O corpo anda dolorido, por conta das guinadas violentas que a vida tem me obrigado a fazer. É próprio dela, a vida, e a gente é que deve ter planos B, C e D, ou ao menos não se fiar demais de planos A. Mas deixe estar, ainda pego essa tal de vida de jeito.
Bom, deixando estes papos crípticos de lado, é hora de escrever qualquer bobagem algo minimamente relevante neste pobre blog, que anda às moscas, abandonado à própria sorte por seu idealizador… Sendo assim, esquentando os tamborins, mais um livro perdido nas prateleiras mais altas da estante:

Grafitos de Banheiro, de Gustavo Barbosa (RJ: Editora Anima, 1986). Comprei num sebo, décadas atrás, nos tempos da faculdade. É daquelas pesquisas antropológicas curiosas, que além de oferecerem dados interessantes sobre “sexualidade e escatologia, repressão, cultura, proibição, transgressão, nojo e desejo” (p. 17) dão farto material para posts.
Não sendo este o caso — pois retorno totalmente fora de forma, sem ritmo e sem cérebro para fazer as analogias que o tema incita, analisando com acurácia o “desabafo da vulgaridade” dessas obras* —, deixo apenas uma curiosidade da pesquisa do autor, não sem antes dizer que desconheço se a pesquisa foi repetida tempos depois**, algo que seria muito interessante levando-se em consideração tanto o enorme (com duplo sentido) aumento (idem) do explícito em relação à sexualidade, quanto o processo de redemocratização do país, que já conta com mais de uma geração nascida após o fim da ditadura militar (a primeira edição do livro parece ter saído pela Brasiliense em 1984).
Bom, chega de papo furado. Pergunto: vocês sabem quais os nomes mais comuns grafitados nos banheiros masculinos e femininos (ao menos no início da década de 1980)? Desconfiam? Claro que sim, todos já entraram em algum banheiro público, especialmente na escola e na faculdade. Mas talvez se surpreendam com as estatísticas e a diferença entre os gêneros. Vamos lá:
| WC Mulheres | % | |
| 1 | Chupar | 15,9 |
| 2 | Tesão | 14,3 |
| 3 | Piranha | 12,7 |
| 4 | Pica | 6,3 |
| 5 | Gozar | 5,3 |
| 6 | Sexo | 5,3 |
| 7 | Pau | 4,8 |
| 8 | Buceta | 4,8 |
| 9 | Foder | 3,1 |
| 10 | Piroca | 3,1 |
| 11 | Puta | 3,1 |
| 12 | Sapatão | 3,1 |
E agora, o banheiro masculino:
| WC Homens | % | |
| 1 | Cu | 17,5 |
| 2 | Viado | 11,8 |
| 3 | Chupar | 6,0 |
| 4 | Mãe | 5,2 |
| 5 | Buceta | 5,2 |
| 6 | Maconha | 4,9 |
| 7 | Comer | 4,1 |
| 8 | Pau | 4,0 |
| 9 | Pica | 3,8 |
| 10 | Cagar | 3,7 |
Observem como as mulheres se mostram mais “orais”, enquanto os homens mais “anais”…
Curiosidade: a mãe parece mesmo ter um lugar especial para os homens. Em compensação, tadinho do pai. Nem para palavrão serve!
__________
* No Dicionário Eletrônico Houaiss, a quinta acepção da palavra “obra” diz: “ato ou efeito de defecar”.
** Encontrei um ou outro artigo sobre grafitos de banheiro. O primeiro, Grafitos de banheiro: um estudo de diferenças de gênero, de Renata Plaza Teixeira e Emma Otta; um outro intitula-se Análise do discurso dos escritos de banheiro na universidade. Por último, enc0ntrei também outro livro, Mural dos nomes impróprios, de Venus Brasileira Couy (uma pequena resenha aqui). E quem quiser mais coisas vá no Google, fazendo o favor!













on Aug 1st, 2008 at 9:14 pm
Sou um incorrigível leitor de vaso sanitário. Em casa, tenho que levar alguma coisa para ler, apesar das reclamações pela possível demora (que não se consuma).
Em locais públicos (rodoviárias, shopping), na falta de algo para ler, procuro fazer uma sociologia (latrinária?) dos recados de portas e paredes de banheiros.
Alguns, talvez a maioria, dos termos coletados são universais e perenes. Não seriam esquecidos numa pesquisa mais recente. Com o avanço do movimento gay, os recados entre eles se tornaram mais assíduos, com números de telefone, inclusive.
Paro por aqui. Meu fôlego de sociólogo não dá nem pra chegar à Presidência da República, quanto mais…
Ricardo,
Acho que esse livro foi inicialmente editado pela Codecri, a editora do Pasquim. A conferir.
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on Aug 2nd, 2008 at 4:54 am
ja li poemas em banheiros publicos, ja li ameaças de suicidio, confissao de amor eterno e oferta de venda de uma passagem paris-cracovia, pela metade do preço, com devido # de celular ! devo viver em outro mundo…
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on Aug 2nd, 2008 at 5:01 am
rc, vc pode estar fora de forma e ritmo, mas seu blog, sempre à procura da batida perfeita…de repente ele te “salva”…
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on Aug 2nd, 2008 at 12:15 pm
Anrafel, fui consultar dados sobre o livro, mas só encontrei a edição da Brasiliense como sendo a primeira. O autor foi é editor da Codecri, segundo li…
Quanto ao universo gay, esses dados devem ter mudado. No livro fala-se muito de mensagens homofóbicas e homofílicas, mas suponho tb que algumas de suas características tenham mudado com o tempo. Como vc disse, a conferir.
Abs
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on Aug 2nd, 2008 at 12:18 pm
aquela*, mesmo com as particularidades culturais e históricas, acredito que há muita comunicação bem parecida no mundo todo, e que os banheiros públicos seguirão sendo um lugar privilegiado desse tipo de manifestação.
Beijos e ótimo te ver por aqui, viu?
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on Aug 3rd, 2008 at 10:58 am
Ricardo,
tanto tempo sem ter um post novo que nem tinha reparado nesse..
E muito bom ler voce novamente.
Quanto ao post, nessa parte do mundo pelo menos nos banheiros publicos que uso nao tem nada escrito… ;((
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