Acabei de ler “O dilema da literatura policial brasileira”, artigo de Olivia Maia para o Le Monde Diplomatique, discorrendo de um jeito um pouco diferente (aos meus olhos) sobre os porquês desse gênero não ser tão valorizado pelos escritores por aqui. Quando ela fala sobre tratar-se de “literatura de entretenimento”, e de que nenhum escritor “… está disposto a se colocar como um escritor menor, um mero escritor de literatura de entretenimento”, não vi novidade nisso, nem tampouco sobre o fato de que “… não há no Brasil essa noção de literatura de entretenimento como tal, vista como tal e julgada como tal”. Já quando comenta sobre parte da culpa (o termo é meu, não dela) ser da polícia brasileira, o meu interesse aumentou. De fato, a lida com essa tal de verossimilhança parece mesmo um empecilho para uma literatura policial que acredite em si mesma… Como diz a autora do texto:
“Como criar uma ficção de detetive, uma história de investigação, a partir de um investigador que está pouco se lixando pro idiota que morreu e pro prestígio da instituição para a qual ele trabalha?”
Particularmente, vejo num autor italiano bem popular, o Andrea Camilleri, uma das possíveis alternativas para o gênero policial no Brasil. (Aliás, encontrei uma resenha do Paulo Polzonoff Jr. bem bacana, tratando do último livro do Camilleri com o comissário Montalbano, esse que é um dos personagens mais freqüentes de seus romances. Vale uma lida.) O italiano, que escreveu muito sobre esse comissário e sua jovem equipe de policiais, situando-os na pequena e fictícia cidade siciliana de Vigàta, poderia bem ter alguma correspondência nacional, quem sabe numa delegacia de cidade do interior, em tantos estados brasileiros. Pensar nos policiais mal-remunerados do Rio de Janeiro ou São Paulo, como disse a Olivia Maria, realmente não inspira muito, especialmente quando é preciso protagonistas que realmente se empenhem em solucionar os crimes. Não que eles não existam, mas a impressão é a de que o exercício de ficção acabaria criando personagens inverossímeis, o que sim seria um crime… Um delegado ou investigador de cidade pequena ou média, exposto a crimes de todos os tipos, inclusive os mais ligados a grupos localizados em grandes centros, teria o meu total apreço, até mesmo porque acredito que existam figuras assim.
[E agora mesmo, sondando sobre o assunto, acabei de ler o que suspeito que vá por essa linha, lebre levantada por Luis Eduardo Matta (no artigo, de 2006, "Um novo caminho na literatura policial brasileira"), escrevendo sobre a escritora Elaine Paiva e o seu livro "O Segredo da Senhora Greey" (detestei a capa!), que acabei de colocar entre os próximos policiais a ler.]
Enfim, por mais que o gênero policial no Brasil teime em querer ser um noir norte-americano situado no eixo Rio-São Paulo, sei que há alternativas interessantes. Só espero encontrar uma logo, porque os Espinozas, Mandrakes e Bellinis nunca chegaram a me empolgar…













on Jan 26th, 2008 at 1:55 pm
Bem, eu amo o Mandrake, mas não pelo roteiro policial em si, mas pelos meandros de sua personalidade.
Claro que prefiro o escrito, mas a série também é boa…
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on Jan 26th, 2008 at 1:57 pm
Em três linhas eu consegui escrever três mas. Taí algo a refletir…
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on Jan 26th, 2008 at 4:35 pm
O J R Duran escreveu dois livros policiais. Não sei se são bons, mas um amigo fotógrafo jura que é. Se ele não fosse fotógrafo eu acreditaria com mais facilidade.
Gostei do novo layout, Ricardo. Sinto, entretanto, uma certa dificuldade para ler. Minha tela é grande e o texto fica muito largo, ultrapassando o limite de 550 px recomendados. Dei um jeito, coloco em janela e reduzo, aí fica perfeito.
* 550px de largura é o recomendado para leitura em tela, com fundo preto, letra branca. Se quiser mais informações, e-mail-me.
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on Jan 26th, 2008 at 8:31 pm
É… Fica mais legal assim.
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on Jan 26th, 2008 at 9:45 pm
André, vou seguir os teus palpites, conversarei por e-mail depois contigo. Já comecei com uma versão menos “larga” do que a anterior, pelo menos a Nat já disse que achou melhor…
Por enquanto ainda estou experimentando, gostei deste visual, mais limpo do que o anterior, mas o blogger não oferece tantos modelos assim, talvez te peça ajuda com aprimoramentos neste mesmo modelo.
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on Jan 27th, 2008 at 1:04 am
Agr que vi:
‘Ricardo C.
Rio de Janeiro, Brazil
O “C” é de “comum”. ‘
Ótchimo
beejo
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on Jan 27th, 2008 at 7:18 am
Rach, uma variação sobre o raciocínio da frase dos “não-idiotas”:
1) É o perfil de um sujeito nada-besta, dizendo apenas o que ele é;
2) É o perfil de um sujeito metido a besta, fingindo ser alguém nada-besta;
3) É o perfil de um sujeito nada-besta fingindo ser um sujeito metido a besta que finge ser um nada-besta, para que ao final acreditem mesmo que ele não é metido besta;
4) É o perfil de uma besta;
5) Todas as anteriores, pois é o perfil de um caso clássico de distúrbio de personalidade múltipla…
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on Jan 27th, 2008 at 1:46 pm
Ricardo, meu caro, disponha.
Quando precisares, sabe o endereço.
Abraço!
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on Jan 28th, 2008 at 9:35 am
seu ricardo, vou escolher a opçaõ 5 ! putz achei o til do teclado, tava acostumada não achar…kkk
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on Jan 28th, 2008 at 9:46 am
Confetti, esperava mesmo uma resposta tua assim, hehehe!
Beijão, sumida!
P.S. Que bom que achou o til, suponho que tão distante dos teclados franceses. Agora só falta lembrar onde usar, né? (hahaha!)
Mais beijos, diretamente da opção 5, de um sacana sem mãe!
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on Feb 2nd, 2008 at 8:16 am
Ricardo, você chegou a ler a “resposta” do Polzonoff ao meu texto? Tem algumas idéias bastante interessantes.
Vale pensar que Pirandello já nos deu um belo baile a respeito da questão da verossimilhança. É possível fazer literatura policial no Brasil, com a polícia do Rio ou de São Paulo, não tenha dúvida. É possível usar os problemas dessa polícia para fazer a literatura policial, ou mesmo driblá-los. Um comentário no post do Polzonoff, por um cara que é perito criminal, traz uma questão bem legal: ele diz que, por causa de concurso, o que não falta na polícia é intelectual deslocado que caiu ali porque precisava de emprego e passou no concurso. Meu marido era um desses, veja lá. Acho que a gente podia explorar isso, também.
Logo vou lançar uma revista online de literatura policial. Pode virar uma coisa bem interessante (espero eu :D).
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