Uma sinopse do filme que considero, se não o melhor, um dos melhores do Peter Greenaway, realizado em 1995, que ponho aqui para aqueles que nem idéia têm, não sem antes me deliciar pela milionésima vez com a beleza da Vivian Wu na foto acima:
Em 1970, em Kyoto, um calígrafo grafa delicadamente na face da sua filha, como um presente em seus aniversários. Quando ela se torna uma mulher, Nagiko (Vivian Wu) — a filha — lembra sempre disso com excitamento e procura achar um calígrafo, amante, ideal que use seu corpo como seu papel. Em Hong Kong ela conhece Jerome (Ewan McGregor), um tradutor inglês que a convence que ela pode ser a pena e não o papel — ela deve escrever no corpo dele e ele irá levar o que ela escreveu em seu corpo para um editor. O plano vai bem. Ambos amantes começam a ficar com ciúmes recíprocos, ela do editor, ele porque ela, impacientemente, escreve nos corpos de outros homens. Numa tentativa de ter Nagiko de volta, Jerome trapaceia com a idéia do seu próprio suicídio, o que acaba resultando na sua morte. Nagiko se desespera, escreve um belo poema erótico no corpo de Jerome e o enterra. O editor exuma o corpo de Jerome, e escalpela sua pele para fazer um precioso livro de cabeceira com o texto de Nagiko. A mulher fica horrorizada. Planeja persuadir o editor a abandonar o livro da pele de seu amante enviando a ele alguns belos jovens calígrafos, o último que chega até o editor o executa. O livro de cabeceira de Jerome retorna para Nagiko e ela o guarda no solo de uma árvore de bonsai.
[Esta sinopse é parte de um excelente artigo acadêmico da jornalista, professora de cinema e crítica de mão cheia Denise Lopes, de quem me orgulho de ser amigo, diga-se de passagem. Seu artigo sobre The Pillow Book é brilhante, em minha humilde opinião. Pena não estar disponível para todos...]
[E na foto acima, disse-me outra amiga, fluente em japonês, os ideogramas do braço direito são o quinto capítulo do livro; e os do esquerdo correspondem ao sétimo.]
Toda esta conversa para avisar-lhes que na coluna à direita do blog, vocês encontrarão uma música do filme chamada “Blonde”, interpretada por Étienne Daho e Guesch Patti. E também para dizer que ela sempre começa a tocar segundos antes do filme ressurgir em minha memória. Sempre.
S’éveille-telle en lui Déloge l’homme en lui
Un ange vole Un ange vole
…Beau…
Se love-t-elle en lui Furtive elle en lui
Un homme change Un homme change
…Etrange… Parfait mélange
S’échange -t-il d’aile en elle Un homme sombre change en elle
Un ange bombe Un ange blonde
…Dérange… Doux… parfait mélange…
Sexe d’un ange















on Jan 13th, 2008 at 11:17 am
Ricardo, desculpe a ignorância ou a incapacidade de interpretação, mas… contaste o final do filme?
Bom dia!
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on Jan 13th, 2008 at 12:52 pm
Cabral, a idéia do filme é interessante, macabra mas interessante.
Não entendo nada de japonês (nem o “arigatô/maguinatá” creio que esteja correto), de filme então, nem se fala.
Valeu o post.
proftel.
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on Jan 13th, 2008 at 3:00 pm
Fato, André, grosso modo o filme todo está aí, nessa sinopse. Mas pouco importa, não vai tirar nem um pouco o impacto quando for vê-lo. Lembre-se, é um filme de 13 anos atrás, que leva (e antecipa) algumas técnicas do hipertexto para a tela do cinema… É sobretudo uma obra de arte, mais até do que um filme, tamanha plasticidade. Aliás, o Greenaway, que tem uma filmografia muito particular e algo indigesta na opinião de alguns, se considera mais um artista plástico do que propriamente um cineasta…
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on Jan 13th, 2008 at 3:07 pm
Alexandre, o filme é todo em inglês, não há por quê sentir-se inibido por ele, hehehe! Mas vou avisando que não é um filme convencional, daqueles que a gente vê só pra se distrair — coisa fundamental de vez em quando, diga-se de passagem!
Abração!
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on Jan 13th, 2008 at 3:11 pm
Ricardo,
Como sempre, vou seguir a dica.
Comprei 15 livros numa tacada só esses dias. Coração Tão Branco e Cuentos Completos são dois deles.
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on Jan 13th, 2008 at 7:04 pm
André, sei que existe a versão dos contos completos do Onetti e, português, se não me engano saiu no ano passado. Tenho em espanhol por ser uma língua que domino quase como o português, daí que sempre que posso leio no original…
E depois me conte o que achou!
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on Jan 13th, 2008 at 11:56 pm
Também sou fascinado por esse filme. E pelo Greenaway de maneira geral.
A atriz, falando nisso, é de tirar o fôlego.
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on Jan 14th, 2008 at 6:17 am
Diego, sou suspeito, seja em relação ao filme em questão, a diversos outros da filmografia do Greenaway e à beleza da atriz…
E fiquei com uma vontade danada de ter ido à exposição que ele fez em Sampa no ano passado, As Maletas de Tulse Luper. Interessantíssima!
Obrigado pela visita, já ia faltando dizer…
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on Jan 14th, 2008 at 12:11 pm
Gostei dessa sua “Mescalina” aí embaixo.
Sobre a foto, pra te falar a verdade o que tinha dentro da xícara era capuccino e estava muito bom! Um dos meus vícios — sou politicamente incorreta por natureza e por opção — é o café. Não sei o que seria do meu cérebro sem a cafeína!
Abs!
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on Jan 14th, 2008 at 2:13 pm
Ricardo, eu nao conhecia o filme, ja coloquei na minha lista da locadora de dvds…
Ver as fotos e ler a sinopse do filme so me fez pensar na sensacao que deve ser escreverem na nossa pele…deve ser uma delicia..Vou assistir o filme. obrigada pela dica!
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on Jan 15th, 2008 at 10:36 am
Adoro o Peter Greenway, com suas tiradas de artista plástico, o design de seus filmes, uma fotografia soberba. Tá, tem os atores também, as histórias e esse namoro com o mundo sombrio e multicolorido dos pensamentos.
Não sabia que vc conhecia a Denise… O Rio é uma aldeota mesmo.
beijo
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on Jan 15th, 2008 at 1:46 pm
Rê, então temos o café como vício comum! Hora dessas ponho um videozinho com a minha rotina matinal, uma tolice, admito, mas que a uma viciada em café como vc talvez agrade…
Bjs e não deixe de aparecer!
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on Jan 15th, 2008 at 1:47 pm
Gwyn, o filme é ótimo, mas qualquer coisa feita pelo Greenaway deve ser vista com certo cuidado, porque volta e meia ele é meio indigesto, ainda que um indigesto brilhante, por mais que soe estranho!
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on Jan 15th, 2008 at 1:50 pm
Pois é, Olga, aldeota é mesmo um bom termo para descrever esta terra, né? E em relação à Denise, gosto muito dela, e devo encontrá-la ainda esta semana, pois andamos mega desatualizados em nossas conversas…
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on Dec 5th, 2008 at 9:04 am
[...] interpretada por Etienne Daho e Guesch Patti, da trilha sonora do filme “The Pillow Book” (do Peter Greenaway), é a que encabeça a lista. Logo abaixo, “Heaven or Las [...]