
[Encontrei este desenho aqui]
Sim, vi tudo o que pude de Fellini. Mas assumo que do supracitado filme guardo apenas três cenas, e só salvo a primeira:
1) o famoso recurso do “mar de celofane”, que a maioria costuma associar a E la Nave Va (1983) — mas que vi primeiro em Amarcord (1973).
Tudo bem que a idéia era boa — teatral, de fato —, mas não precisava usar em três filmes, não é?
2) o Donald Sutherland trepando — é a palavra adequada, embora suave demais —, numa posição esquisita, com a moçoila parecendo um carrinho de mão (minha memória diz que ele ficava “passeando” com ela como se carrinho de mão fosse). Suponho que o diretor pretendesse uma cena bem-humorada, algo de pornochanchada, mas não achei a menor graça; e
3) a derradeira, que não estava na tela: minhas pernas — quem mandou ir de bermuda! — sendo destroçadas por uma esquadrilha de mosquitos, numa sessão interminavelmente longa no Cine Brasília, nos estertores da ditadura.
Agora que assumi, posso voltar a esquecer.















on Dec 4th, 2008 at 5:49 pm
Nem tudo é bom do melhor diretor de todos os tempos.
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on Dec 5th, 2008 at 9:16 am
Pax, não sei se compartilho a mesma opinião que você. Há momentos em que o Fellini me pareceu esse cineasta que você diz, mas em outros, parecia mais uma figura de marketing, embora das boas — por ter muito conteúdo, é claro, mas ainda assim afeito demais à auto-promoção, tal e qual um “primo-irmão do Salvador Dalí”, por exemplo.
Se vivo fosse, provavelmente diminuiria as ações de marketing e centraria mais as suas energias no próprio cinema, arrisco a supor. Isso porque certamente não lhe faltaria a genialidade, mas não acredito que teria a energia e a velocidade para acompanhar o que esses adultos infantilizados da onipresente e insuportável “marketagem” fazem…
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on Dec 5th, 2008 at 3:54 pm
Ricardo, grande Ricardo,
Vamos discordar sim. Acho Amarcord o melhor filme de todos os tempos. La Nave Vá, Roma etc são outras obras sensacionais.
Pela lógica, se acho Amarcord o melhor de todos, seu diretor é o melhor de todos.
Não quer dizer que gosto de tudo que fez. O raciocínio não passa dessa simplicidade franciscana.
Se fez muito marketing, se não fez, se é negro, branco, católico, judeu, muçulmano, tibetano, gay, bi, tarado, ou qualquer outra coisa, não afeta o raciocínio acima. É isso.
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on Dec 5th, 2008 at 7:32 pm
Treplico, dizendo que Amarcord tem lugar especial na minha lista de filmes prediletos, embora não em primeiro lugar. E o meu problema com o marketing é tão somente o lugar central que muitas vezes ocupa, especialmente quando mais central até do que aquilo que ele “marqueteia”. Não me incomodo com a autopromoção do Fellini ou do Dalí, exceto quando a promoção dizia respeito a obras menores deles, daquelas feitas meio nas coxas. Há uma história do Fellini indo atrás do Carlos Castañeda que está nessa categoria, uma bobagem à qual se deu atenção apenas porque envolvia o Fellini…
Mas que o cara era bom, melhor do que quase todos os atuais cineastas juntos, isso eu concordo!
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on Dec 8th, 2008 at 9:05 pm
“Amarcord” está tranqüilamente no meu top five.
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on Dec 8th, 2008 at 9:19 pm
Fellini fez cinema maravilhoso com Os Boas Vidas, Ammarcord, Oito e Meio, Noites de Cabíria. Mas Casanova é chato pacas. Mesmo com Donald Sutherland.
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on Dec 9th, 2008 at 8:55 am
Acho que da nossa geração para trás — porque, no que nos diz respeito, Anrafel, é certo que ainda éramos moleques quando vimos alguns desses Fellini —, todos os que amam o cinema têm Amarcord em suas listas, top five ou top ten que seja, né?
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on Dec 9th, 2008 at 9:00 am
Você não sabe como fico feliz de ler as tuas palavras, Olga. Eu me sentia tão solitário em minhas impressões fellinianas, e sobre Casanova, a sua observação “mesmo com Donald Sutherland”, ator que também gosto demais, só fez melhorar as coisas!
Bjs
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on Dec 22nd, 2008 at 6:14 pm
[...] Sou usuário de água gelada (mas bebo no máximo 2 copos por dia). 2) Uns já sabem, mas vou reiterar: vi quase tudo de Fellini, e detestei seu “Casanova”. 3) A [...]
on Apr 6th, 2009 at 2:11 am
Casanova de Felinni é um dos maiores épicos da história do cinema mundial. Ele é feito todo em um estilo
original e fantástico ,fellini estava inspirado mesmo ,ao fazer CASANOVA. Ví esse filme e me entusiasmei e gostei imensamente ,pois retratou a alma de um conquistador de mulheres.na sua fase em que vai definhando de uma forma estrondosa,fellini deve ter feito este filme guiado pela sua visão fantástica do que era o conquistador e aventureiro Giacomo Casanova de Seingalt
Fico muito decepcionado ,quando um infeliz que vê um filme com as nuances psicológicas de Casanova de Felinni, ver o mesmo em uma cidade como “Brasília”,que é uma cidade cheia de calangos e lixo cidade sem nenhuma sensibilidade artística, comentar um filme profundo e misterioso como Casanova de Felinni.
Retrata muito o estado mental desse cidadão.
No minimo esse infeliz devia devia estar pensando nas suas sucupiras.
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on Apr 6th, 2009 at 9:40 am
Marcos, não deveria, mas ainda me espanto com comentários agressivos de pessoas que se sentem incomodadas com opiniões que não coincidam com as suas. Pena que essa sua divergência cinematográfica, que poderia render boa conversa, tenha se resumido a esse arrazoado tolo e infantilmente ofensivo…
Não tenho interesse de discutir as suas “opiniões” sobre Brasília. Por outro lado, em relação ao Casanova de Fellini, até poderia falar alguma coisa, mas além de reconhecer a irrelevância das minhas opiniões, o tom do seu comentário me deu preguiça. Mas tem um sujeito hors concours em se tratando de cinema, que escreveu em suas memórias:
“Gosto muito dos filmes de Renoir anteriores à guerra [2ª Guerra Mundial], e de Persona, de Bergman. De Fellini gosto também de La Strada, Noites de Cabiria e La Dolce Vita. Não vi Il Viteloni, e sinto muito por isso. Em compensação, fui ver Casanova, e saí bem antes do filme terminar.” (Luis Buñuel. Mi Último Suspiro (Memorias). México: Plaza & Janes, 1982, p. 218)
Ao menos o meu desgosto com Casanova está em boa companhia…
Cordiais saudações, Marcos, mesmo que você não tenha feito por onde para merecê-las.
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