A diferença é mínima, só uma horinha, mas a distância é enorme, especialmente porque… bom, melhor avisar logo que isso é pessoal, e como até o momento este não tem sido propriamente um blog dos mais confessionais, convém evitar a prática da “evasão de privacidade”.
Porém, um pouquinho se faz necessário, nem que seja para dar algumas coordenadas geográficas. Cá estou em Aracaju, completando uma semana na terra, tempo suficiente para descobrir o quanto o NPTO ou o David se sentiriam em casa com o tamanho da torcida que o Flamengo tem na cidade. Por outro lado, ainda não tive a sorte de tomar as esperadas cervejas com o Rafael Galvão, pois o cara é ocupado mesmo, não é preguiça dele não. Em compensação, começo a acumular no panículo adiposo algumas moquecas de camarão, siri e peixe, regados a cerveja, chope, sucos diumtudo e até um belo tinto italiano no almoço de ontem, aproveitando o feriado local. Ah, no domingo passado conheci um ótimo boteco de comida mexicana, o melhor dessa culinária que já encontrei no Brasil — tá certo que é tex-mex demais pro meu gosto, mas o Luís, dono do lugar, garantiu que topa preparar um mole poblano qualquer dia desses, e eu prometo cobrar — e ainda não foi possível encontrar um pacote de bom café em grão com menos de um quilo.
Como são graves os meus problemas.
* * * * *
Diante mão, disse o Júnior num riso encabulado, contando a sua última mancada na língua portuguesa. Júnior é o prestimoso funcionário que me apresentou as instalações da clínica onde fico trabalhando até abril. Seu nome de batismo, que não vou escrever aqui, nem ele sabe de onde o avô tirou. Mas mesmo não achando o nome tão estranho assim — ainda mais se comparado à quantidade de estranhezas que já ouvi e ainda ouvirei —, se Júnior é, Júnior fica. E sim, adorei esse jeito dele escrever “de antemão”. Por conta disso, presenteei-o com a instalação de um corretor ortográfico, desde que me prometesse guardar numa pasta ou arquivo todas as dúvidas que antes lhe passavam batido e só eram descobertas se o seu chefe fosse o destinatário dos e-mails. (Agora mesmo fiquei na dúvida: “presenteei-o” está certo?)
E se de língua falo, é porque trato de resistir como posso ao meu jeito zeliguiano de lidar com ela. Já me flagrei com um certo “cantado” local, que era o que mais temia. Isso porque, ainda no Rio, se por acaso eu falasse ao telefone com alguém da Bahia para cima, era a minha mulher estar por perto e eu ser devida e imediatamente sacaneado por conta da minha irreconhecível cantoria nordestina, mesmo só tendo vivido em cidades da região do dia em que nasci até a tenra idade de um ano. (E aproveito para pedir calma, que não briguem comigo, pois sei bem que há matizes demais nos sotaques da região. É só a falta de saco de especificar cada um dos lugares e das pessoas com quem costumo falar, combinado?) Mas se por um lado preciso mesmo ficar muito atento à prosódia, pelo menos de algumas nuanças tenho certeza de que conseguirei escapar. Do jeito de pronunciar a letra “d”, por exemplo. É quase certo que não direi à minha mulher que a saudadi di você tá grandi dimaiss, e sim que a saudadge dge você tá grandge dgemais…
E aqui cabe um esclarecimento, especialmente aos cariocas da gema. Mesmo depois de 22 anos na Cidade Maravilhosa, nunca deixei escapar um dôich, um nóich ou um vocêich. Meu “s” ao final das palavras segue incólume, e é das coisas de que me orgulho. Se fosse carioca de verdade, é provável que a frase da saudadge terminasse com dgemaaich… Sacolé, cumpadge? Só não sei se deveria dizer assim meichmo ou assim mermo. Essa resposta vou ficar devendo, fica na conta do horário de verão, que por aqui não foi implantado e que acho que me deixou confuso horário.
















on Dec 9th, 2009 at 10:22 pm
Que post delicioso, hehe.
E eu estou indo para o Rio amanhã. Espero ouvir muitos ichs nos finais das palavras. Gosto deles.
Um abraço
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on Dec 9th, 2009 at 10:28 pm
Pois é, Rodrigo, uma pena que não vai dar para tomarmos uns chopes e papear na beira da praia. E o pior é que o mesmo vai acontecer com dois outros blogueiros que eu também queria muito conhecer ao vivo, o Diego Viana e a Fal Azevedo, sniff!
Ainda bem que o virtual tem muita graça, não é?
Abração e boa estada no Rio
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on Dec 10th, 2009 at 7:30 am
Eu acho que vc pode dizer que a saudadge tá grandge demaix merrrrrmo, sacou?
Dizem que a Praia do Mosqueiro e o Mercado Municipal são programas imperdíveis! Depois me diga se é verdade hehehe
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Ricardo C. Reply:
December 12th, 2009 at 10:26 am
Nat, ainda não fui a nenhum dos dois. Tem tempo, aos poucos vou me situando. Quanto ao demaix, não fosse pela Xuxa ter estragado a letra x eu até escreveria assim, mas em protesto, prefiro o ch
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on Dec 10th, 2009 at 9:34 am
ah que delicia de confuso horario !!
o clima local, a world food, o junior, o 16 andar, a clinica, tudo isso ta fazendo um bem pra sua pele rc…tou vendo daqui…
grandes abraços, realize os sonhos
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Ricardo C. Reply:
December 12th, 2009 at 10:27 am
Pra pele até está, mas esse quilo e meio a mais em apenas uma semana não é um bom começo não, c*
Beijos
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Gwyn Reply:
December 12th, 2009 at 6:07 pm
C*, saudades suas mate.
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c* Reply:
December 13th, 2009 at 3:10 pm
mate, I’m missing u too ! hugs !
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on Dec 10th, 2009 at 10:15 pm
Divertidíssimo o post. Esse lance dos sotaques é realmente algo que dá pano pra bastante manga. Nasci no interior de São Paulo e meus ouvidos sempre se feriam com aqueles “r”s de interiôrrrr, tanto é que não tive problemas a me adaptar cá em São Paulo. Mas ainda guardo um êntêndo que não combina com o “intéindo, meo”, dos locais. Ah, uma corzinha diferente sempre dá um toque alegrinho.
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Ricardo C. Reply:
December 12th, 2009 at 10:32 am
Você costumava deixar a porrrta aberrrta, Camila?
De uma maneira geral, gosto de tudo que é sotaque, no sentido de ser curioso em relação ao jeito que se fala em cada lugar. A questão que pega pra mim é se eu incorporar o sotaque. Aí não gosto muito não…
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on Dec 11th, 2009 at 8:49 am
Cara, eu tenho uma teoria: se alguém sair daqui da terrinha em dirteção ao Rio de Janeiro, tanto faz se pelo litoral ou pelo interior, a cada 300 quilômetros, aproximadamente, encontrará um sotaque perfeitamente identificável.
Aliás, desconfio que isso se repita em muitas outras direções…
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Ricardo C. Reply:
December 12th, 2009 at 10:33 am
Não é teoria, Luiz, é certeza absoluta e eu sou o primeiro a concordar com você!
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on Dec 12th, 2009 at 8:03 pm
Esses fusos, confusos, difusos horarios.
Nao demora muito e voce se acostuma
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