[Atualizando]
Em quase treze anos, nunca vi cair.
Devo ter sorte.
P.S. Faz um mês que não vejo não ver cair. Ô falta!
Prolegômenos, (re)flexões e nadas, de todo tipo.
[Atualizando]
Em quase treze anos, nunca vi cair.
Devo ter sorte.
P.S. Faz um mês que não vejo não ver cair. Ô falta!
Que envelheci, não me resta dúvida. Sou de um tempo em que, nos filmes, fosse o mocinho — que no último minuto sempre se safava — ou o bandido, o pior dos temores e o maior dos castigos era cair na areia movediça .
O que não mudou muito com a idade é o fato dos [...]
O sujeito da foto aí ao lado é Arturo Toscanini. Gosto dele, mais ainda por se chamar Arturo, nome de um velho amigo mexicano que, como o Toscanini, calhou de ser regente de orquestra, pena que longe da fama do seu homônimo, mas pelo menos é meu amigo enquanto o outro não é e [...]
Desconfio de todo aquele que alardeia a solidez de suas convicções.
Quando escrevi essa frase pela primeira vez, sua mensagem pareceu-me clara, embora as palavras escolhidas lhe dessem um não sei o quê entre solene, marcial e cafona, e talvez um outro tanto de arrogante. E se explicito algumas das impressões que tenho sobre a forma [...]
Ansiosa. Ardente. Bela. Boa. [Beijo-te!] Carente. Cartesiana. Confusa. Dinâmica. Discreta. Educada. Espevitada. Forte. Frágil. Generosa. Gentil. Honrada. Inconstante. Insegura. Insistente. Íntegra. Irrequieta. Juvenil. Kierkegaardiana. Lógica. Louca. Madura. Moderna. Nobre. Otimista. Poliânica. Prática. Prestativa. Querida. Questionadora. Repetitiva. Romântica. [R.] Sábia. Solidária. Teimosa. Terna. Última. Única. Vaidosa. Valorosa. Wagneriana (pero no mucho). Xodó. Yin e Yang (2/3 [...]
O filme Erêndira, do Ruy Guerra, num cinema na Costa Rica, visto por Martine, 28, belga, linda, num sábado à noite, nó máximo umas quinze pessoas na sala. Numa cena, os personagens falam algumas frases em flamengo. Nem era importante entender o que diziam, bastava ver a cena. E no entanto Martine entendeu, sorriu feliz, [...]
[Do cartunista Quino]
“No one rises so high as he who knows not whither he is going.”
Oliver Cromwell
Essa frase já rodou muito “lá em casa”, no andar em que o meu cérebro habita. Fiquei pensando nela, e no fato de já ter gostado de lugares altos, e do frio na barriga gerado por eles, pelo receio de não [...]
… ou pro dia nascer (crescer e continuar) feliz. Sacrilégio, reconheço. Qualquer profundo conhecedor de café faria sérias ressalvas ao processo apresentado nesse pequeno vídeo, a começar por não se tratar de uma máquina de expresso realmente profissional — ou espresso, vá lá, isso se você for um desses puristas meio esnobes… E [...]
[História ouvida nos anos 80, sobre fatos dos anos 60, a respeito de alguém de quem não tenho notícias há séculos.]
A agitação psicomotora diminuíra, e começava a se entediar daquela temporada de internação, a segunda do ano. O tédio só não se instaurara de todo porque havia algo que não lhe saía da cabeça. Resolveu [...]
Assim, de soslaio — gosto dessa palavra; esguelha também serve —, contava eu pro Oswaldo, recente amigo, do meu constrangimento ao falar de poesia. Tenho uma (agora não mais) secreta impressão de que dela a gente aprende a gostar de pequeno, porque de burro velho é pra lá de difícil. (Sequer aprofundo a questão; é [...]
Dispensem a década; já faz tempo. O ocorrido deu-se na Colônia Juliano Moreira, Jacarepaguá, um dos três grandes depósitos humanos por lá construídos para afastar dos olhos aqueles que incomodavam, por “diferentes”, no tempo em que Jacarepaguá era longe.
Havia então vários internos que, estando lá há tanto tempo que não se concebia o lugar sem [...]
Fiquei ao mesmo comovido e constrangido com a confissão que o Luís Fernando Veríssimo fez em uma de suas (ainda não tão) velhas crônicas*. Ele disse, com todas as letras, que pertencia à geração que nunca se recuperou da morte da mãe do Bambi. Não satisfeito, ainda acrescentou que dessa trágica experiência — criada pelo [...]
Doutor
Acredite
Eu gosto é de celulite!
Doutor
Acredite
Detesto mulher cabide!
Doutor
Acredite
Eu gosto de ver rebolar
Doutor
Eu gosto
De carne para apertar.
Antiga marchinha de carnaval, o ano eu desconheço, cantada por um tio meu, declarando o seu amor pelo gênero feminino, sem distinção de cor, raça, credo, idade ou peso…
Do que me contaram, diz-se que em Bizâncio o povo vivia a bater boca sobre, por exemplo, quantas almas podiam se equilibrar na cabeça de um alfinete. E lá em casa, se por um lado o nível das discussões não era tão elevado, por outro, a inutilidade dos temas era de uma bizantinice só. Feita [...]