O título do post alude ao filme “Between th Devil and the Deep Blue Sea” (1995), da diretora Marion Hänsel. Será uma referência ao inferno natalino comentado dois posts abaixo? Que seja. Mas de associação em associação, retomei uns fiapos de memória embolando cinema, música e literatura, combinação-clichê das que fazem um bem danado à vida, nem que seja a minha.
Ao que tudo indica, a frase em inglês parece ter história. Googleando por aí, encontrei como lugar-comum tratar-se de referência náutica, com particularidades sobre as embarcações. Noutro canto essa explicação aparece junto com mais algumas, mas faz-se troça da primeira, afirmando tratar-se provavelmente de algo bem mais simples. Para começar, a frase diz respeito a alguma situação bem complicada, por tratar-se de escolher entre duas alternativas desagradáveis, para dizer o mínimo. Sendo assim — lembrando que na versão em inglês faz-se referência ao diabo (e não a sua morada) —, o simples fato de estarmos próximos da própria “definição do mal” só pode ser entendido como algo muito, mas muito ruim. Por outro lado, cair em águas profundas, largado na vastidão de algum oceano — carreguei um pouco nas tintas do drama, tem razão —, também não parece ser a melhor das alternativas…
Mas deixo a origem da expressão de lado e volto ao trio “filme + literatura + música”. Dizem as resenhas que o roteiro é uma adaptação de um conto chamado “Li“, do escritor e poeta grego Nikos Kavvadias (1910-1975). Não conheço o conto, soube dele ao querer me inteirar um pouco mais sobre esse filme que vi por acaso, numa sessão qualquer na Sala 2 do Estação Botafogo, atraído justamente pelo título e dando-lhe algum crédito graças à presença de Stephen Rea como ator principal.

Não diria “vejam-no, é um filme importantíssimo!”. Digo “vi, gostei e lembro de algo em torno dele”. (Detalhes como nomes dos personagens, só apelando para o IMDb.) Um navio atracado em Hong Kong. Nele, o marinheiro Nikos, entorpecendo sua desesperança com baforadas de ópio.
[Imagens que me levaram à cena final de Era uma vez na América, do Sergio Leone, com Robert de Niro olhando para o teto, sorriso opiáceo, a câmera (nós) vendo-o de cima.]
[Aliás, clique na foto e veja como o filme termina. (Merci, Efêmera!)]
Entra em cena a menina Li, que vive num barco com os avós e se dedica a subir nos navios da baia de Hong Kong, oferecendo-se para fazer faxina em troca de comida. Eis que uma improvável amizade entre Nikos e Li muda tudo. E a tristeza dele, um profundo vazio pontuado pela trilha sonora de Wim Mertens, pouco a pouco se esvai.

Literatura, cinema e música. Sabendo misturar…
Ah, faltou dizer algo fundamental: a narração do filme é de Jane Birkin.

















on Dec 6th, 2008 at 5:53 pm
ah que saudade de noodles !
aqui sua ultima cena entao,para o bem do povo e felicidade geral do blog..
http://www.youtube.com/watch?v=u9KhCugLYOc
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on Dec 7th, 2008 at 5:14 pm
Efêmera, ver essa cena me deu um nó na garganta! Não vi mais o filme desde os anos 80 do século passado, e ouvir a trilha do Morricone embalando as lembranças do Noodles foi demais, para este coração bobo!
Obrigado pelo presente, minha grande amiga!
Beijos domingueiros
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on Dec 9th, 2008 at 8:09 am
rc, sabe onde fica o mais antigo cinema europeu ? na noruega, na cidade de tromsö…chama-se “verdenstheatret” e foi construido em 1916 ! ainda tem decoraçao e projetores de época e um barzinho delicioso; olha so :
http://farm4.static.flickr.com/3004/2673265819_2305eb45d6.jpg
bem…nada à ver né ? so que me senti uma privilegiada quando estive la…adoro cine e todas as suas manifestaçoes, como vc sabe ….mesmo uma bobagem dessa, tipo “enciclopédia biotonico fontoura” ! :-))
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on Dec 9th, 2008 at 9:05 am
Não sabia disso, Efêmera, e pode acreditar que adorei a informação, já que sou do seu time em relação ao cinema. Linda foto, por sinal, vou recomendar a um amigo que costuma viajar à Noruega com freqüência que vá visitar esse cinema.
Beijão procê!
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