Por ocasião da 32ª Mostra Internacional de Cinema, Wim Wenders, convidado de honra da encontro algo sobre o seu último filme (mal recebido pela crítica no penúltimo festival de Cannes) deu uma entrevista, onde disse:
Numa das cenas mais curiosas de ‘Palermo Shooting’, que conta a história de um fotógrafo em crise, Finn (o roqueiro alemão [...]
Posts under ‘cinema’
Um escuro onde a gente vê
Ouvindo O cinema
A obra do cineasta Andrei Tarkovski (Андре́й Арсе́ньевич Тарко́вский) foi uma das que mais impactou as minhas retinas, desde o dia em que comecei a me interessar por cinema para além de simplesmente “assistir filmes”**…
Friso: suas películas não se deixam ver tão facilmente. Doação, sacrifício — “sacro ofício”, e também Offret (1986), título do seu [...]
No que me diz respeito, um bom início
Dei a largada para um 2009 mais literário e bem mais cinematográfico. Desde o dia primeiro, já saíram da mesa de cabeceira e finalmente se acomodaram na estante o (enfim terminado!) “De verdade”, último romance de Sándor Márai — o mesmo autor de “As brasas“, o que mais gostei dos que li dele —, e [...]
De idades, gêneros, filmes e livros (sem falar em blogueiros)
Acabei de assistir Elegy (Fatal), de Isabel Coixet (1962), versão cinematográfica do livro “O Animal Agonizante” (“The Dying Animal”), de Philip Roth. Queria fala um pouco sobre ele, mas a garrafa de um simpático Côtes du Rhone, neste primeiro dia de 2009, cismou de embaralhar não só as minhas idéias, mas também o teclado deste [...]
Entre o inferno e o profundo mar azul
O título do post alude ao filme “Between th Devil and the Deep Blue Sea” (1995), da diretora Marion Hänsel. Será uma referência ao inferno natalino comentado dois posts abaixo? Que seja. Mas de associação em associação, retomei uns fiapos de memória embolando cinema, música e literatura, combinação-clichê das que fazem um bem danado à [...]
Acerto de contas com “Casanova”, de Fellini
[Encontrei este desenho aqui]
Sim, vi tudo o que pude de Fellini. Mas assumo que do supracitado filme guardo apenas três cenas, e só salvo a primeira:
1) o famoso recurso do “mar de celofane”, que a maioria costuma associar a E la Nave Va (1983) — mas que vi primeiro em Amarcord (1973).
Tudo bem que a [...]
Por volta da meia-noite
Mal lembro do filme, apesar da simpatia que tenho pelo diretor Bertrand Tavernier.
Mal lembro do Dexter Gordon no papel do saxofonista Dale Turner, uma mistura de Charlie Parker, Miles Davis e Chet Baker, mesmo sabendo que concorreu ao Oscar em seu primeiro papel como ator profissional.
Mal lembro do ano de 1986, quando o filme estreou, [...]
Reminiscências [2]
O filme Erêndira, do Ruy Guerra, num cinema na Costa Rica, visto por Martine, 28, belga, linda, num sábado à noite, nó máximo umas quinze pessoas na sala. Numa cena, os personagens falam algumas frases em flamengo. Nem era importante entender o que diziam, bastava ver a cena. E no entanto Martine entendeu, sorriu feliz, [...]
O Livro de Cabeceira (The Pillow Book)
Uma sinopse do filme que considero, se não o melhor, um dos melhores do Peter Greenaway, realizado em 1995, que ponho aqui para aqueles que nem idéia têm, não sem antes me deliciar pela milionésima vez com a beleza da Vivian Wu na foto acima:
Em 1970, em Kyoto, um calígrafo grafa delicadamente na face da [...]
Paisagem na neblina, uma única cena
Dois irmãos, Voula e Alexander, em busca do pai que nunca conheceram, numa Grécia seca, abandonada, cinza, suja, e por isso densa, misteriosa, poética.
Vou à (minha) imagem.
Câmera estática, acostamento de uma estrada vazia, reta sem fim. Pela esquerda um caminhão encosta e para na (nossa) frente, uns dez metros. O motorista salta, puxando Voula pelo [...]
Obrigado, Nastassja
Está escrito em Êxodo 20, 4-5:
“Não farás para ti ídolos, nem figura alguma do que existe em cima, nos céus, nem embaixo, na terra, nem do que existe nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante deles, nem lhes prestarás culto, pois eu sou o Senhor teu Deus, um Deus ciumento. [...]
A Balada de Narayama, uma cena (em dois tempos)
[Primeiro uma sinopse encontrada — e encurtada — por aí, pra relembrar. Depois, uma cena do filme.] Japão, fim do século XIX, um pequeno vilarejo aos pés do monte Narayama. Ao completar 70 anos de idade, seus moradores deveriam subir ao topo do monte, levados por seus primogênitos e, como elefantes velhos, esperar pela [...]
“A Prova” (Proof), um único fragmento
Martin, fotógrafo, cego de nascença, relembra uma cena de sua infância, sentado junto à mãe, ambos frente a uma janela que dá para um jardim.
A mãe de Martin, como de hábito, descreve ao filho o que vê. Fala do jardim, das folhas, do jardineiro que lá está. A certa altura, o filho diz que não [...]
“Ninguém se separa. As pessoas se abandonam.”
Já faz algumas semanas que assisti ao filme O Passado, do Héctor Babenco, e me lembrei sobre ter pensado em algo quando vi o filme, umas poucas impressões que pretendi deixar por aqui também. Mas os dias foram se sucedendo, o trabalho sufocando, e, com o perdão do trocadilho, passou. Então aproveito e resgato agora [...]
Por onde andará David Bennent?
Essa criança da foto ao lado chama-se Oskar Matzerath, personagem principal do filme O Tambor (1979), de Volker Schlöendorff, baseado no romance homônimo de Günter Grass, e adaptado pelo diretor, pelo autor e por Jean-Claude Carrière, brilhante roteirista e muito conhecido por seus trabalhos com Luis Buñuel.
Oskar, no seu terceiro aniversário, decide parar de crescer. [...]
Tarkovski, Kieslowski e um pouco de Véronique
É certo, quase transparente, que alguns diretores e seus filmes impregnaram-me a alma, existam almas ou não. E dois deles, Krzysztof Kieslowski e Andrei Tarkovski, tocam-me nervos bem profundos, chegam ao diafragma, ali onde os gregos acreditavam ser a sede das faculdades mentais, afetos incluídos. (Atiraram no que viram, acertaram no que não viram, os [...]
Sobre filmes necessários e perturbadores
Fala-se de guerras boas, batalhas justas, combates legítimos. Não adianta, muitos como eu não os toleram.Vejo o que ocorre nas guerras como a encarnação do que temos de pior, e ainda por cima, justificadas sob pretexto de lutar contra o que há de pior… Curioso, é sempre o pior nos outros, nunca em nós mesmos.
É [...]
Falando com Eiko Matsuda, sem ela me ouvir
Estimada senhora Matsuda,
Ou, quem sabe, senhorita Matsuda? Ignorar como devo tratá-la força-me a pedir-lhe desculpas — as primeiras desta carta —, e se eu seguir nesta toada não farei outra coisa. Sendo assim, quero dizer logo que tomarei certas liberdades, na expectativa de um grande perdão final de sua parte — ou sua indignação e [...]



