Ágora com dazibao no meio

Prolegômenos, (re)flexões e nadas, de todo tipo.

Para além do meu campo semântico

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[Quino, La Buna Mesa]

E não ria, nem se iluda: é também para além do seu. Pois assim como eu, você também só avalia o mundo com as medidas e as (parcas) ferramentas que costuma usar.

Mas, se serve de consolo, às vezes dá para mudarmos o recheio…

80 Comments

  1. Vocês por favor me permitam dar uma meia volta e buscar uns momentos desse thread que eu gostaria de comentar. Diabos, não sei como o Ricardo vê isso de manter aceso um post velhinho. Espero que não se incomode. Gostei muito de você ter trazido o Kuhn à baila, Ricardo. Estou com ele na cabeça. É curioso, parece que no prefácio de uma das últimas edições do livro aquele, das revoluções, ele busca atenuar o significado pesado das conclusões a que chegou.

    O que você fala sobre olhar de maneira ingênua o que queremos conhecer de perto me parece ser o mesmo que desimpedir as vias da intuição, será? Intuição, o oposto de intelecto? Olha o que o Bertrand Russell fala sobre essa parelha, numa tradução folgada minha:

    “O intelecto, pro homem civilizado, assim como a capacidade artística, desenvolveu-se eventualmente para além do ponto até onde é útil para o indivíduo; a intuição, por outro lado, de um modo geral parece diminuir enquanto a civilização progride. É maior, via de regra, nas crianças do que nos adultos, nos iletrados do que nos letrados. É provável que entre os cães ela exceda tudo quanto o ser humano dela possui. Mas os que virem nesses fatos uma recomendação da intuição devem voltar a vagar pelas florestas, pintar o corpo e viver de frutas silvestres.”

    Este é um trecho de um ensaio dele chamado Mysticism and Logic. Materialista, ele me pareceu fazer o elogio do cientista que ‘sabe’ da dimensão mística, apesar de espernear e fazer ressalvas como a do final do trecho acima. Onde ele ainda dá, de passagem, um cascudo nas artes ao dizer que hoje são inúteis.

    André Egg, você suspeita mas eu mesmo não sei se serei mais velho que você. Meu Guiness foram 6 anos de casamento. Você está nos 11. Nesse sentido sou cinco anos mais moço – supondo que minha marca inferior seja produto de uma imaturidade que me faz inepto pra esses grandes compromissos. Chapeau pra você e pra sua Maris. Gostaria de comentar alguns pontos do que você diz, mas tem coisas ali sobre as quais ainda preciso matutar um pouco.

    Ricardo C. Reply:

    Roberto, essas reflexões são sempre benvindas (já na nova grafia, suponho, mas com saudades do hífen). Mas não precisa opor razão e intuição, até porque a razão tem muito mais ferramentas do que a gente possa imaginar — embora eu goste da intuição, valorizo-a muito. O exercício de olhar ingenuamente para enxergar aquilo que é do jeito que é representa nada mais do que a redução fenomenológica, a suspensão dos juízos que acumulamos ao longo da vida, na tentativa de não encobrir o fenômeno. É isso.
    Ah, pode retomar qualquer comentário. Se é Ágora, é Ágora mesmo!
    Abs

    Gwyn Reply:

    ” Intuição, o oposto de intelecto?”

    E o que o Roberto fala sobre essa parelha?

    Ricardo C. Reply:

    Pois é, Gwyn, quando muito complementares, embora às vezes a supervalorização de um costume servir para desvalorizar o outro — uma perda de tempo e energia descomunal, diga-se de passagem…

  2. Oi Gwyn, Patricia, Tichia, Ricardo, Pax… Putz, não pensava na existência da intuição há muito tempo. A leitura desse trecho do Russell me trouxe isso de volta à mente. Não sou cerebral, disso não me podem acusar. Agora, não sei se esse conceito não foi criação de gente muito cerebral para explicar suas deficiências naquilo que a propaganda das editoras chama de inteligência emocional. Que, por sua vez, me parece ser consolo pra gente burra: – Fulano, uma besta? NÃO! Não junta duas, mas é emocionalmente inteligentérrimo. O Russell associa a intuição à espiritualidade, o intelecto à ciência – ciência materialista, diga-se, porque tem muita gente boa querendo botar pra frente uma ciência aberta pros espantos mais que indizíveis. Tem um textozinho do biólogo Rupert Sheldrake, recente, chamado A Bancarrota do Materialismo ou coisa que o valha, que manda pedra. Tá ficando velho, o rapaz, e não está vendo progressos, pelo contrário, e com certeza se ressente. Eu não posso dizer que esteja muito melhor que ele.

    Mas o que vem a ser afinal a tal de inteligência emocional. É aquilo que os caras que namoram as meninas mais espertas têm?

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