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O lugar que somos

¿Quién soy? Cuestión que otros formulan
pero no tiene respuesta.
Soy mi lengua.
Soy una, dos, diez odas. Son mi lenguaje.
Soy mi lenguaje y cuanto ordenan las palabras:
¡Sé, sé nuestro cuerpo!
Y me empleé en corporizar su timbre.
Soy cuanto dije a las palabras:
Sed el sitio donde mi cuerpo se une a la
….eternidad del desierto.
Sed, así yo me podré convertir en mis palabras.

.

Quem sou? Pergunta que outros fazem
mas não tem resposta.
Sou minha língua.
Sou uma, duas, dez odes. São minha linguagem.
Sou minha linguagem e o que as palavras ordenam:
Sê, sê o nosso corpo!
E me empenhei em corporificar seu timbre.
Sou o quanto disse às palavras:
Sede o lugar onde meu corpo se une à
….eternidade do deserto.
Sede, assim poderei tornar-me minhas palavras.

.

Mahmud Darwish, poeta palestino
“Una rima por las Mu’llaqas”, fragmento.
[El Correo de la UNESCO, 2008, nº 1, p. 7]

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7 Comentários on “O lugar que somos”

  1. #1 Luiz
    on Jul 8th, 2009 at 9:10 am

    Olá, Ricardo.

    A obra do darwish ainda não é, por estas bandas, reconhecida como merece.
    Por que será?
    Temo pela resposta…

    Abraços.

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Não fosse o Correio da Unesco, onde encontrei esse fragmento, Luiz, eu nunca teria sabido sobre ele. E o curioso é um palestino dizer que o seu lugar é a linguagem, que essa é a sua terra. Não esperava.

    Abração

    [Responder]

    Luiz Reply:

    Pois é, Ricardo.
    Eu tinha ouvido falar dele, muito de passagem, lendo algo sobre a política palestina, uns dois anos atrás. Mais como político do que como poeta.
    Quando ele faleceu, ano passado, vi a notícia na imprensa estrangeira, que colocou algum material em inglês.
    Aqui, quase nada.

    Perguntei ao tio Google sobre ele (em português) e achei dois resultados interessantes:
    Um post do Saramago (http://caderno.josesaramago.org/2009/04/01/mahmud-darwish) e uma página de uma organização palestina aqui no brasil (http://www.palestinalivre.org/taxonomy/term/14).

    Abração.

    [Responder]

    Colafina Reply:

    Ricardo,

    Acho que faz sentido, afinal os palestinos não têm propriamente um lugar para chamar de seu.

    Abs

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    Mas de um poeta palestino eu tb poderia imaginar algo diferente, Colafina, pensando na ânsia de poder chamar aquela terra de sua e o desejo de ter o reconhecimento do mundo em relação a isso, tudo falando muito mais alto do que a própria língua. Mas não chegou a me surpreender, pois tb entendo que somos a linguagem.

    Abs

    [Responder]

  2. #2 confetti*
    on Jul 9th, 2009 at 7:32 am

    colafina, acho q vc tem razao ! a terra do poeta é sua linguagem, poeta palestino ainda mais !
    nao conhecia darwish

    ( monsoress !! saudades de vc…pq nao nos vemos mais ? vc me esqueceu ? :((

    [Responder]

    Ricardo C. Reply:

    ( monsoress !! saudades de vc…pq nao nos vemos mais ? vc me esqueceu ? :((

    ( confetti* !! saudades de vc…pq nao nos vemos mais ? vc me esqueceu ? :((

    ;-)

    [Responder]

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