.
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on Jan 13th, 2008 at 6:33 pm
Ale, essa estória passa longe de ser crítica aos seguidores dessa religião, meu amigo. E de mais a mais, até onde pude observar, a Tia não se mostra nem um pouco fanática ou bitolada, sempre li da parte dela visões bastante ponderadas e tolerantes em relação às diferenças. Poderia ter sido alguém da Igreja Universal do Reino de Deus, um par de mórmons, Hare Krishnas ou sei lá o quê. Trata-se apenas de um conto onde alguém começa com uma atitude de catequese, de conversão do outro a sua crença, e do pretendente a convertido mostrar-se um relativista meio anárquico, ainda que sem a intenção de ser propriamente desrespeitoso com a fé alheia. Aliás, o sujeito responde com um “não obrigado, sou agnóstico”, mas quem mandou o outro entender “ateu”, não é?
Se você resolver mostrar o conto para a Tia, não deixe de mostrar também este meu comentário, sobretudo pelo fato de que eu também sou agnóstico, mas sou um grande respeitador das crenças alheias, além de muitíssimo interessado nas manifestações religiosas e no lugar que elas têm na história da humanidade!
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on Jan 13th, 2008 at 6:55 pm
Cabral, é vero, a patroa aqui não é nem um pouco bitolada.
Por isso a gente se dá bem.
É que fala textualmente “O Sentinela na mão, aquele conhecido jornal dos Testemunhas de Jeová”, na verdade o nome da revista (não jornal) é “A Sentinela”.
De boa, foi só uma observação, o conto é realidade do que ela vê, passa e me conta quando está em serviço de campo, estão acostumados, no problem.
Interessante é que o conto mostra essa realidade da pregação.
Ih, tô entrando num assunto que não gosto muito, prá mim cada um na sua que fica “mió”.
Bração aí.
kkkk rsrsrsrsrs
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on Jan 13th, 2008 at 6:58 pm
Então vou aproveitar e corrigir, viu?
Bração procê tb!
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on Oct 17th, 2008 at 5:37 pm
Bá… que massa este texto hehe…
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on Oct 17th, 2008 at 7:12 pm
[...] não, isso não quer dizer que eu seja ateu. Não se trata da mesma coisa, e também já disse isso noutro canto. A diferença entre os dois é mais do que sutil: o ateu diz que Deus não existe, enquanto o [...]
on Dec 28th, 2008 at 12:45 pm
Em certo trecho e até em certas palavras vi um tal de Dom Juan aparecendo forte. Ele existe para vc?
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Ricardo C. Reply:
December 29th, 2008 at 7:19 am
Não tive o prazer de travar contato com ele, Dirceu, de espécie alguma. Mas seria interessante conhecê-lo.
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dirceu barquette Reply:
December 29th, 2008 at 9:36 am
Carlos Castaneda, do início ao fim, lhe trará surpresas inconcebíveis.
É preciso que leia na sequência das publicações…
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Ricardo C. Reply:
December 29th, 2008 at 2:09 pm
Caro Dirceu, talvez tenha razão, embora eu confesse um tiquinho de má-vontade com o autor. Tendo morado no México e conhecido alguns bruxos bem interessantes por lá, fico com a impressão de que a leitura do Castaneda até me oferecerá muito, mas para alcançar aquilo de que necessito, precisarei “limpar” muito o “terreno” de sua escrita, desbastando-a daquilo que chamarei de “filosofia Lobsang Rampa” (ou atualizando, “filosofia Paulo Coelho”), um “caminho” que pouco me atrai…
Como vê, há muito preconceito em mim, preconceito que reconheço e do qual não me orgulho. São as minhas limitações, e digo isso sem ironia. Se eu fosse mais livre, é certo que encontraria sabedoria em qualquer lado, até no meio das pregações de falsos profetas!
Volte sempre e boa sorte na empreitada de parar de fumar.
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dirceu barquette Reply:
December 29th, 2008 at 9:20 pm
Ricardo,
Seus assuntos são invariavelmente bem colocados, não dando espaço a palavras ao vento… Isso me agrada muito. Espero sempre ter a satisfação de trocar…
Por isso apenas replicarei com meu sentimento de ser um priviligiado em ter lido os nove livros do Castaneda antes de saber da existência dos Coelhos que os Paulos escreviam (nome apropriado à proliferação de filosofia barata). E pelo mesmo motivo que você, jamais pretendo ler uma única palavra do “Maior escritor do Brasil”.
ME DÁ UM CIGARROOOOOO!!!!
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on Dec 29th, 2008 at 10:20 pm
Não, não dou um cigarro! Resista, nem que seja até o ano que vem!!!

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Dirceu Barquette Reply:
January 2nd, 2009 at 5:37 pm
Segundo os manuais não devo dizer “estou parando de fumar”, mas “parei de fumar”.
Pois bem…
PAREIIIIII
Obrigado pela força. Amanhã completo uma semana. Aliás tentei parar sem artifícios, mas a “patroa” apareceu com chicletes e patches antes do iminente divórcio…
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on Apr 9th, 2009 at 1:03 am
hahahahhahhaha
no meio da fala do Cadú eu comecei a pensar “Matrix …. não, não… Descartes….. não… LSD”
Aí chegou o fim. hahhahahaha
Curti!
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Ricardo C. Reply:
April 9th, 2009 at 8:59 am
Aline, esse conto tinha outro título: “Bem depois de Descartes, bem antes de Matrix”…
Resolvi mudar pq achava muito “cultura pop”. O atual me agrada mais, acho mais esquisito (e gosto dele por isso!) e é menos “explicativo”(?!) do que o anterior, hehe!
Que bom que gostou!
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