[Republico mais um texto antigo, por pura falta do que dizer misturada com preguiça.]
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“Trem parador com destino a Deodoro. Próxima estação, Engenho de Dentro”. Queria mesmo é que esse anúncio fosse com a voz daquela moça já não tão moça do aeroporto, como é mesmo o nome?, ah, da Íris Lettieri, e todos os pêlos [...]
Posts under ‘literatices e escrivinhações’
Koan
Ioga
[Republico um texto antigo, por pura falta do que dizer.]
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Foi logo depois que a van encostou à direita do meu carro naquele inferno de engarrafamento e o cara falou alguma coisa que eu não gostei porque ele olhou de cara feia e olha que o cara já era bem feio e por isso mandei ele [...]
Amigo [versão completa]
[Arte: Sizenando, um presente e tanto!]
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Além de laço de cadarço, só conhecia nó cego. Foram quatro, um para cada mão e pé, todos bem firmes na cadeira. Deu tremedeira, puro cagaço de algo sair errado, e resolveu checar. Todos corados, ufa!, bom não ter que afrouxar. E a mordaça?, a respiração vai bem? Parece que [...]
Amigo [4]
[A primeira parte está aqui; a segunda é esta, e a terceira está aqui.]
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— Voltei pra tua terra outra vez. Vi a Leila, outra vez. … Ouvi a versão dela. A única, pois de você, zero. Eu lá, cheio de saudade, feliz da vida, doido pra saber de todo mundo, e ela me solta, do [...]
Amigo [3]
[A primeira parte é esta daqui e esta é a segunda.]
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Botou as mãos na altura dos rins e levantou a cabeça, olhos fechados, alongando o máximo que podia. Não demorou a perceber o sadismo do gesto, o outro lá, horas na mesma posição.
— Vou afrouxar um pouco as tuas mãos, mas não tenta fazer nada [...]
Amigo [2]
[A primeira parte é esta daqui.]
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— Calma, não se assuste — frase idiota, porém eficaz, pelo menos por encerrar os gemidos e diminuir os inúteis esforços do preso para soltar-se daquela cadeira; e, por outro lado, para que começasse logo a entender que merda era aquela. — Não fique tentando sair, você só vai é [...]
Amigo [1]
Além de laço de cadarço, só conhecia nó cego. Foram quatro, um para cada mão e pé, todos bem firmes na cadeira. Deu tremedeira, puro cagaço de algo sair errado, e resolveu checar. Todos corados, ufa!, bom não ter que afrouxar. E a mordaça?, a respiração vai bem? Parece que sim. Pingou uma gota de [...]
Meditação
Na estante da livraria, o último exemplar. Sem um daqueles sensores ao toque das piscinas olímpicas ou mesmo um juiz de photo finish, impossível saber quem pegou o livro primeiro. Não fez diferença. Deu-lhe uma gravata de porteiro, seguida de um koshi-guruma. Uma vez no chão, aplicou-lhe um juji-gatame, até que pedisse arrego. Levantou-se, ajeitou [...]
Yo no creo en brujas…
Olhando algumas fotos, lembrei deste fato, ocorrido no ano de 2006.
Terminara de montar o quebra-cabeças das fotos abaixo,
com o auxílio luxuoso do meu cunhado e da minha irmã,
e pitacos da minha mãe e de minha mulher.
Mas as coisas não correram como pretendia.
Eis que, para minha surpresa, dois dias depois de mais um aniversário do 11 [...]
A queda, a fratura e o gesso [3]
……..— Jair, teu primo Orestes mandou uma piada com cópia pra mim…
……..— Eu tinha visto o seu nome nos destinatários desse e-mail, Célia, e juro que torci muito para que você passasse batida por ele… Me desculpe pelo Orestes, meu amor. Ele é um traste machista, eu sei, e além disso, sabe muito bem [...]
Chat
Li o teu perfil.
Era curto, irônico, e eu sou um curioso da porra.
Não deu nem dez segundos e vi você online.
Arrisquei, te chamei prum papo, o pior que podia acontecer era você recusar.
Mas não, você topou.
Fiz o ar mais blasê que eu conhecia para que não visse meu coração na boca, queria pelo menos uns [...]
Forma
Dois anos de namoro.
Casaram.
“Quem casa quer casa”. Arrumaram uma, encheram com móveis de pai e mãe, avós e padrinhos.
Tudo “amorzinho, te adoro”, limpinho, lindinho, combinandinho, tirando uma mania ou outra, das que pedem tesoura. Dele, a de começar o dia com um sanduíche de queijo prato, frio, no pão-de-forma.
Invariavelmente.
Nada demais, não fosse o jeito de [...]
Nota (de rodapé) sobre a tristeza
Quando vejo esse constante movimento de “busca da felicidade”, onde a tristeza é tida como “algo a ser exterminado“, eu a defendo, com unhas e dentes.
Mas se (ou quando) você perceber que dá um tesão danado ficar enroscado nela, esteja certo que é hora de dizer-lhe:
“Menos, mocinha, menos!“
Sem título (início da 4a. parte)
[Para quem não conhece, aqui vão os links para a parte 1, parte 2 e parte 3]
IV
Chega, Pedro, chega. Cansei. Não quero mais os teus silêncios, nem os meus. Fique com eles, fique com a sua autopiedade, trepe à vontade com ela, só não peça que eu assista. E ficar me olhando assim, com esse [...]
Remédio
Depressão, das brabas. E mandona, ainda por cima. Só queria saber de ouvir Elis, e cantando “Atrás da Porta”. Atendendo às exigências da megera, Mauro encontrou uma versão em vídeo. Pôs o som no dez, deitou a cabeça sobre a escrivaninha e esperou o cutelo daquela voz cortar-lhe o fiapo de vida.
[Pausa para ver o [...]
Sinistroses e canhotismos
Sim sou canhoto. Sinistro, se quiser. E a terceira acepção do dicionário Aulete avisa que também se trata de uma forma jocosa de chamar alguém “de esquerda; que tem idéias ou tendências socialistas, ou comunistas”. Que seja. Fato é que o mundo em que vivo não foi feito para facilitar a vida dos canhotos (nem [...]
A queda, a fratura e o gesso [2]
Quinta-feira, 23 de outubro, por volta do meio-dia. Jair e Célia à mesa, onze meses depois. Dona Semírames na cozinha, passando um café.
— Célia, precisamos conversar.
— Que foi, Jair?
— Primeiro, quero te dizer que é sério. Muito. Segundo, que você vai ter que ser forte. Muito. Terceiro, que com os oito telefonemas que dei agora [...]
Gigante vermelha
Abriu os olhos devagar, recolhendo as pálpebras numa delicadeza só. Quase um gato angorá, só faltava ronronar. E o jeito de se espreguiçar? Pareceu coisa de método Stanislavski, ou exercício de terapia corporal, nunca fizera nada parecido. A vida toda pulara da cama, de supetão, na pressa de pagar uma dívida com o mundo, como [...]
Reclamação
Quando vi a sua filha, adorei o contraste. Juntar os meus panos de bunda com uma depressiva-reflexiva, cética até a medula e ainda por cima meio grossa, dessas que não levam desaforo pra casa, foi tudo o que as minhas manias sempre pediram a Deus. Mas a senhora me trapaceou. Validade só de um mês [...]
Perversão
Um pacto bem simples: a verdade, sempre, não importa qual.
Ligou para Lúcia, amiga de infância de sua mulher. Preciso conversar com você, pode ser às sete?, te apanho no trabalho. Nem esperou o primeiro chope. Atacou sem dó, bate-estaca, até ver suas defesas no chão, junto ao sutiã, meu Deus, o que foi que a [...]
Sinais
Lista de convidados escandalosamente intelectualizada, invejada e invejosa.
Black-tie impecável, que esperava usar mais vezes, torcendo para não engordar muito nos próximos anos.
Esposa elegante, despida de arrogância e botox, companheira até nos avessos da vida… e porque não agora, na riqueza, saboreando junto ao marido aquele galardão que os seus pares resolveram lhe outorgar? Tivesse ele [...]
Compro memória
Preciso de algumas doses.
Troco por alguma ansiedade, pitadas de desânimo e muita dispersão, que andam sobrando por aqui.
Observação: este post tem um propósito meramente catártico, desejado e bem-vindo. Broncas, puxões de orelha e assemelhados anulam esse resultado…
Raílda
— Raílda?
O sorriso disse que era. E se poucos conhecem esse nome, ele não fazia parte do grupo. Aquela foi a sua primeira pronúncia, acento reforçado no i, no estacionamento do Pavilhão de São Cristóvão, ao lado do Adegão Português.
Chamavam-no Junior. Junior por conta do Neodímio, que detestava. Quem começou essa sina fora o seu [...]
Sem título (3a. parte)
[Para quem não leu ou não lembra mais, a primeira parte está aqui, e a segunda aqui]
III
Acontecimentos demais em tão pouco tempo, numa velocidade ainda maior do que a da taquicardia que volta e meia dava em mim. Taquicardia e pressa, envelopando o sujeito essencialmente urbano que sou, alimentado à base de leite, vitaminas, cerveja [...]
Sem título (2a. parte)
[Para quem não leu, a primeira parte está aqui]
II
Pedro, ligaram da clínica. O seu tio Carlos recebeu alta, o psiquiatra pediu que você fosse buscá-lo. Disse que quer dar orientações sobre os remédios a algum dos familiares. O bilhete da Zezé, a empregada da vida toda, estava no aparador ao lado da porta, impossível que [...]



