
Encontrei numa estante — não foi na minha. E a despeito da capa tosca — ou talvez por causa dela —, deverá fazer parte da pilha ao lado da mesinha de cabeceira. Pelo inusitado, essa “biografia (quase) em quadrinhos” de Carlos César Salvador Arana Castañeda — era seu nome completo — merece ser a minha próxima leitura.
Ah, o começo já dá o tom:
Em grande parte por decisão sua — com o intuito de apagar a sua história pessoal — não há uniformidade sobre alguns dados, datas e lugares da vida de Castaneda, tal como foram dados a conhecer.
Parece ter nascido no dia 26 de dezembro de 1926 em Cajamarca, Peru. Ele afirmou ter nascido em Juquery*, um vilarejo próximo de São Paulo, Brasil, nos mesmos dia e mês, mas do ano de 1935. Outras fontes citam diferentes anos e países de nascimento.
Começa seus estudos em Cajamarca, completando-os em Lima, para onde se muda com sua família. Depois estuda pintura e escultura na Escola Nacional de Belas Artes.
Castaneda, porém, sustentou que fora mandado para um internato em Buenos Aires, Argentina, e que depois estudou arte em Milão, Itália.
[...] Muda-se para os Estados Unidos. Chega em San Francisco em 1951, aos 15 anos**. Vive numa família adotiva enquanto completava o ensino médio na Hollywood High Scool. Entre 1955 e 1959 assiste a vários cursos no City College de Los Angeles, onde estuda criação literária, jormalismo e psicologia [!!]. Durante esses anos e os seguintes, sobreviveu como taxista, vendedor de ponchos, auxiliar de frentista, barbeiro e alfaiate. Também trabalha como ajudante de um psicanalista, classificando centenas de gravações de suas sessões.
Em 1959 se naturaliza norte-americano, e adota o sobrenome materno de Castaneda. Nesse mesmo ano, entra na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), e três anos depois termina sua graduação em Antropologia. Desde então considera o inglês como seu idioma de trabalho, com o qual escreve todas as suas obras. [...]
* Numa googleada preguiçosa, encontrei a localidade de Juquery - São Paulo, que em 1934 tornou-se um distrito do município de Juqueri. Em 1938, o distrito separou-se de Juqueri, que, aliás, hoje, tem o nome de Mairiporã.
** Ou seja, aqui o livro leva em consideração o ano de 1935 e não o de 1926… Esses caras não se decidem!
É cafona que dói. Vai ser entretido lê-lo!
















on Dec 19th, 2008 at 10:25 am
Ricardo, por vezes encontramos essas preciosidades no fundo da estante. Não deve ser da sua época, mas nos idos dos anos setenta e oitenta existia um sistema de encomenda de livros chamado “Círculo do Livro” que, entre bons títulos, oferecia algo trash também.
Obrigado pelo link para o meu mundo já devidamente retribuído.
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on Dec 19th, 2008 at 10:44 am
Caro Alexandre, além do prazer de ter conhecido o teu ótimo blog, quero dizer que esse “Não deve ser da sua época” foi muito agradável de ouvir, pois vi em teu perfil que a nossa diferença de idade é de 3 anos…
Por isso, quanto ao Círculo do Livro, conheci sim, embora não morasse no Brasil até meados da década de setenta. Talvez seja o motivo de ter na estante só um único exemplar editado por ele, Os Moedeiros Falsos, do Gide.
Grande abraço e volte, será um prazer revê-lo nesta “ágora da periferia” que conta com um dazibao no meio dela, rodado em mimeógrafo e grudado num velho cavalete, meio cambaleante de tanta chuva em dezembro.
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on Dec 20th, 2008 at 3:04 pm
Por incrível que pareça eu tenho toda a coleção do Castañeda na minha estante… desde A Erva do Diabo, até a Roda do Tempo, passando pelo Passes Mágicos que é o pior livro que alguém já escreveu algum dia em todos os tempos…
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Ricardo C. Reply:
December 21st, 2008 at 6:39 pm
Nat, vc terá que me dar aulas sobre o rapaz. Morei no México, mas não tive o prazer de conhecer o tal do Don Juan ou o próprio Castaneda, embora tenha tido contato com um seguidor do segundo e saiba de algo sobre o peiote…
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on Dec 22nd, 2008 at 3:45 pm
Que fim levou o caso das supostas fraudes em pesquisas de campo que o Carlos Castañeda teria cometido? Alguém tem informações?
A página está melhor com este tema. Abraços!
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Ricardo C. Reply:
December 22nd, 2008 at 5:52 pm
Renato, confesso-me um total ignorante no assunto, mas se eu souber, ponho cá na Ágora.
E fico contente que o tema esteja agradando. Todos os blogs do condomínio OPS estão mudando, e esse tema mais leve será a tônica, embora alguns ajustes ainda estejam sendo feitos.
Grande abraço!
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