Lembro que aos treze eu tinha certeza de que não passaria dos trinta e cinco. E também de ficar chateado ao ouvir que essa quase certeza era um dos mais comuns lugares-comuns vivenciados por nossa espécie, não uma, mas várias vezes ao longo da vida, mudando apenas os anos das quase certas mortes e os endereços dos moribundos.
Cá pra nós, saber-se comum, igual à maioria, a previsibilidade em pessoa, não deve ser propriamente o nirvana, o zênite ou o Sunyata para moleques de treze anos, que só por terem uma idade dessas já devem sentir-se desagradavelmente diferentes de si, não mais meninos e ainda longe de serem homens feitos. Decerto o pior dos mundos: sensações igualmente previsíveis às dos demais, diferenças igualmente semelhantes às dos demais. E nos dois casos, tudo o que se gostaria de ser era justamente o oposto.
Já se passou um bom tempo desde que eu tinha treze. Trinta e cinco anos, por sinal. E um pouco menos tempo desde que aquele querer ser diferente deixou de ter importância, o tipo de querer que de tão central e presente quase define a vida da gente — e não só aos treze. Trata-se de uma diferença tão frequentemente desejada, mas nada fácil de realizar, que por isso mesmo gera uma angústia danada — a angústia pela diferença —, tão intensa quanto o seu reverso, a diferença entre a maioria e os que estão à margem, invisíveis aos demais, angustiados pelo não pertencimento e pelo isolamento resultante — uma angústia da diferença.
Certas idades são boas. A de agora, por exemplo, sem todo aquele desejo ora pela diferença, ora pelo pertencimento, ao menos não com a urgência e centralidade de outros tempos. Gosto disso.
Não tenho mais treze, não morri aos trinta e cinco.
Espere: treze mais trinta e cinco dá quarenta e oito, a idade que fiz hoje. Será que isso quer dizer alguma coisa?

June 3, 2012 at 11:02 am
what do you think about it and my art?thanks p cabala
Pingback: Ricardo Cabral
June 3, 2012 at 4:11 pm
Sí, sí. Isto quer dizer que você já alcançou a maturidade necessária para assumir que quer ganhar parabéns, e para compartilhar da alegria da vida com os seus amigos do canto de cá. Parabéns, então. Que seu domingo seja deliciosamente curtido ao sol. Bom, “ao sol” porque estou a te imaginar em Ipanema, ou Copa, onde eu adoraria estar agora, sentindo uma brisa no rosto e tomando uma cerveja gelada em sua homenagem. Carpe Diem!
Pingback: Camila Pavanelli
Pingback: Fabiano Camilo
June 3, 2012 at 5:56 pm
Grande Cabral, aproveite bem o aniversario!
June 3, 2012 at 6:14 pm
Não foram cervejas, mas chopes, e brindo atrasado por você.
Beijão!
June 3, 2012 at 6:16 pm
Aproveitei bem, meu amigo, tranquilo e feliz, petit comité.
Grande e saudoso abraço
July 3, 2012 at 5:14 am
passei por acaso, na data certa !
rc, abraço apertado, felicidades mon grand
curta essa serenidade, acorde sorrindo…
saudades, muitas
July 3, 2012 at 9:52 pm
@conf*, dia certo, só que um mês depois, hehehe! Beijo grande, querida, saudoso, torcendo que tudo esteja ótimo para você em todos os sentidos, níveis, relações etc. Dê notícias!
July 8, 2012 at 7:54 pm
Olá Ricardo,
É sempre bom ler você mas hoje, a sua obsevação precisa mas macia da adolescencia me enterneceu. Tá bem bonito. Eu, muito mais velha que você acreditava que não ia virar o século. Hoje me pergunto se vou virar a década.
Ricardo C. Reply:
July 8th, 2012 at 8:29 pm
Uma visita sua é sempre um privilégio, @Marli, pena que a casa ande tão abandonada, nada de novo tem mais de um mês. Mas me comprazo com essa falta de prazo para as coisas, com o ritmo ditado pelo vagar devagar daquilo que dá gosto, um bom contraste com o frenesi que virou regra acolá e aqui, mas não em nós, não é?
Um beijo enorme para ti
July 8, 2012 at 7:57 pm
e, claro parabéns, muitos anos de vida, felicidades, sonhos realizados, alegrias infinitas, risadas escrachadas… desculpe o atraso.
September 8, 2012 at 3:36 pm
E eu, três meses depois, ainda vale? Justo eu, que há pouco tempo quase infartava se não navegasse diariamente, de segunda a segunda, e que até há duas semanas estava ligando o micro 1 ou 2 vezes por semana, e olha lá, e que agora ligo diariamente mas só no FB prá ter notícias da filha que está do outro lado do mundo?
Grande abraço, vida longa e feliz!