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Uma conversa “edukadora” com a Lu

eu já falei sobre isso aqui antes: pra mim, é a forma de machismo que mais aparece: aquela que se exemplifica na maneira pela qual se usa a expressão dar falando de quando uma mulher come alguém. o verbo em si não diz nada; mas a idéia que alguns têm, que ele veicula, é que a mulher quando transa oferece, cede, oferta, e não ganha nada no sexo pelo sexo. segundo essa lógica, então, a mulher transa buscando algo que está para além do sexo em si: quer agradar o outro, porque quer casar, ganhar alguma coisa, ter companhia, ser aceita, ou simplesmente fazer um favor. tudo menos transar. pois nem todas as mulheres são machistas, e algumas trepam simplesmente porque querem trepar. [...]

É assim que a Lu, do ótimo blog “É bom pra quem gosta” — de subtítulo tão bom quanto: “porque precisar, não precisa” —, começa uma de suas críticas tanto ao machismo quanto a uma pequena parcela do feminismo, que afirma que

… o sexo heterossexual é violento por natureza. dizer isso é estender o machismo, e trabalhar a seu favor ali onde ele deveria ser coibido. por feministas assim que o feminismo é pensado como o “outro lado da moeda” do machismo - uma moeda que não dá conta do mundo, já que ele se ergue (e deve ser erguido) para além dessa lógica. o trabalho dos feminismos que fazem juz ao nome, se entendermos feminismo como o que favorece as mulheres ao combater o machismo que as oprime, seria propor uma alternativa ao machismo, e não crescer seu papel. condenar toda e qualquer penetração, além de ser uma fantasia, é ofensiva a todas as mulheres, reduzindo-as radicalmente àquele lugar de vítima passiva que o machismo lhes reserva.

Até aqui — e vale ler o post inteiro e sua continuação — concordo com tudo o que a Lu diz. Meu problema com um aspecto lateral de sua análise, justo quando ela adentra (sem trocadilhos) pela crítica à anti-pornografia dessa parcela das feministas.

[...] as feministas anti-pornografia também são contaminadas por essa noção de sexo enquanto algo nocivo às mulheres, mesmo as que não defendem que todo sexo é violento por si mesmo. se pornografia é a representação do sexo, por que sempre e necessariamente vai representar um sexo que prejudique a mulher? se pode haver sexo no qual as mulheres são respeitadas e plenamente donas de si e do seu prazer, ele pode ser reproduzido em dvd. dizer que filmes pornôs são snuff (em que alguém é morto de verdade) ou que são sempre violentos contra as mulheres é desautorizar a palavra da mulher que consente em participar do pornô, é negar sua capacidade de consentir, despi-la de autonomia.

Como disse, é um aspecto lateral, já que a questão central tem é o meu aplauso. Trata-se de falar daquilo que senti falta, isto é, de uma análise a respeito da estética dominante na cena pornô, uma estética que nunca me pareceu tão misógina e “antiprazer” quanto na atualidade. Foi sobre o que comentei no post dela:

[...] quando vejo as próprias produções pornográficas da atualidade, a impressão que me dá é que muitas das mulheres que nelas participam se divertem e gozam mesmo é fora dos filmes, e muito pouco dentro (com trocadilho) deles. (Divertem-se, por exemplo, com o status de celebridades e com o retorno financeiro, suspeito.) Produções com o “bukkake” como tônica, algumas de fist fucking, as que se pautam por mostrar prolapsos hemorroidários, muitas de zoofilia e aquelas de record de fodas consecutivas parecem destinadas apenas ao gozo do público pelo insólito, do que à perspectiva de um prazer maior dos próprios (e sobretudo das próprias) envolvidos(as) nas produções listadas…
O que me ocorre é que o gozo “durante” o sexo perdeu demais o seu papel de parâmetro — ao ponto de em alguns momentos parecer quase irrelevante… —, e que boa parte da indústria pornográfica tem enfatizado demais o lugar da mulher como um não-lugar — como quem diz “caguei se vc goza, se vc é gente, se vc existe, só importa o meu gozo e como algumas (poucas) partes do teu corpo me servem para alcançá-lo”. Só a título de comparação, as produções BDSM valorizam muito mais o lugar masoquista (porque sem ele não existe BDSM!) do que boa parte da produção pornô mais “fundo de quintal”.

Mas a Lu, elegante que é, replicou:

o gozo, o desejo, não é só tesão e orgasmo; tem muita coisa no desejo, e uma mulher pode fazer filme pornô e ser plenamente feliz e dona de si com isso ainda que não tenha orgasmos múliplos a cada filme, sabe. ela pode querer fazer os filmes pelos motivos que forem válidos pra ela, ela pode querer ser uma celebridade e ganhar dinheiro, ela pode pelo que for. a idéia é que não necessariamente - embora seja possível - ela vai estar se degradando. e se ela diz que não é degradante, a palavra dela tem realidade, e não deve ser menosprezada, o que seria, isso também, desautorizá-la, colocá-la nesse “não lugar” que vc falou.
A idéia é que a indústria pornográfica não tem nada de especial ou de especialmente misógino; ela é uma parte da sociedade, de uma sociedade que é sim ainda misógina, em parte, e como tal ela é, em parte, misógina. ela, enquanto parte do mundo, reflete as características do mundo em que existe. e o mundo é amplamente sexista, mas não sempre e não necessariamente. então não se trata de travar uma luta contra a pornografia, mas contra um sexismo que existe para muito além da pornografia, e que não está diretamente ligado a ela e nem tem nela um âmbito privilegiado de manifestação. o buraco é mais embaixo mesmo. sem trocadalhos ;)

E eu tive que treplicar, não deixando de concordar com ela, mas insistindo no tema da misoginia:

Lu, sim, estou de acordo, não é preciso normas, convenções, regras de nenhum tipo ao tratar do universo pornô. (E não só ele, qualquer um. O casamento, por exemplo. Desde quando ele só é considerado “bom”, “sublime” e sei lá quantos outros adjetivos, se tiver como base “o amor“? Acordos são acordos, e cada um estabelece suas bases, ora.)

O que quis destacar foi justamente o excessivo protagonismo da misoginia em grande parcela da indústria pornô, e não entrar em qualquer tipo de cruzada antipornografia, estupidez que sequer considero. A questão é que parece até que se esqueceram que “com prazer é mais gostoso”… E queira ou não, parte desse jeito de misógino de lidar com a sexualidade vem se espalhando em “corações e mentes” de um jeito que parece até crime querer ter prazer E proporcionar prazer…

Pensei que depois disso conseguiria trazer a Lu um pouquinho para o meu lado. Ledo engano. Ela contra-argumentou: Ricardo,


[...] acho que a pornografia é cheia de regras e normas e convenções, mas elas não são exclusivas da pornografia nem inventados por ela.
mesmo o amor que faz dum casamento “bom” vem com uma carga bastante enviesada. amor gay por exemplo não legitima um casamento, de maneira geral. tem gente que acha que a mulher que ama o marido cuida dele, cozinha pra ele, limpa a casa dele. e assim vai… da mesma forma, a pornografia trabalha com uma certa definição de prazer, que não é a de todas as pessoas, não é universal. afinal, o que é? nenhuma norma vai ter cobertura ilimitada do mundo. Não se deve trabalhar como se a pornografia causasse concepções ou se produzisse normas, mas sim ela mesma se vale de normas dadas, pelas quais ela não é responsável - no mínimo certamente não é a única responsável nem a principal; ela só as repete, e quando repete, porque não é necessário que as repita. não é ela que cria os parâmetros (mais ou menos misóginos, ou não) que segue, é isso que eu quero dizer com “o buraco é mais embaixo”…

Sim, ela viu um flanco na minha argumentação. Tive que me aprumar:

Bem apontado, Lu, mas eu só não desprezaria o “poder de contágio social” da indústria pornô — concordando que ela tb é produto dessa mesma sociedade, dela extrai suas normas, e que é produto limitado. (E deixe eu reiterar, mais uma vez, que não tenho nada contra o universo pornô, viu? Só me parece que grande parte dele anda “muito pobrinha” hoje em dia, muito adolescente; mas isso é outra questão.)
Aliás, essa discussão me lembra o papel da tevê na educação, o papo de que ela apenas “reproduz o que está aí”, mas pouco produz de novo. O que tem de psicólogo, neuropsicólogo, antropólogo e publicitário dando pitacos em roteiros, programas dos mais variados, com o auxílio de neuromarketing e outras bossas, nos faz no mínimo refletir, não?

Bom, sei que toda esta minha argumentação corre o risco de sugerir alguma espécie de normatização de minha parte. Paciência, é algo distante do que pretendi, mas sei que é o preço que talvez deva pagar ao sinalizar o pouco sexo (ou o que percebo como uma “versão demasiado restrita” dele) que vejo nas atuais produções que envolvem sexo.

A conversa por enquanto parou aqui, mas algo me diz que ela segue tendo material para discordar de mim, e material bem mais consistente do que o meu.

ATUALIZAÇÃO: a Lu escreveu mais isto:

entendi que vc não tá dizendo que a pornografia é o lócus privilegiado do machismo. concordamos nisso então. e eu tou muito longe de achar que pornografia ajuda a combater o machismo ou que é “boa” em si. acho mesmo que a pornografia por ela mesma é indiferente, não é pólo produtor ou emanante em especial de nada; quando ela é machista - e quando não é - está só refletindo algo que aparece alhures tanto quanto nela.
a tv é muito mais abrangente e influente que a pornografia. não que a tv produza e dite as normas que temos, mas ela certamente é um veículo mais poderoso delas que a pornografia, que é mais restrita. (eu nunca pensei nesses termos, penso em discursos apenas, porque não acho que eles se compartimentalizem; ou melhor, não há uma universalidade dentro da categoria: tv é isso, pornô é isso…)

o que eu estou dizendo é que a “estética predominante na cena pornô”, como vc diz, não é privilégio nem exclusividade da pornografia. não adianta pegar a pornografia pra cristo, por assim dizer, porque isso não vai no cerne. a pornografia ser predominantemente machista é um sintoma, por assim dizer; na própria pornografia você vê a mulher sendo reificada e se afirmando fora da reificação imposta, o modelo imposto e a resistência a ele. já comentei aqui noutro momento, em algum outro dos posts já publicados sobre feminismo e pornografia: ainda nos filmes mais toscos, já vi o ator cuspir na atriz e levar uma cusparada de volta na hora. já vi atriz morder violentamente a mão de um ator que enfiava a mão na boca dela estupidamente. já vi a mulher levar um tapinha na cara e na mesma hora revidar com um tapão na cara do ator.

mas eu não vejo muito agora onde que a gente está discordando. essas feministas que atacam a pornografia são bem radicais, e o problema está na generalização do argumento - que condena toda mulher que participe em qualquer pornografia, ainda que ela própria não se veja assim. (Grifo meu)

Pronto. Da minha parte, fico contente com a frase em negrito!

Enquanto isso, acabei lembrando de uma cena do filme Edukators (Die Fetten Jahre sind vorbei - 2004) — e quem não viu, aviso que descreverei cenas e publicarei diálogos do filme —, onde dois rapazes e uma moça, jovens “revolucionários”, estão em meio ao sequestro de um alto executivo. Este, até então um “arauto da bruguesia”, acaba contando para eles como também fora um revolucionário. Enquanto isso, o trio — Peter e Jule, que formam um casal, e Jan, que com Peter é a cabeça dos “educadores” do título — anda meio complicado, já que rolou um clima entre a Jule e Jan, e estes não sabem como administrar a situação com Peter.

Com a palavra, o sequestrado Hardenberg, contando sobre os seus tempos de juventude, em 1968:

[Hardenberg] Antes eu adorava cozinhar. Para minha esposa e para meus amigos na república. Era uma grande festa.
[Jan] Quantos eram?
[Hardenberg] Éramos 6. Rolf, Bernd, eu, Lizzy, Gabi e minha esposa. Primeiro, Rolf e Gabi ficaram juntos. Depois Bernd e Gabi, depois eu e Lizzy. Depois Bernd e Lizzy… Depois Lizzy e minha esposa durante um tempo… Não era apenas um movimento político. Nós nos divertíamos. Amor livre… Mas vocês três sabem com é.

Mais adiante, Hardenberg está sozinho com Peter, o namorado da Jule, enquanto esta saiu para fazer compras com Jan (aquele com quem ela está ficando às escondidas).

[Peter] Quando falou sobre amor livre, por que mencionou nós três?
[Hardenberg] Você não sabe?

Não, ele não sabia. E quando os dois voltam, Peter vai tirar satisfações:

[Peter] Está rolando algo entre vocês? Ficaram malucos? Vão se ferrar! Esse problema é de vocês, estou fora!
[Jule] Peter, sinto muito.
[Peter] Sente pelo o quê?
[Jule] Aconteceu. Eu me apaixonei.
[Peter] Ótimo, então posso ir embora. Você não me ama mais.

[Peter] Seu babaca! No que estava pensando, cara!
[Jan] Nós nos apaixonamos, sinto muito.
[Peter] Assim, do nada?
[Jan] Não foi “do nada”. Foi depois que nos conhecemos melhor.
[Peter] Eu pensei que fôssemos amigos!
[Jan] Nós somos amigos!
[Peter] Eu confiei em você!
[Jan] Você me mandou ajudá-la.
[Peter] Ajudá-la, não transar com ela! Babaca!

A esta altura do filme, o divertido é justamente ver como, por uma lado, os três “educadores” em nada divergem quanto ao aspecto político-ideológico que o burguês Hardenberg defendeu em sua juventude revolucionária. Mas no que diz respeito à sexualidade, eles são caretíssimas, reprodutores incontestes dos modelos de relação monogâmica, heterossexual e de preferência patriarcal, sem sequer parecer que são filhos de uma geração que quebrou diversos tabus em relação ao tema. Nesse aspecto, eles é que são os “burgueses reacionários”, enquanto o Hardenberg segue sendo o “revolucionário”…

E o que isso teria a ver com a minha discusão sobre pornografia? Ora, que a cada dia que passa, a indústria pornô se comporta de maneira mais conservadora no que diz respeito aos papeis que homens e mulheres podem (e, neste caso, parece que devem) desempenhar. Como se a pluralidade, a abertura a novas possibilidades em relação ao erotismo, à própria pornografia, às relações de poder e a tudo o que envolve o assunto ficassem em segundo plano, “voltando às origens”, com “mais do mesmo” de tudo aquilo que teria sido posto abaixo nos anos 60/70.

Uma pena.

P.S. Lu, sigo aprendendo com as nossas conversas!

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37 Comments on “Uma conversa “edukadora” com a Lu”

  1. #1 lu
    on Jan 26th, 2009 at 5:17 pm

    há! eu nem estava mais entendendo agora no que exatamente a gente estava discordando. mas se tem uma coisa com a qual e não concordo é que a pornografia agora, atualmente, é mais sexista do que já foi. A grande maioria dos filmes antigos que vi, digamos, os de 70 e 80, eram machistas o tempo todo na retratação das mulheres; as histórias são machistas. no último que vi, pra você ter uma idéia, a mulher era casada e saía trepando em busca de experiências. e depois de muito transar ela volta com o marido, devidamente treinada, tendo aprendido como agradar um homem; o filme termina com ela, o marido e mais uma garota na cama, depois de um menage completamente voltado para o cara. um li-xo! “eu te amo, e agora que eu aprendi o que devo saber para ser uma boa esposa sei que você vai me aceitar de volta”, ela disse, antes de fazer o boquete e o menage que provavam o que ela dizia. Ou seja, não é nem “caguei se vc goza, se vc existe”, mas “vc SÓ goza, só existe, se for em função do seu homem - do gozo dele. da existência dele”. pelamor.
    oras, o mundo na década de 80 era mais machista do que é em 2009, e os filmes refletem a realidade da sua época. de maneira geral, os filmes hoje são bem menos pior do que jamais foram.

    e ah, acho que eu te devo uma explicação, de quando você falou em eu passar um pouquinho pro seu lado: minha pesquisa passa por essas questões… então eu passo o dia todo em cima disso, desde… 2002 ou 03. então estou “do lado” de alguns filósofos que amo e dificilimente vou mudar de lado a essa altura do campeonato, hahahaha
    mas adoro nosso papo ;)
    beijo da lu

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Lu, o que me incomoda da pornografia de agora é que, aos meus olhos, com toda a quebra de tabus que a pílula e a tal revolução sexual dos 60/70, ela parece ser ainda mais sexista do que esse exemplo de pornô que vc citou. Sim, a indústria pornô sempre foi machista. E os anos 80 tiveram um detalhe nada irrelevante: o surgimento da AIDS. Por outro lado, a noção de individualismo se espalhou bastante, a “cultura do narcisismo” de que falava Lash parece que se consolidou, e questões como o marketing pessoal — ao qual a ideia de “potência” lhe é íntima —, uso recreativo de drogas para disfunção erétil e mais um bando de outras questões que agora não sei citar, tb vieram somar-se ao quadro, tornando as coisas ainda mais complexas.

    De maneira geral, os movimentos são como o das ondas, com seus avanços e recuos. Além disso, cada geração que surge tem de aprender tudo, embora o ambiente possa ser diferente. O que me desagrada é que gostaria de ver, em algumas esferas, que a utopia do “conhecimento crescente” se desse. Mas não se pode ter tudo, né?

    Tb estou gostando do papo, Lu. E a conversa sobre aprender é séria, e não “cortesia protocolar”, viu?

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Ah, um adendo: quando afirmo considerá-la mais sexista, talvez deva acrescentar “…do que deveria ser, a esta altura do campeonato”. Outra hora conversamos sobre uma conferência do Jurandir Freire Costa, onde ele contava sobre sua surpresa (quase decepção) com os resultados de uma pesquisa qsobre sexualidade que ele fez com jovens universitários classemédia/média-alta. É com essa perspectiva em vista (que, ao que parece, soube fazer parte do seu livro “Sem fraude nem favor - ensaios sobre o amor romântico”) que estou argumentando contigo.

    [Responder]

  2. #2 Catatau
    on Jan 26th, 2009 at 5:40 pm

    O Michael Winterbottom também lançou um filme não-pornográfico com cenas explícitas, talvez seja interessante para essa discussão. Chama-se 9 Songs.

    Por aqui, estamos de volta!

    abração,

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Conheço o filme, Catatau, mas para ser sincero, achei chatinho. (Na verdade, achei o que o diretor pareceu pretender: anticlimático demais! Uma relação boba, de uma chatinha com um cara um pouco mais velho do que ela, mas não menos enfadonho… A trilha sonora é ok, e o ponto que acredito que vc esteja destacando, isto é, a apresentação de um sexo desglamurizado, próximo do cotidiano, a meu ver funcionou bem — e quem foi ver o filme achando que sentiria algum tesão deve ter ficado p da vida, hehehe!)
    Mas dá pano pra manga desta conversa, ao menos como suponho que vc quis dar a entender.
    Abração e benvindo (é assim que se escreve agora? Sabe que não sei e estou com preguiça de procurar?)

    [Responder]

  3. #3 lu
    on Jan 26th, 2009 at 6:31 pm

    ah. com certeza que a pornografia de modo geral é mais sexista do que se esperaria a essa altura do campeonato; e digo mais, a mídia em geral e as representações da mulher em filmes etc etc é bem mais sexista do que se esperaria. o que é bem diferente de dizer que é mais sexista do que já foi…
    bjos

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Dou a mão à palmatória, Lu.
    Mas palmatória das antigas, bem do tempo dos meus avós, e para uso oficial, desprovido de conotação sexual, antes que os meus amigos engraçadinhos ponham as manguinas de fora, hehehe!

    Bjs

    [Responder]

  4. #4 Catatau
    on Jan 26th, 2009 at 6:35 pm

    Poisé, é interessante o que vc disse, pois ao mesmo tempo em que o sexo é “normalzinho”, é sexo mesmo, está tudo lá, explícito sem ser pornográfico.

    Conteúdo “normal”, expressão revolucionária? Muito embora eu soube alguns dias atrás que na Inglaterra já se veiculam reality shows onde tudo parece normal demais, e no mesmo movimento explícito demais.

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Catatau, esse processo de explicitar está em todo canto — cinema, artes plásticas, tevê, literatura. Não considero algo intrinsecamente ruim isso de que se esvazie, através do explícito, um certo desejo de chocar — embora o choque se dê tb ao constatar esse esvaziamento, que às vezes leva consigo algo “que se deseja (que nós desejamos) lá”…

    Sei lá por que pensei em “casca de feijão no dente”, mostrada em público, sem que o dono do dente se incomode… Devo ser conservador, gostaria que me avisassem, hehehe!

    E de associação em associação, lembrei do Buñuel. Qual era mesmo o filme onde os convivas se sentavam em privadas em vez de cadeiras, e de repente pediam para “ir ali”, se fechavam num quarto do tamanho de um banheiro e comiam um prato de comida?

    [Responder]

  5. #5 Roberto
    on Jan 26th, 2009 at 7:36 pm

    O Anjo Exterminador, né, Ricardo?

    [Responder]

  6. #6 Ricardo C.
    on Jan 26th, 2009 at 7:59 pm

    Cliquei no Google “Buñuel privadas” e ele me disse tratar-se de “O Fantasma da Liberdade”, Roberto

    [Responder]

  7. #7 Roberto
    on Jan 26th, 2009 at 8:24 pm

    Não é outro, Ricardo. Na mosca. Memória bruxuleante, por aqui. Abraços!

    [Responder]

  8. #8 lu
    on Jan 26th, 2009 at 8:50 pm

    ok ok, sem piadinhas acerca da palmatória!
    filme não-pornográfico com cenas explícitas, explicitíssimas, é o short bus. e esse é muito, muito bom…

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Vou procurar, depois eu conto o que achei dele, tá?

    [Responder]

  9. #9 Antonio
    on Jan 27th, 2009 at 11:53 am

    Salve

    Acho que vcs dois têm razão, cada qual ao seu modo.

    Se por um lado não há como afirmar que o pornô hoje seja mais machista do que o de antigamente, por outro não vejo como ele possa ser apenas (ênfase neste “apenas”) reflexo ou sintoma do que ocorre na sociedade como um todo.

    Eu poderia começar lembrando que o filme pornô, como de resto qualquer outro filme, é uma representação. É, pois um discurso — e o discurso não apenas representa uma realidade já existente, mas constrói esta realidade no processo de representá-la. Ok, muito do que hoje se vê no pornô é o reflexo de processos sociais mais amplos, como por exemplo o ideal de competência (mais baseado no vigor do que na comunhão afetiva), ou o uso de expedientes mais agressivos, violentos mesmo. Concordo que tais caracteristicas já se encontram presentes na sociedade como um todo, e que de certa forma seria “natural” que se traduzissem também na indústria pornô.

    Mas veja: ao oferecer a tradução em imagens de traços sociais mais genéricos — isto é, ao conferir materialidade a tais traços (competencia e violência, para ficarmos apenas nos dois exemplos que levantei) — não estaria o filme pornô contribuindo para a sua consolidação no que diz respeito especificamente ao sexo? Não estaria ajudando também a criar novos parâmetros, ou uma nova gramática sexual?

    O raciocínio fica mais claro se pensarmos na violência. Ninguém é louco de afirmar que o cinema criou ou cria inteiramente a realidade que pretende representar — um filme como “Violência Gratuita” (”Funny games”, no original; vale a pena) por exemplo, não seria possível no início do século XX. Mas podemos perfeitamente dizer que ele, o cinema, contribui para alterar nossa sensibilidade em relação ao violento, e que, em assim fazendo, contribui para alterar as manifestações de violência. Não é preciso nem entrar na questão do espetáculo — até porque o próprio conceito de espetáculo já foi espetacularizado. Basta reconhecer o paradoxo: que mesmo a denúncia da violência pode acabar incitando-a, quanto mais não seja pela simples sedução que exerce a mímese.

    (Ah, alguém aí falou no filme “9 canções”. Curioso, pq ontem mesmo eu escrevi sobre ele lá no blog.)

    Abração,

    ACT

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Antonio, assino embaixo. E penso que a violência inerente a boa parte dos jogos eletrônicos tb deva ser colocada na conta desse seu exemplo.

    Ainda em relação ao cinema, não especificamente pornô, me ocorreu agora como dois diretores trataram da figura de Cristo em seus filmes — dois filmes que fizeram estardalhaço (dos quais só assisti o primeiro): “A última tentação de Cristo” (1988), do Scorcese, e “A paixão de Cristo” (2004), do Mel Gibson. Scorcese, diretor de tantos filmes de gangsters com fartas doses de violência, centrou a polêmica do seu filme na obra que tomou como base, o livro homônimo do Nikos Kazantzakis, que por sua vez dava um tratamento humano à figura de Cristo (razão pela qual foi excomungado). Já o do Gibson, que apresentaria uma suposta “autenticidade bíblica” — fazendo os atores falarem aramaico e latim, por exemplo —, primou pelas cenas de violência e brutalidade — segundo a maioria das resenhas e os relatos de amigos que viram o filme. A ideia e caprichar no explícito, no maior “realismo” possível, como se a única alternativa fosse apenas “aumentar a dosagem” para sensibilizar uma plateia anestesiada pelo excesso…

    [Responder]

  10. #10 Antonio
    on Jan 27th, 2009 at 3:39 pm

    Acho que meu comentário se perdeu…

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Pronto, Antonio, tava preso na quarentena, é default para o primeiro comentário. A partir de agora, fale o quanto quiser!

    [Responder]

  11. #11 Pax
    on Jan 27th, 2009 at 5:44 pm

    Ôpa, cheguei, mas, como prometido, achei o tal livro lá:

    “A resposta sexual do homem e da mulher”

    Ruth e Edward Brecher

    Editora Cultrix.

    Bem, agora é terminar de arrumar os livros aqui, tô no primeiro terço do serviço. E preciso comprar mais estantes.

    Mas tô vivo, quer dizer, acho que sim. Se eu for um Não-Ser, pode ser que não. Se eu for um Ser, pode ser que sim, ou não, sei lá. Acho que sou um “Devir mutante”.

    Ah, cansei, vou parar com tudo e tomar um gole de café.

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Café? Caramba, eu sabia que andava faltando alguma coisa agora à tarde! :-)

    [Responder]

  12. #12 Pax
    on Jan 27th, 2009 at 5:58 pm

    Ôpa, achei a tal passagem. E preciso corrigir. Aqui está.

    …O antropologista sueco Bengt Danielsson - um dos participantes da viagem do Kon-Tiki, reuniu em seu livro, Love in the South Seas…

    … cita, por exemplo, esta narrativa de um costume nupcial tradicional das Ilhas Marquesas, feita por um antropólogo francês, L.F.Tautain:

    “Ao sinal do noivo, todos os homens presentes reunidos, formando fila, e cada qual por seu turno, passaram diante da noiva, que, deitada a um canto da paepae, com a cabeça nos joelhos do noivo, recebeu-os a todos, como maridos. A procissão era encabeçada pelos homens mais idosos e pelos de extração mais baixa; vinham, a seguir, os grandes chefes e, por fim, o marido. (…) Uma mulher recém-casada, depois disso, ficava, às vezes, semimorta e via-se obrigada a permanecer na cama vários dias.”

    Essa prova de vigor, ajunta Denielsson, não se considerava de maneira alguma degradante nem vergonhosa; pelo contrário, “quanto maior o número de homens que satisfazia, tanto mais orgulhosa se sentia a noiva”

    Missão cumprida. Matei a cobra e mostrei o pau, que dizer, o livro. Algumas correções de pequenos escorregões da minha memória, mas aí está o relato.

    [Responder]

  13. #13 Pax
    on Jan 27th, 2009 at 11:00 pm

    Sugestão de leitura: Kon-Tiki, na Wikipédia. Em especial “Anthropology”.

    [Responder]

  14. #14 Pax
    on Jan 27th, 2009 at 11:02 pm
  15. #15 Pax
    on Jan 27th, 2009 at 11:10 pm

    Acabei de encomendar pela Web, num site que mais parece uma reprodução do “Nunca te vi, sempre te amei”.

    Booknumber: 001865
    DANIELSSON, BENGT - Love in the South Seas

    [Responder]

  16. #16 Pax
    on Jan 28th, 2009 at 12:53 am

    Olha, pra quem gosta e pra quem ainda vai gostar:

    http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142003000300014&script=sci_arttext

    conheço uma das partes e ponho meu aval.

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Muito bacana o artigo, Pax. Tenho alguns amigos antropólogos, mas pouco sei da parte deles a respeito da sexualidade dos povos indígenas brasileiros.

    [Responder]

  17. #17 camilalpav
    on Jan 28th, 2009 at 2:11 am

    Ricardo, não pude perder a oportunidade de vir aqui te dizer: você definitivamente me surpreendeu com seus profundos (com trocadilho, evidentemente) conhecimentos sobre o universo pornográfico! A surpresa só não foi maior do que a provocada pela descoberta de que você também é doente por LOST. Aliás, obrigada pelas dicas de download! Devo ver o segundo episódio no fim-de-semana, vou adorar trocar impressões e teorias com você. Beijo!

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Ué, pensou que por conta daquele post onde eu falava do meu enfado com o blábláblá sobre sexo eu não tinha interesse no tema? Ainda assim, esse conhecimento expressado por aqui é (quase) todo feito do mais puro olhar antropológico, Camila, embora não tão profundo (desta vez sem duplo sentido) quanto deveria…
    Quanto ao Lost, não chego nem perto do seu “grau de adição”, vou logo avisando! ;-)

    [Responder]

  18. #18 Gwyn
    on Jan 28th, 2009 at 5:08 am

    Pax,

    Voce podderia tambem ter usado o Amazon.com.uk para comprar seu livro, olha aqui a relacao que aparece por la do Love in the South Seas:

    http://www.amazon.co.uk/gp/offer-listing/B0000CJCTH/ref=dp_olp_used/278-3717489-9154334?ie=UTF8&qid=1233126262&sr=8-3&condition=used

    Mesmo os usados normalmente sao de excelente qualidade, eu sempre procura la primeiro.

    bjs

    [Responder]

  19. #19 Pax
    on Jan 28th, 2009 at 9:19 am

    Gwyn

    Obrigado pela dica.

    Você leu a entrevista com as antroólogas Carmen Junqueira e Betty Mindlin no artigo acima? É longa mas maravilhosa e vale a pena ler para entendermos que nossas referências culturais são apenas uma entre tantas.
    bjs

    [Responder]

  20. #20 lu
    on Jan 28th, 2009 at 10:21 am

    ah, o q o antônio falou é inteiramente compatível com tudo o que eu disse. “ajudar” e “contribuir” não é criar inteiramente, e se o filme reproduz um discurso que é criado ali tanto quanto em qualquer outro lugar onde é reproduzido, discurso que não é exclusividade dele na sua (re)produção, então se trata de estudar - e criticar, quando for o caso - o discurso e não os filmes. o lance é que os filmes não veiculam um só discurso, único e unívoco dentro de sua categoria (como em: todos os filmes pornôs são…).

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Lu, só um adendo: sua defesa da multiplicidade dos discursos (e das práticas) e do aspecto dialético desses processos tem a minha total concordância, viu? Não há mesmo um discurso único nesse meio, é fato — embora a misoginia e a violência sejam a tônica dominante —, e concordando (outra vez) contigo, tampouco vi o comentário do Antônio como antagônico ao teu.
    Agora vá logo preparar-se pro encontro com seu orientador, menina, em vez de ficar perdendo tempo cá com este blog, hehehe!
    Bjs

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  21. #21 lu
    on Jan 28th, 2009 at 11:24 am

    já foi o encontro, foi ontem… foi ótimo, aliás. mas ele realmente não orienta não. só deu uma força psicológica, do tipo, vai garota, a pesquisa tá boa e continue! hahaha.

    [Responder]

  22. #22 Gwyn
    on Jan 28th, 2009 at 2:33 pm

    Pax,

    Li e adorei a entrevista com as antropologas. Me fez lembrar de uma palestra que participei aonde uma Aborigine da Australia falou sobre o papel da mulher no povo dela.

    Acho fascinante conhecer referencias culturais diferentes da nossa.
    E nao e preciso ler sobre culturas tao diferentes para reconhecermos quao grandes sao essas referencias.

    Trabralho num grupo de pessoas que dois sao Paquistaneses, uma Mexicana, uma Venezuelana, um ingles, uma inglesa ( com pai italiano, mae inglesa e que viveu em Mocambique na infancia e adolescencia) e eu e uma outra brasileira.

    E impressionante como notamos essas diferencas culturais.

    Com os meus amigos muculmanos aprendi a entender,respeitar e principalmente admirar o casamento “arrumado”( e assim que se fala em portuges?) entre eles. Aprendi como eles respeitam e admiram as mulheres que tem ( tanto esposa quanto filhas), diferente do que se le e se ouve falar.

    E um dia antes de ler sobre o dialogo da Lu com o Ricardo e ler o post que ela escreveu conversavamos justamente sobre algumas palavras de conotacao sexual…
    Por exemplo, em ingles “dar” nao tem ( pelo menos que eu tenha conhecimento) conotacao sexual. “Comer” e outro verbo usado de forma diferente quando falado sexualmente em ingles do que falado em portugues.E em Urdu nao tem nenhum sentido sexual.

    Como tambem em Urdu nao existe uma palavra para pedofilo, por exemplo, quando querem falar sobre isso tem que ser quase que “desenhado”…
    Se somente nas palavras ja existe essa diferenca imensa entre culturas…

    Continue escrevendo…estou aprendendo muito com voce, com o Ricardo e com o Roberto, como tambem com os outros participantes….muito interessante e agradavel leitura dos dialogos de voces nessa Agora.

    Ler um pouco da testosterona (como voce falou no outro post) brasileira. Bom para me situar naquele”quem sou e de onde venho” rsrsrsrs…

    bjs

    [Responder]

  23. #23 Pax
    on Jan 28th, 2009 at 5:58 pm

    Gwyn,

    Você tem uma escrita saborosa… escreve mais.

    bjs

    p.s.: e o cheiro daqui melhora também :-)

    [Responder]

  24. #24 Gwyn
    on Jan 30th, 2009 at 2:08 pm

    Pax,

    Agradeco o elogio.

    Faz bem poder saber que ainda tem “sabor” a minha escrita em portugues.

    Duro reconhecer como que, mesmo fazendo um esforco enorme para nao perder essa minha identidade, no final tudo e em vao. Envergonhadamente confesso que, por exemplo para entender o que o Roberto, e mesmo voce, escrevem, preciso ficar recorrendo a um dicionario. So para confirmar se o que eu acho que uma palavra significa seja/esteja realmente correta.

    Alem disso, minha experiencia e referencias sao a minha experiencia de vida. Ja foi o tempo que eu podia me dar o privilegio de estudar e ler inumeros autores para dai tirar a minha referencia.

    Vivo uma outra realidade numa ilha aqui no Hemisferrio norte. E se nao bastasse toda essa distancia, ainda vivo , como disse o Roberto para voce, no meio de plantas e animais…ou seja no meio do mato como diz voce.

    Mas, para nao sair do topico dos indigenas, me contento com a minha escolha ao lembrar o que eu uma vez ouvi de um indio, a muitos..e muitos anos atras ( na minha adolescencia) que vivia numa reserva perto da fazenda de meu pai..

    Disse ele que achava o homem branco muito triste, afinal eles “precisavam” de uma caixinha para poder ter/escutar musica. Ele nao precisava de nada, ele tinha a musica com ele e dentro dele….Ele fazia a musica dele.

    Pois e, por nao poder ter o tempo e a energia, eu faco das minhas experiencias as minhas referencias..

    (Para ilustrar ainda mais esse meu comentario vou pedir para que, se por um acaso perceberem erros na minha forma de escrever, agradeco a correcao dando como exemplo como meus filhos as vezes “escorregam” no portugues deles…
    eles falam …”Vou “brincar”(play) futebol…
    ou entao.. vou “salvar” (save) dinheiro para comprar o que eu quero)

    [Responder]

  25. #25 Pax
    on Jan 30th, 2009 at 3:50 pm

    Ok, se eu perceber alguma escorregada maior, te mando um e-mail. Você que tá pedindo heim!

    Mas continue escrevendo sim, é muito agradável de ler. Pense nisso. Não diria, não era necessário dizer. Disse porque acho.

    bjs

    [Responder]

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