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Posts under ‘(re)flexões’

Algumas razões

Há algo de geracional no que tenho a dizer. Geracional, posto que os meus coetâneos e contemporâneos costumam ser bem mais discretos a respeito de suas vidas do que as gerações mais novas — desde que não sejam contemporâneos do meio artístico, é claro. Mas além de geracional, é também ligado à minha formação profissional [...]

Um brinde ao tempo

Uma foto — ruim, é verdade — que mostra uma cena comum: a comemoração de um aniversário. Vê-se uma mesa com um bolo de chocolate ao centro, e cinco membros de uma mesma família sentados ao seu redor, com seus copos levantados (um deles está à direita, só se vê o seu braço). Eu disse [...]

Um escuro onde a gente vê

Por ocasião da 32ª Mostra Internacional de Cinema, Wim Wenders, convidado de honra da  encontro algo sobre o seu último filme (mal recebido pela crítica no penúltimo festival de Cannes) deu uma entrevista, onde disse:
Numa das cenas mais curiosas de ‘Palermo Shooting’, que conta a história de um fotógrafo em crise, Finn (o roqueiro alemão [...]

Sem dúvida nenhuma

Anos atrás, tive a oportunidade de acompanhar de perto o caso de um paciente que foi submetido a um transplante de coração e que acabou falecendo dois meses depois da cirurgia — por complicações que pouco importam para o que gostaria de discutir. Recordo que a cirurgia ocorreu não muitas horas depois de se ter [...]

O Caio através do Idelber, o Milton junto. (E eu lá atrás, tentando acompanhar.)

Atendendo ao chamado do Idelber para discutir o conto Aqueles dois, do Caio Fernando de Abreu, o Milton Ribeiro, meu vizinho de condomínio e craque nas letras e na música, não se fez de rogado: mandou ver nas suas impressões sobre a história de Saul e Raul.
Passo longe da falsa modéstia, e bem perto da [...]

Propagandas pela metade, equívocos inteiros e… a técnica, de que somos reféns

Encontrei esse cartão num restaurante de comida à quilo.1 Sua “frente” corresponde à primeira imagem (a maior), e o verso é o vermelho com letras brancas. Como sei? Ora, porque era assim que a pilha de cartões estava organizada, só por isso. E à primeira vista supus, equivocadamente, que se tratava da propaganda de alguma [...]

Tudo é dança, Pina diz. Tudo diz, danço eu.

Cada um com seus temas-fetiche. Tenho cá os meus, a comunicação entre eles.
Vê lá, não se trata só de dizer. Vale é o genuíno querer comun-icar-se — do latim communicare (tornar comum, partilhar, dividir), diz o Aurélio —, empenhar-se em se fazer entender, e sobretudo estar aberto à interlocução — assunto recorrente deste blog, mesmo [...]

Colcha de (pensamentos-)retalh(ad)os, numa terça à tarde

Declarem estado de peste. Fechem a cidade.
Encerram-se também as portas do primeiro capítulo de “A Peste“, de Albert Camus. E, por fim, a (batida) semelhança com “Ensaio sobre a cegueira“, do Saramago, deixa de zumbir em meus ouvidos.
[Quem zumbe é o livro de Saramago, escrito bem depois de "A Peste". São décadas separando os dois, [...]

Organicismo, diferente de determinismo

Ciclo neste mundo é o que não falta. Das estações, circadiano, de Krebs, menstrual… A lista é imensa, sem falar nos ciclos mais pessoais — caso da minha barba, que só viceja no inverno, já que num verão saariano como este que assola o Rio de Janeiro é impossível cultivar pelos no rosto e ao [...]

Desconfortos

É carnaval. E ontem, enquanto voltava para casa pelas ruas do Centro do Rio, depois de (quase) divertir-me no bloco Cordão do Boi Tatá, foi impossível deixar de notar o forte e onipresente cheiro de urina das ruas da cidade, vários graus acima do… forte e onipresente cheiro de urina das ruas da cidade. Aliás, [...]

Ouvindo O cinema

A obra do cineasta Andrei Tarkovski (Андре́й Арсе́ньевич Тарко́вский) foi uma das que mais impactou as minhas retinas, desde o dia em que comecei a me interessar por cinema para além de simplesmente “assistir filmes”**…
Friso: suas películas não se deixam ver tão facilmente. Doação, sacrifício — “sacro ofício”, e também Offret (1986), título do seu [...]

Para além do meu campo semântico

[Quino, La Buna Mesa]
E não ria, nem se iluda: é também para além do seu. Pois assim como eu, você também só avalia o mundo com as medidas e as (parcas) ferramentas que costuma usar.
Mas, se serve de consolo, às vezes dá para mudarmos o recheio…

Latitude 22°52′43.34″S, Longitude 43°15′3.16″O

Um calor imenso. E na hora em que o ônibus aproximou-se de lá, a passageira ao meu lado, até então conversando animadamente sobre o clima, olhou para os lados e baixou o tom de voz, como se precisasse medir as palavras, refreando qualquer demonstração mais explícita de contentamento. De medo tampouco, ao menos não em [...]

Nota (mais do que) de rodapé sobre o sem-sentido, a angústia e as religiões

O Pedro Doria postou um curto vídeo do Richard Feynman, e deixei um comentário por lá. Como a discussão naquelas bandas encaminhou-se para a questão do Feynman ter participado da criação da bomba atômica, o povo agora está discutindo a II Guerra Mundial, assunto que não me interessa no momento. Dai resolvi trazer o comentário [...]

“Baseado em fatos reais”

CENA 1
Jantar “multinacional”, ocorrido no Rio de Janeiro. Digamos que fossem quatro casais: um de brasileiros, um de noruegueses, um de ingleses e um casal “binacional” — ele da Noruega, ela dos EUA. A conversa passeia por vários temas, concentrando-se agora nos acidentes de trânsito, especificamente sobre o inexistente respeito a quem atravessa na faixa [...]

Nota (de rodapé) sobre a tristeza

Quando vejo esse constante movimento de “busca da felicidade”, onde a tristeza é tida como “algo a ser exterminado“, eu a defendo, com unhas e dentes.
Mas se (ou quando) você perceber que dá um tesão danado ficar enroscado nela, esteja certo que é hora de dizer-lhe:
“Menos, mocinha, menos!“

Intervenções

“Knitta, Please! surgiu há quase dois anos. No começo era um movimento limitado e pouco definido, mas evoluiu até o âmbito da street art e logo nos tornamos um grupo de graffiti knit. Nossas criações combinavam a natureza masculina e ilegal do graffiti com a cadência feminina própria do exercício de tricotar. Somos um grupo [...]

Comentários (alheios) sobre ciência e ateísmo

Um raciocínio interessante, proferido por um amigo virtual, Alexis Kauffmann. O post onde apresenta esse raciocínio dirige-se sobretudo àqueles que andam usando o (e abusando do) discurso científico para validar seu ateísmo. (Aliás, pregação religiosa ou pregação ateísta são chatíssimas…) Embora eu questione a afirmação de que o ateísmo seria “… uma religião como outra [...]

Chame o Foucault [2]

Ainda na entrevista a Foucault,
“No decorrer dos séculos que se seguiram à Antiguidade, a amizade se constituiu em uma relação social muito importante: uma relação social no interior da qual os indivíduos dispõem de uma certa liberdade, de uma certa forma de escolha (limitada, claramente), que lhes permitia também viver relações afetivas muito intensas. A [...]

Chame o Foucault [1]

Este post relaciona-se (em parte) ao anterior, não sem dialogar com outros, em particular com o que trata do tema das relações de amizade. Ainda não sei bem o que tenho a dizer, pois pouco dá para falar quando a palavra está com Foucault, como é o caso da entrevista intitulada “Sexo, poder e a [...]

Cidade partida? Ué, já não estava? Rescaldo da eleição de ontem, cá no Rio de Janeiro

Segunda-feira, 27 de outubro de 2008. Aconteceu o que previa, mas não o que desejava. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes elegeu-se prefeito, vencendo o candidato Fernado Gabeira por uma diferença de 55.225 votos — num universo de 4.579.365 eleitores. Houve 927.250 abstenções, 222.796 votos nulos e 92.154 votos em branco. Ou seja, somados, esses [...]

Impasses

Recortes do artigo “Por uma Ética e uma Política da Amizade“, de Francisco Ortega (IMS-UERJ):
Na atualidade estamos dominados pela crença de que a proximidade constitui um valor moral, o que nos leva a desenvolver nossa individualidade na proximidade dos outros. A ideologia da intimidade transforma todas as categorias políticas em psicológicas e mede a autenticidade [...]

Eu opino, tu opinas, ele opina

Há (mais) uma polêmica acontecendo por aí. Trata-se de um texto (agora) ficcional do Henrique Goldman, colunista da Revista Trip, intitulado “Carta aberta para Luisa”. Diz a revista, logo abaixo desse título, que na carta
Nosso colunista pede desculpas públicas à empregada da família com quem transou, contra a vontade dela, quando tinha 14 anos.
Em outras [...]

Uma exceção a minha regra

Assisti há pouco ao primeiro debate (do segundo turno) entre Fernando Gabeira e Eduardo Paes, candidatos ao cargo de  prefeito do Rio de Janeiro. Ambos se mostraram bem mais cordiais — no sentido de “amistosos”, “afáveis” — do que esperava. Reputo parte do crédito ao próprio estilo com que o Gabeira se posiciona, mas acredito [...]

Opção, imposição, orientação: apenas um reparo

Reli uma velha crônica do Contardo Calligaris (sobre filme que não vi), e resolvi colocá-la cá embaixo.
Dificilmente copio e colo um texto alheio sem pelo menos fazer um comentariozinho qualquer. Então tá, lá vai o comentariozinho qualquer… não, melhor ponho ao final desse texto do Calligaris, sujeito que escreve coisas que eu bem que gostaria [...]

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