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	<title>Agora com dazibao no meio</title>
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	<description>Um blog d'O Pensador Selvagem &#124; in moto perpetuo, produzindo inconscientes</description>
	<pubDate>Mon, 15 Mar 2010 02:21:01 +0000</pubDate>
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		<title>Comida, mas o prisma é outro</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 15:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo C.</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Ainda pagãos]]></category>

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		<description><![CDATA[Décadas atrás — na internet, passadas algumas semanas de qualquer notícia/post/mimimi, essa é a medida temporal que fica —, olhando os feeds de alguns blogs, vi que dois deles tratavam do mesmo assunto, embora por perspectivas diferentes: a comida. Achei até que fosse um sinal, a senha para desencavar um post inacabado e quase mofado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Décadas atrás — na internet, passadas algumas semanas de qualquer notícia/post/mimimi, essa é a medida temporal que fica —, olhando os <em>feeds</em> de alguns blogs, vi que dois deles tratavam do mesmo assunto, embora por perspectivas diferentes: a <strong>comida</strong>. Achei até que fosse um sinal, a senha para desencavar um post inacabado e quase mofado dos meus rascunhos, mas que merecia melhor destino. Mas se não sabe, digo a você como são as coisas na cabeça deste blogueiro agnóstico: o costume de delongar e de não dar trela a supostos &#8220;sinais do além&#8221; é regra corrente.</p>
<p>Mas o assunto não tem culpa de nada, e os tais dois posts de tempos atrás já constavam deste rascunho. Por que então não retomá-lo no almoço de uma terça-feira?</p>
<p><a href="http://ricardolombardi.ig.com.br/livro-como-cozinhar-nos-tornou-humanos" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://ricardolombardi.ig.com.br/livro-como-cozinhar-nos-tornou-humanos');" target="_self">O primeiro blog</a> citava a interessante matéria do Times <a id="aptureLink_KfZBdLPLUT" href="http://www.timesonline.co.uk/tol/news/science/biology_evolution/article6837386.ece" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.timesonline.co.uk/tol/news/science/biology_evolution/article6837386.ece');">sobre o lançamento do livro “Como cozinhar nos tornou humanos”</a>, do antropólogo Richard Wrangham. O livro em questão destaca a primazia não do sexo, mas da cocção dos alimentos como base dos relacionamentos humanos e da evolução da espécie. E como a matéria está em inglês, nada melhor do que um ótimo atalho feito por terceiros, que ainda por cima tripudia dessa hipótese:</p>
<blockquote><p><em>A mais nova tese levantada sobre a evolução humana é que, por sermos os únicos animais que cozinham, o tempo poupado na mastigação e uma maior absorção de nutrientes, fez com que nos tornássemos os únicos seres com cérebros grandes, capazes de saber que ao final dessa festa toda morreremos. E a cocção também nos fez sociáveis, casamenteiros, urdidores de prole. Mas aí tem sempre um idiotazinho enxerido que vem com os urubus. Urubus? </em>[...] <em>Os urubus vivem em sociedade, e são tão rigorosos com esse negócio de culinária que desde tempos imemoriais só comem a carcaça cozida pela natureza: desidratada e já parcialmente digerida para um maior aproveitamento. E, por mais que os efeitos do aquecimento global estejam danosos, nunca vi uma ave destas com dúvidas existenciais suficientes para um suicídio de não-bater de asas dramático; e nas fotos, o cara por detrás da mesa de autógrafos assinando um exemplar d “O Alquimista”, não tem penugens marciais de urubu-rei em torno do pescoço, mas a santimônia de uma rabicho de cabelo atrás da nuca.</em> [<a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/09/30/o-novo-papa-a-opiniao-do-losservatore-ateo/#comment-14252"  target="_blank">Parte de um comentário de Charlles Campos</a> feito num (como sempre ótimo) post do Milton Ribeiro]</p></blockquote>
<p>A menção ao escritor (sic) Paulo Coelho foi só &#8220;a cereja do bolo&#8221;, claro, daí a minha sorridente gratidão e o pedido de licença para republicação com o devido crédito, como é de praxe. Mas já que fiquei satisfeito apenas com esse comentário a respeito da referida tese do Richard Wrangham — e quem quiser mais pegue um taxi e <em>siga aquele link!</em> do Times lá em cima —, faltou citar o outro post, que <a href="http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/09/cri-critica-de-trailer-julie-julia.html" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/09/cri-critica-de-trailer-julie-julia.html');" target="_blank">falava do filme Julie &amp; Julia</a>, dirigido por Nora Ephron, que narra a história da tal Julie reproduzindo durante um ano as receitas de cozinha do livro <em>Mastering the Art of French Cooking</em>, de Julia Child. (Até alguns meses atrás, mesmo com a Meryl Streep no filme, achava pouco provável assistir. Ter visto <em>A Festa de Babette</em>, <em>Como Água para Chocolate</em>, <em>O Cozinheiro, O Ladrão, Sua  Mulher e o Amante</em> e <em>A Comilança</em>, entre outros, bastava. Mas aí comecei a papear com a minha mais nova amiga de infância, que andou falando bastante desse filme, e resolvi vê-lo, na base da pipoca e do namoro no sofá. Foi bom, sobretudo pelo namoro.) Como vedes, não se trata de mero acaso, mas de antropologia e cinema, duas áreas que, apesar de distintas, me interessam bastante e que são a base desses posts que abordaram um tema só: a <strong>comida</strong>. E este último, assim como o sexo, a religião e as guerras, é mesmo um dos temas que movem a humanidade, para o bem e para o mal.</p>
<p>De sexo, religião e guerras é do que mais ouço falar, mais ainda nesta esfera virtual. Mas de comida não tanto, exceto receitas de. Não posso passar batido pelo fato de que a comparação de comportamentos em relação à comida é tema de interesse e pesquisa há mais de 100 anos, com muita documentação sobre eles.<span style="color: #ff0000"><sup><strong><span>1</span></strong></sup></span> Só não vejo com tanta frequência abordagens mais cotidianas e menos acadêmicas sobre o assunto, ao menos não além das ditas receitas ou do exotismo de culinárias de países &#8220;distantes&#8221;. (Parêntese. Não custa lembrar que não sou antropólogo, sociólogo ou especialista no assunto, o que significa que o fato de não encontrar algo por aí não é parâmetro para dizer se isso é comum ou não: é apenas o parâmetro para dimensionar a minha ignorância.  Quero apenas escrever um post, nada além disso. Fecha parêntese) Não à toa lembrei de um vídeo que recebi por e-mail tempos atrás, e que suponho que muitos já conheçam. Aliás, vale o aviso de que não é para estômagos sensíveis, justamente por tratar do assunto em pauta. O vídeo mostra um concurso realizado na China, do &#8220;chef mais eficiente&#8221;, e foi gravado ao ar livre. A medida da eficiência dos chefs vem da combinação entre o tempo dispendido na preparação dos pratos — quanto menor, melhor — e a garantia de que seus ingredientes principais permaneçam, er&#8230; Bom, tome as devidas cautelas e assista, depois conversamos:</p>
<p style="text-align: center"><object classid="d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/TxmH-ZJXFjU" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/TxmH-ZJXFjU"></embed></object></p>
<p>Se te faltou coragem, vou contar o que o vídeo mostra e que deixei de fora no primeiro parágrafo. Ganha o concurso não só quem preparar o prato no menor tempo possível, mas também quem conseguir que os ingredientes principais — neste caso, uma cobra e um peixe — sigam &#8220;vivos&#8221;, isto é, ainda se mexam depois que o prato estiver pronto.</p>
<p>Mas antes de partir para o que me interessa a respeito do vídeo, quero contar sobre ter assistido, no ano retrasado, à palestra de um antropólogo japonês sobre a história e as características da culinária do seu país.</p>
<p>[Por favor, não é hora de perguntar sobre que diabo eu fazia numa palestra dessas. Digo apenas que me diverti, e que tampouco é hora de perguntar que raio de concepção de diversão é essa que eu tenho.]</p>
<p>O palestrante, ao falar das influências religiosas e do intercâmbio com outros países sobre a comida japonesa, acabou contando uma anedota a respeito do que os chineses podem ou não comer — não custando lembrar o quão complicadas são as relações sino-japonesas, marcadas também (e muito) pelo preconceito. Segundo informações colhidas junto aos meus neurônios, a anedota sobre a culinária chinesa diz o seguinte:</p>
<blockquote><p><em></em><em>Tem duas pernas, não é pai ou mãe, então pode comer.<br />
Tem quatro pernas, não é mesa, então pode comer.<br />
Tem asas, não é avião, então pode comer.<br />
Vai dentro d&#8217;água, não é submarino, então pode comer.</em></p></blockquote>
<p>Tem lá o seu interesse saber como os japoneses fazem troça dos chineses, e creio que o vídeo lá de cima é um exemplo que não deixa de corresponder ao que a anedota diz. Mas esse tipo de piada não é o que pretendo discutir, foi só uma lembrança pitoresca. Enfoco o que o vídeo mostra, para além dos possíveis engulhos que seja capaz de provocar. Sendo assim, se transpusermos o que ocorre nas imagens para um contexto mais próximo da gente, culturalmente falando — supondo que você e eu compartilhemos um —, dá para discutir questões como o nojo, o sagrado/profano, entre outras. Só evito tecer considerações ou avaliar/julgar o que os chefs chineses e os organizadores do concurso pensam, pois não sei &#8220;ser&#8221; um chinês, ao menos não de maneira suficientemente próxima para arriscar-me a tal. Interesso-me mesmo é como o que eles fazem <strong>nos afeta</strong>. E começo pela questão da <strong>crueldade com os animais</strong>, que suponho seja um ponto assaz incômodo para grande parte de nós, arrisco a dizer. Vale comentar que cá pras nossas bandas é mesmo diferente, sobretudo porque os abatedouros  costumam ficar <strong>longe da vista da gente</strong>, e assim ninguém acompanha o processo que leva bois, porcos, galinhas, simpáticos patos, coelhos fofinhos etc. até aqueles pratos de isopor envoltos em filme de pvc transparente, dessas que &#8220;<a href="http://agora.opsblog.org/files/2009/11/me-engana-que-eu-gosto.mp3" >me enganam que eu gosto</a>&#8220;, já que por conta disso o bicho nem parece tão bicho assim, o que dilui esse mistura de desconforto, nojo e culpa que costuma acometer a tanta gente. E o que os olhos não veem&#8230;</p>
<p>Esse desagrado com comidas onde &#8220;o bicho tem cara de bicho&#8221; não é uma regra para todo o mundo, nem tampouco em relação a todo tipo de animal, é claro. Peixes e frutos do mar parecem não incomodar tanto quanto um coelho, um leitão ou uma rã inteiros sobre a mesa — a depender do país e da região, vale dizer —, e o desconforto aumenta diante de alguns animais que também servem de companhia em casa ou são parte da atividade laboral — caso dos mencionados coelhos, consumidos &#8220;lá e cá&#8221;, e de cães e gatos, por um lado; e de cavalos, burros e camelos, por outro, e que também fazem parte da culinária de vários países.</p>
<p>Agora voltemos ao vídeo. Há algo de errado nele? Bom, se a gente puser aspas na palavra &#8220;errado&#8221;, talvez a conversa melhore. Porque o certo e o errado, a esta altura do campeonato, você já sabe que são de uma relatividade que vai até o tutano dos ossos. Então que &#8220;errado&#8221; você percebe nele? Que sentimentos ele te provoca? Nojo? Indignação? Um misto de incômodo e de curiosidade? Estranhamento? Fome? Indiferença? (Desconforto por conta de sua indiferença?)</p>
<p>Eu só posso falar por mim, não por você. E o que vem a minha mente diz respeito sobretudo a parâmetros, parâmetros estabelecidos na esfera de qualquer cultura, sobre tudo aquilo que pode (ou até deve) ser mostrado ou encoberto, glorificado ou mantido envergonhadamente secreto, longe da vista dos demais. Nesse sentido, no que se refere à comida, haveria uma espécie de código relativamente recente entre predador (nós, humanos) e presa (os bichos que morrerão para nos alimentar), &#8220;aplicado&#8221; especialmente aos que vivem em aglomerados urbanos razoavelmente longe de onde se criam ou capturam as ditas presas.</p>
<p>Desse código faria parte excluir, na maioria das vezes, o consumidor do processo de transformação desse ser vivo, muitas vezes considerado simpático ou até mesmo fofinho,</p>
<p><a href="http://agora.opsblog.org/files/2010/01/la-buena-mesa-1.jpg" ><img class="alignright size-medium  wp-image-3028" src="http://agora.opsblog.org/files/2010/01/la-buena-mesa-1-300x285.jpg" alt="" width="300" height="285" /></a></p>
<p>em alimento enlatado ou posto em qualquer outro tipo de embalagem sem &#8220;cara de bicho&#8221;, sem que nele haja cheiro de abate, de morte, e, por extensão, sem que se suponha sofrimento atroz à presa, com requintes de crueldade, com o predador deliciando-se com isso. (O cartunista <a href="http://www.quino.com.ar/index.php?id_news=&amp;lang=pt" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.quino.com.ar/index.php?id_news=&amp;lang=pt');" target="_blank">Quino</a> tem um ótimo livro chamado <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=669229&amp;sid=18971189712126413189353511&amp;k5=222E1E31&amp;uid=" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=669229&amp;sid=18971189712126413189353511&amp;k5=222E1E31&amp;uid=');" target="_blank">A La Buena Mesa</a>, de onde tirei a charge ao lado. Recomendo.)</p>
<p>Aliás, por mais que hoje em dia muito do que envolve o processamento dos alimentos tenha saído da cozinha, <em>&#8220;isto é dos fundos da casa, de sua parte menos nobre&#8221;</em>,<em> </em><span style="color: #ff0000"><strong><sup>2</sup></strong></span> vale dizer que o referido processamento não costuma ser completo, já que quase sempre o alimento chega pré-processado. É possível que alguns de vocês tenham tido a oportunidade de ver uma galinha ciscando no quintal horas antes de ser servida no almoço, ou que outros tantos  a escolheram ainda viva num pequeno abatedouro perto de casa, com o vendedor levando-a para os fundos do estabelecimento e trazendo-a de volta embalada em plástico depois recoberto em jornal ou em papel pardo, com o sangue num saquinho à parte. Mas hoje em dia já não são muitos os que vivem em cidades grandes e têm esse tipo de experiência em seus cotidianos. No máximo assistem com um quê de prazer sádico alguns vídeos no youtube — que é só procurar, há muitos por lá —, mas provavelmente não o fazem perto das refeições.</p>
<p>Enfim, o vídeo parece quebrar um pouco o tal código a que me referi dois parágrafos acima. No afã de mostrar a habilidade de um chef de cozinha no preparo de um prato, ele fez uso de critérios que esbarrariam naquilo que para muitos tem o status de tabu: a proximidade entre a comida e a morte. É verdade que essa proximidade não é estranha aos que caçam o próprio alimento, algo que grande parte da humanidade ainda faz. Mas para aqueles &#8220;distantes da natureza&#8221;, desfrutando de um modo de vida em que a tarefa de conseguir alimento está cheia de intermediários e de métodos de transformar um bicho em prato, a morte não faz mais parte da fórmula. E parte dos engulhos de muitos passa por aí.</p>
<p>_______________</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong><sup>1</sup></strong></span><span style="color: #ff0000"> </span>MINTZ, Sidney W. Comida e antropologia: uma breve revisão, <strong>Revista Brasileira de Ciências Sociais</strong> - Vol. 16 n. 47 outubro 2001, pp. 32-41.<br />
<span style="color: #ff0000"><strong><sup>2</sup></strong></span> ROMANELLI, Geraldo. O significado da alimentação na família: uma visão antropológica. <strong>Medicina, Ribeirão Preto</strong>, 39 (3): 333-9, jul./set. 2006.</p>
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	<itunes:summary>Décadas atrás — na internet, passadas algumas semanas de qualquer notícia/post/mimimi, essa é a medida temporal que fica —, olhando os feeds de alguns blogs, vi que dois deles tratavam do mesmo assunto, embora por perspectivas diferentes: a comida. Achei até que fosse um sinal, a senha para desencavar um post inacabado e quase mofado dos meus rascunhos, mas que merecia melhor destino. Mas se não sabe, digo a você como são as coisas na cabeça deste blogueiro agnóstico: o costume de delongar e de não dar trela a supostos sinais do além é regra corrente.
Mas o assunto não tem culpa de nada, e os tais dois posts de tempos atrás já constavam deste rascunho. Por que então não retomá-lo no almoço de uma terça-feira?
O primeiro blog citava a interessante matéria do Times sobre o lançamento do livro “Como cozinhar nos tornou humanos”, do antropólogo Richard Wrangham. O livro em questão destaca a primazia não do sexo, mas da cocção dos alimentos como base dos relacionamentos humanos e da evolução da espécie. E como a matéria está em inglês, nada melhor do que um ótimo atalho feito por terceiros, que ainda por cima tripudia dessa hipótese:
A mais nova tese levantada sobre a evolução humana é que, por sermos os únicos animais que cozinham, o tempo poupado na mastigação e uma maior absorção de nutrientes, fez com que nos tornássemos os únicos seres com cérebros grandes, capazes de saber que ao final dessa festa toda morreremos. E a cocção também nos fez sociáveis, casamenteiros, urdidores de prole. Mas aí tem sempre um idiotazinho enxerido que vem com os urubus. Urubus? [...] Os urubus vivem em sociedade, e são tão rigorosos com esse negócio de culinária que desde tempos imemoriais só comem a carcaça cozida pela natureza: desidratada e já parcialmente digerida para um maior aproveitamento. E, por mais que os efeitos do aquecimento global estejam danosos, nunca vi uma ave destas com dúvidas existenciais suficientes para um suicídio de não-bater de asas dramático; e nas fotos, o cara por detrás da mesa de autógrafos assinando um exemplar d “O Alquimista”, não tem penugens marciais de urubu-rei em torno do pescoço, mas a santimônia de uma rabicho de cabelo atrás da nuca. [Parte de um comentário de Charlles Campos feito num (como sempre ótimo) post do Milton Ribeiro]
A menção ao escritor (sic) Paulo Coelho foi só a cereja do bolo, claro, daí a minha sorridente gratidão e o pedido de licença para republicação com o devido crédito, como é de praxe. Mas já que fiquei satisfeito apenas com esse comentário a respeito da referida tese do Richard Wrangham — e quem quiser mais pegue um taxi e siga aquele link! do Times lá em cima —, faltou citar o outro post, que falava do filme Julie &amp; Julia, dirigido por Nora Ephron, que narra a história da tal Julie reproduzindo durante um ano as receitas de cozinha do livro Mastering the Art of French Cooking, de Julia Child. (Até alguns meses atrás, mesmo com a Meryl Streep no filme, achava pouco provável assistir. Ter visto A Festa de Babette, Como Água para Chocolate, O Cozinheiro, O Ladrão, Sua  Mulher e o Amante e A Comilança, entre outros, bastava. Mas aí comecei a papear com a minha mais nova amiga de infância, que andou falando bastante desse filme, e resolvi vê-lo, na base da pipoca e do namoro no sofá. Foi bom, sobretudo pelo namoro.) Como vedes, não se trata de mero acaso, mas de antropologia e cinema, duas áreas que, apesar de distintas, me interessam bastante e que são a base desses posts que abordaram um tema só: a comida. E este último, assim como o sexo, a religião e as guerras, é mesmo um dos temas que movem a humanidade, para o bem e para o mal.
De sexo, religião e guerras é do que mais ouço falar, mais ainda nesta esfera virtual. Mas de comida não tanto, exceto receitas de. Não posso passar batido pelo fato de que a comparação de [...]</itunes:summary>
<itunes:subtitle>Décadas atrás — na internet, passadas algumas semanas de qualquer notícia/post/mimimi, essa é a medida temporal que fica —, olhando os feeds de alguns blogs, vi que dois deles tratavam do mesmo assunto, embora por perspectivas diferentes: a [...]</itunes:subtitle>
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		<title>Bolo</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Sep 2009 15:15:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo C.</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[nadas]]></category>

		<category><![CDATA[bolo]]></category>

		<category><![CDATA[receitas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ingredientes:
Chuva, preguiça e mais uma batelada de questões individuais (com ânimo zero para futucá-las).
Preparo:
Juntem todos os ingredientes e deem um bolo no terapeuta. No lugar da cereja, vale cantar o refrão:
Si quieres ser feliz
como me dices,
no analices
no analices
Adendo à decoração:
Não contem com a cobertura do terapeuta.
Custo:
Variável. Só não muda o fato de que o bolo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ingredientes:</strong><br />
Chuva, preguiça e mais uma batelada de questões individuais (com ânimo zero para futucá-las).</p>
<p><strong>Preparo:</strong><br />
Juntem todos os ingredientes e deem um bolo no terapeuta. No lugar da cereja, vale cantar o refrão:</p>
<p><a href="http://agora.opsblog.org/files/2009/09/no-analices.mp3"><em>Si quieres ser feliz<br />
como me dices,<br />
no analices<br />
no analices</em></a></p>
<p><strong>Adendo à decoração:</strong><br />
Não contem com a cobertura do terapeuta.</p>
<p><strong>Custo</strong>:<br />
Variável. Só não muda o fato de que o bolo será devidamente cobrado na semana que vem.</p>
]]></content:encoded>
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	<itunes:summary>Ingredientes:
Chuva, preguiça e mais uma batelada de questões individuais (com ânimo zero para futucá-las).
Preparo:
Juntem todos os ingredientes e deem um bolo no terapeuta. No lugar da cereja, vale cantar o refrão:
Si quieres ser feliz
como me dices,
no analices
no analices
Adendo à decoração:
Não contem com a cobertura do terapeuta.
Custo:
Variável. Só não muda o fato de que o bolo será devidamente cobrado na semana que vem.</itunes:summary>
<itunes:subtitle>Ingredientes:
Chuva, preguiça e mais uma batelada de questões individuais (com ânimo zero para futucá-las).
Preparo:
Juntem todos os ingredientes e deem um bolo no terapeuta. No lugar da cereja, vale cantar o refrão:
Si quieres ser feliz
como [...]</itunes:subtitle>
	</item>
		<item>
		<title>Deixe que o a autor te conte</title>
		<link>http://agora.opsblog.org/2009/09/deixe-que-o-a-autor-te-conte/</link>
		<comments>http://agora.opsblog.org/2009/09/deixe-que-o-a-autor-te-conte/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 17:21:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo C.</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<category><![CDATA[audiobook]]></category>

		<category><![CDATA[contos]]></category>

		<category><![CDATA[fantasmas]]></category>

		<category><![CDATA[Javier Marías]]></category>

		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Há quem não goste tanto assim dele, de tão verborrágico que é — e onipresente que anda. Pois se depender de mim, se não em todo canto, ao menos por aqui ele seguirá presente, com a própria voz inclusive:
No más amores (Javier Marías)
Sobre alguns aspectos de “No más amores”, décimo-segundo conto do livro “Cuando fui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há quem não goste tanto assim dele, de tão verborrágico que é — e onipresente que anda. Pois se depender de mim, se não em todo canto, ao menos por aqui ele seguirá presente, com a própria voz inclusive:</p>
<p style="text-align: center"><a href="http://agora.opsblog.org/files/2009/09/javier-marias-no-mas-amores.mp3" >No más amores (Javier Marías)</a></p>
<p>Sobre alguns aspectos de <em>“No más amores”</em>, décimo-segundo conto do livro <em>“</em><a id="aptureLink_UfGbnTJyMr" href="http://apture.s3.amazonaws.com/00000123af44e86d611ede9d007f000000000001.CUANDO%20FUI%20MORTAL%202-776562.jpg" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://apture.s3.amazonaws.com/00000123af44e86d611ede9d007f000000000001.CUANDO%20FUI%20MORTAL%202-776562.jpg');">Cuando fui mortal</a><em>”</em>, diz o autor, numa nota preliminar:</p>
<blockquote><p><em> &#8230;la historia que cuenta estaba contenida  comprimida en mi artículo ‘Fantasmas leídos’, de la recopilación ‘Literatura y fantasma’. Allí se atribuía esta historia a un inexistente ‘Lord Rymer’ (de hecho el nombre de un personaje secundario de mi novela ‘Todas las almas&#8217;, un warden o director de college oxoniense sumamente borracho), supuesto experto e investigador de fantasmas reales, si es que estos dos vocablos no se repelen. No me gustaba la idea de que este breve cuento quedara sepultado sólo en medio de un artículo y en forma casi embrionaria, de ahí su mayor desarrollo en esta pieza nueva.<br />
Tiene ecos conscientes, deliberados y reconocidos de una película y de otro relato: </em><em>‘</em><em>The Ghost and Mrs Muir’, de Joseph L. Mankiewicz, sobre la que escribí un artículo incluido en mi libro </em><em>‘</em><em>Vida del fantasma’, y ‘Polly Morgan’, de Alfred Edgar Coppard, que incluí en mi selección </em><em>‘</em><em>Cuentos únicos’. Todo queda en casa, y no se trata de engañar a nadie: por eso el personaje principal de </em><em>‘N</em><em>o más amores’ se llama ‘Molly Morgan Muir’ y no otra cosa.</em></p></blockquote>
<p>[E se quiser <a id="aptureLink_UlYcAxDpEL" href="http://www.scribd.com/doc/19686261" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.scribd.com/doc/19686261');">ler o conto</a> ...]</p>
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	<itunes:summary>Há quem não goste tanto assim dele, de tão verborrágico que é — e onipresente que anda. Pois se depender de mim, se não em todo canto, ao menos por aqui ele seguirá presente, com a própria voz inclusive:
No más amores (Javier Marías)
Sobre alguns aspectos de “No más amores”, décimo-segundo conto do livro “Cuando fui mortal”, diz o autor, numa nota preliminar:
 la historia que cuenta estaba contenida  comprimida en mi artículo ‘Fantasmas leídos’, de la recopilación ‘Literatura y fantasma’. Allí se atribuía esta historia a un inexistente ‘Lord Rymer’ (de hecho el nombre de un personaje secundario de mi novela ‘Todas las almas, un warden o director de college oxoniense sumamente borracho), supuesto experto e investigador de fantasmas reales, si es que estos dos vocablos no se repelen. No me gustaba la idea de que este breve cuento quedara sepultado sólo en medio de un artículo y en forma casi embrionaria, de ahí su mayor desarrollo en esta pieza nueva.
Tiene ecos conscientes, deliberados y reconocidos de una película y de otro relato: ‘The Ghost and Mrs Muir’, de Joseph L. Mankiewicz, sobre la que escribí un artículo incluido en mi libro ‘Vida del fantasma’, y ‘Polly Morgan’, de Alfred Edgar Coppard, que incluí en mi selección ‘Cuentos únicos’. Todo queda en casa, y no se trata de engañar a nadie: por eso el personaje principal de ‘No más amores’ se llama ‘Molly Morgan Muir’ y no otra cosa.
[E se quiser ler o conto ...]</itunes:summary>
<itunes:subtitle>Há quem não goste tanto assim dele, de tão verborrágico que é — e onipresente que anda. Pois se depender de mim, se não em todo canto, ao menos por aqui ele seguirá presente, com a própria voz inclusive:
No más amores (Javier [...]</itunes:subtitle>
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		<title>Até aqui perdi todos, mas semana que vem&#8230; perco mais um</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Aug 2009 13:13:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo C.</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[cinema]]></category>

		<category><![CDATA[filosofia]]></category>

		<category><![CDATA[um bom programa]]></category>

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		<description><![CDATA[Desses programas que valem muito a pena: &#8220;A História da Filosofia em 40 Filmes&#8221;, uma mostra de cinema bastante interessante e por enquanto privilégio dos que vivem na Cidade Maravilhosa, em cartaz no Teatro Nelson Rodrigues (Av. Chile, 230  – Centro, Rio de Janeiro - entrada de pedestres pela Av. República do Paraguai), todo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a id="aptureLink_ZiIwg8QdZN" href="http://apture.s3.amazonaws.com/00000122e0469a7d1cc919ad004300c0002e0016.cartaz-filosofia40.jpg" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://apture.s3.amazonaws.com/00000122e0469a7d1cc919ad004300c0002e0016.cartaz-filosofia40.jpg');"><img class="alignright" style="border: 0px none" src="http://apture.s3.amazonaws.com/00000122e0469a7d1cc919ad004300c0002e0016.cartaz-filosofia40.jpg" alt="" width="252px" height="350px" /></a>Desses programas que valem muito a pena: <strong>&#8220;A História da Filosofia em 40 Filmes&#8221;</strong>, uma mostra de cinema bastante interessante e por enquanto privilégio dos que vivem na Cidade Maravilhosa, em cartaz no Teatro Nelson Rodrigues (Av. Chile, 230  – Centro, Rio de Janeiro - entrada de pedestres pela Av. República do Paraguai), todo sábado, a partir das 10:30 da manhã. Sábado que vem tenho um compromisso, mas no seguinte estarei lá, firme e forte. Um pouco do que diz no sítio deles:</p>
<blockquote><p><em>Com curadoria de Alexandre Costa e Patrick Pessoa, a mostra-curso põe em pauta temas filosóficos fundamentais e promove o diálogo de cineastas, como Bergman, Fellini, Glauber, Wenders, Kurosawa, Kubrick, Visconti e Godard, com importantes pensadores, entre eles Platão, Descartes, Kant, Marx, Nietzsche, Benjamin, Heidegger, Sartre e Foucault. A entrada é franca.</em></p>
<p><em>Organizado em dez módulos temáticos – “O que é a filosofia?”, “Questões estéticas”, “Mito e Tragédia”, “O Existencialismo”, ”O amor em fuga”, “Morte e Finitude”, “História e Violência”, “O Fascismo hoje”, “Cinema e Revolução” e “O cinema nacional e a interpretação do Brasil” –, a mostra/curso ‘A História da Filosofia em 40 Filmes’ faz refletir sobre diferentes disciplinas filosóficas, tais como a metafísica, a epistemologia, a ética, a política e a estética.</em></p>
<p>(&#8230;)</p>
<p><em>De agosto a setembro, <strong>“O Existencialismo”</strong> abordará as principais questões levantadas por este movimento, com ênfase nas obras de Sartre e Camus, a partir dos filmes A doce vida, de Federico Fellini, Estranhos no paraíso, de Jim Jarmusch, Acossado, de Jean-Luc Godard, e As coisas simples da vida, de Edward Yang.</em></p>
<p><em><strong>“Amor em fuga”</strong> e <strong>“Morte e Finitude”</strong> perfazem um binômio que aborda os temas humanos mais decisivos, o amor e a morte, discutindo até que ponto as contribuições dos filósofos da tradição ainda servem para dar algum sentido à existência dos homens contemporâneos. De setembro a outubro, o público vai conferir clássicos como A janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, O último metrô, de François Truffaut, Ricardo III, de Al Pacino, e Dogville, de Lars von Trier, entre outros.</em></p>
<p><em>Em novembro <strong>“Fascismo Hoje”</strong>, que apresentará filmes como Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, e M, o vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang, vai destrinchar as características deste movimento e dos ideais totalitários surgidos após a Primeira Guerra Mundial. Já em dezembro, em <strong>“Cinema e Revolução”</strong>, filmes como O Anjo exterminador, de Luis Buñuel, e O homem sem passado, de Aki Kaurismaki, vão apresentar a relação entre cinema e revolução, analisando as obras sob três prismas: o das revoluções bem sucedidas ou fracassadas, o das possíveis e o das invisíveis. Paralelamente a esse debate sobre como o cinema tratou o tema “revolução”, será discutido por que o cinema é a ferramenta mais revolucionária das artes do século XX.</em></p>
<p><em>Abrindo o ano de 2010, a cinematografia brasileira será posta em pauta no módulo <strong>“O Cinema Nacional e a Interpretação do Brasil”</strong>. Em um país sem grande tradição na produção de obras filosóficas, os grandes filósofos são Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Mário de Andrade, Glauber Rocha, Leon Hirszman. Partindo dessa convicção, os filmes selecionados para esse módulo apresentam um panorama do melhor da produção filosófico-cinematográfica nacional. Fazem parte da filmografia desse módulo clássicos como Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, e Brás Cubas, de Julio Bressane.</em></p></blockquote>
<p>No <a href="http://www.lavoroproducoes.com.br/www/historia-da-filosofia-em-40-filmes.asp" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.lavoroproducoes.com.br/www/historia-da-filosofia-em-40-filmes.asp');" target="_blank">sítio da mostra</a> você já encontra o áudio das primeiras oito aulas, referente aos dois primeiros módulos: <strong>&#8220;O que é a filosofia?&#8221;</strong> e <strong>&#8220;Questões estéticas&#8221;</strong>. Se estiver com preguiça de ir lá, ponho os links por aqui também. <span style="color: #ff0000">[Já sabe, basta apontar para a "caixa de som" no início do link e ele abre um pequeno popup. Só clique no link se nada acontecer.]</span></p>
<blockquote><p><em><strong>I – O que é a filosofia?</strong></em></p>
<ul>
<li><em>16/05/09 Rashomon | Akira Kurosawa - Livre - </em><a class="links" href="http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula1-Rashomon-Kurosawa.mp3" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula1-Rashomon-Kurosawa.mp3');">AUDIO da AULA </a></li>
<li><em>23/05/09 Persona | Ingmar Bergman – 14 anos - </em><a class="links" href="http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula2-Persona-Bergman.mp3" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula2-Persona-Bergman.mp3');">AUDIO da AULA </a></li>
<li><em>30/05/09 Stalker | Andrei Tarkovsky  - Livre - </em><a class="links" href="http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula3-Stalker-Tarkovsky.mp3" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula3-Stalker-Tarkovsky.mp3');">AUDIO da AULA </a></li>
<li><em>06/06/09 Blow-up | Michelangelo Antonioni – 16 anos - </em><a class="links" href="http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula4-Blowup-Antonioni.mp3" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula4-Blowup-Antonioni.mp3');">AUDIO da AULA </a></li>
</ul>
<p><em><strong>II - Questões estéticas</strong></em></p>
<ul>
<li><em>13/06/09 Morte em Veneza | Luchino Visconti – 16 anos </em><a class="links" href="http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula5-MorteEmVeneza-Visconti.mp3" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula5-MorteEmVeneza-Visconti.mp3');">AUDIO da AULA </a></li>
<li><em>20/06/09 Oito e meio | Federico Fellini – Livre </em> <a class="links" href="http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula6-8emeio-Fellini.mp3" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula6-8emeio-Fellini.mp3');">AUDIO da AULA </a></li>
<li><em>27/06/09 Cidade dos sonhos | David Lynch – 16 anos </em><a class="links" href="http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula7-CidadedosSonhos1-Lynch.mp3" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula7-CidadedosSonhos1-Lynch.mp3');">AUDIO 1 da AULA </a> |   <a class="links" href="http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula7-CidadedosSonhos2-Lynch.mp3" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula7-CidadedosSonhos2-Lynch.mp3');">AUDIO 2 da AULA </a></li>
<li><em>04/07/09 Asas do desejo | Wim Wenders – Livre </em><a class="links" href="http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula8-AsasdoDesejo-Wenders.mp3" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://tvbrasil.assimvivemos.com.br/Audios40Filmes/Aula8-AsasdoDesejo-Wenders.mp3');">AUDIO da AULA </a></li>
</ul>
</blockquote>
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	<itunes:summary>Desses programas que valem muito a pena: A História da Filosofia em 40 Filmes, uma mostra de cinema bastante interessante e por enquanto privilégio dos que vivem na Cidade Maravilhosa, em cartaz no Teatro Nelson Rodrigues (Av. Chile, 230  – Centro, Rio de Janeiro - entrada de pedestres pela Av. República do Paraguai), todo sábado, a partir das 10:30 da manhã. Sábado que vem tenho um compromisso, mas no seguinte estarei lá, firme e forte. Um pouco do que diz no sítio deles:
Com curadoria de Alexandre Costa e Patrick Pessoa, a mostra-curso põe em pauta temas filosóficos fundamentais e promove o diálogo de cineastas, como Bergman, Fellini, Glauber, Wenders, Kurosawa, Kubrick, Visconti e Godard, com importantes pensadores, entre eles Platão, Descartes, Kant, Marx, Nietzsche, Benjamin, Heidegger, Sartre e Foucault. A entrada é franca.
Organizado em dez módulos temáticos – “O que é a filosofia?”, “Questões estéticas”, “Mito e Tragédia”, “O Existencialismo”, ”O amor em fuga”, “Morte e Finitude”, “História e Violência”, “O Fascismo hoje”, “Cinema e Revolução” e “O cinema nacional e a interpretação do Brasil” –, a mostra/curso ‘A História da Filosofia em 40 Filmes’ faz refletir sobre diferentes disciplinas filosóficas, tais como a metafísica, a epistemologia, a ética, a política e a estética.
()
De agosto a setembro, “O Existencialismo” abordará as principais questões levantadas por este movimento, com ênfase nas obras de Sartre e Camus, a partir dos filmes A doce vida, de Federico Fellini, Estranhos no paraíso, de Jim Jarmusch, Acossado, de Jean-Luc Godard, e As coisas simples da vida, de Edward Yang.
“Amor em fuga” e “Morte e Finitude” perfazem um binômio que aborda os temas humanos mais decisivos, o amor e a morte, discutindo até que ponto as contribuições dos filósofos da tradição ainda servem para dar algum sentido à existência dos homens contemporâneos. De setembro a outubro, o público vai conferir clássicos como A janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, O último metrô, de François Truffaut, Ricardo III, de Al Pacino, e Dogville, de Lars von Trier, entre outros.
Em novembro “Fascismo Hoje”, que apresentará filmes como Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, e M, o vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang, vai destrinchar as características deste movimento e dos ideais totalitários surgidos após a Primeira Guerra Mundial. Já em dezembro, em “Cinema e Revolução”, filmes como O Anjo exterminador, de Luis Buñuel, e O homem sem passado, de Aki Kaurismaki, vão apresentar a relação entre cinema e revolução, analisando as obras sob três prismas: o das revoluções bem sucedidas ou fracassadas, o das possíveis e o das invisíveis. Paralelamente a esse debate sobre como o cinema tratou o tema “revolução”, será discutido por que o cinema é a ferramenta mais revolucionária das artes do século XX.
Abrindo o ano de 2010, a cinematografia brasileira será posta em pauta no módulo “O Cinema Nacional e a Interpretação do Brasil”. Em um país sem grande tradição na produção de obras filosóficas, os grandes filósofos são Machado de Assis, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Mário de Andrade, Glauber Rocha, Leon Hirszman. Partindo dessa convicção, os filmes selecionados para esse módulo apresentam um panorama do melhor da produção filosófico-cinematográfica nacional. Fazem parte da filmografia desse módulo clássicos como Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, e Brás Cubas, de Julio Bressane.
No sítio da mostra você já encontra o áudio das primeiras oito aulas, referente aos dois primeiros módulos: O que é a filosofia? e Questões estéticas. Se estiver com preguiça de ir lá, ponho os links por aqui também. [Já sabe, basta apontar para a "caixa de som" no início do link e ele abre um pequeno popup. Só clique no [...]</itunes:summary>
<itunes:subtitle>Desses programas que valem muito a pena: A História da Filosofia em 40 Filmes, uma mostra de cinema bastante interessante e por enquanto privilégio dos que vivem na Cidade Maravilhosa, em cartaz no Teatro Nelson Rodrigues (Av. [...]</itunes:subtitle>
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		<item>
		<title>O Caio através do Idelber, o Milton junto. (E eu lá atrás, tentando acompanhar.)</title>
		<link>http://agora.opsblog.org/2009/05/o-caio-atraves-do-idelber-o-milton-junto-e-eu-la-atras-tentando-acompanhar/</link>
		<comments>http://agora.opsblog.org/2009/05/o-caio-atraves-do-idelber-o-milton-junto-e-eu-la-atras-tentando-acompanhar/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 28 May 2009 16:19:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo C.</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[(re)flexões]]></category>

		<category><![CDATA[interblogagens]]></category>

		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Atendendo ao chamado do Idelber para discutir o conto Aqueles dois, do Caio Fernando de Abreu, o Milton Ribeiro, meu vizinho de condomínio e craque nas letras e na música, não se fez de rogado: mandou ver nas suas impressões sobre a história de Saul e Raul.
Passo longe da falsa modéstia, e bem perto da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Atendendo ao <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/aqueles_dois_de_caio_fernando_abreu.php" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/aqueles_dois_de_caio_fernando_abreu.php');" target="_blank">chamado do Idelber</a> para discutir o conto <a href="http://www.releituras.com/caioabreu_dois.asp" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.releituras.com/caioabreu_dois.asp');" target="_blank">Aqueles dois</a>, do Caio Fernando de Abreu, o Milton Ribeiro, meu vizinho de condomínio e craque nas letras e na música, não se fez de rogado: mandou ver nas <a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/05/28/aqueles-dois-de-caio-fernando-abreu"  target="_blank">suas impressões sobre a história de Saul e Raul</a>.</p>
<p>Passo longe da falsa modéstia, e bem perto da autocrítica pertinente. Por isso digo que é lá no post do Idelber e também no do Milton que a conversa deve ter lugar, e que é também por lá que a minha atenção estará. Mas antes disso, deixo aqui os meus pitacos sobre o assunto, os mesmos que escrevi na caixa de comentários do <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/clube_de_leituras" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.idelberavelar.com/archives/clube_de_leituras');" target="_blank">Clube de Leituras</a> do Idelber, e que de outra forma ficariam perdidos no meio de tanta coisa boa que já li por lá.</p>
<blockquote><p><em>Sutil<br />
llegaste a mi<br />
como una tentación<br />
llorando de inquietud<br />
mi corazón.</em></p>
<p>["<a href="http://agora.opsblog.org/files/2009/05/chavela-vargas-tu-me-acostumbraste.mp3" >Tu me acostumbraste</a>", de Frank Dominguez]</p>
<p>- <strong>Sutileza, sugestão</strong>, duas palavras que vêm à minha cabeça. Uma, combinando com a suavidade da narração, sem sobressaltos, e com o desvelamento de um amor, humano amor, <em>fraterno</em>, acima de tudo (falo mais sobre isso depois); e a segunda, que tanto anda em falta, e que é tão perigosa como o lusco-fusco do amanhecer e do pôr-do-sol, aquelas horas onde os fantasmas passeiam, as revoluções ameaçam explodir e o mundo é perigoso, de tão indefinido que é. (Curioso, vivemos tempos onde o explícito é não apenas possível, como até cultuado, associado à liberdade e que tais, e onde a sugestão anda em baixa. O chato é que a própria &#8220;habilidade de ser sugestivo&#8221; parece tb escassear&#8230;)</p>
<p>- <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/aqueles_dois_de_caio_fernando_abreu.php#c83330" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/aqueles_dois_de_caio_fernando_abreu.php#c83330');" target="_blank">Janaina Amado</a> ( comentário #4) posicionou-se com clareza, trazendo para isso a estranha década de 80 à conversa, aquela mesma em que surge a AIDS — &#8220;câncer gay&#8221;, diziam tantos, entre assustados e enraivecidos — e onde <em>&#8220;&#8230; um bocado de gays &#8230; fizeram deste conto um lugar de acolhimento, refúgio, amor, construção de auto-estima&#8221;</em>. Some-se o fato, como bem disse a <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/aqueles_dois_de_caio_fernando_abreu.php#c83331" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/aqueles_dois_de_caio_fernando_abreu.php#c83331');" target="_blank">Lola</a> (comentário #5), de que <em>&#8220;saber que o conto é do Caio atrapalha um pouco. A gente mistura autor e obra, e isso gera a expectativa de um &#8216;conto gay&#8217; (seja lá o que for isso)&#8221;</em>. A culpa não deve ser do Caio e sim nossa, mas fingir que esses dados não passam na cabeça da gente é bem pior, não?</p>
<p>- Lembrei de um filme de Almodóvar, &#8220;<em>Hable con ella</em>&#8220;, e dos comentários da maioria das pessoas que saíam da sessão de cinema, no dia em que o assisti, a respeito de seus dois protagonistas masculinos: &#8220;é uma relação homossexual&#8221;, &#8220;são dois enrustidos&#8221;, e blá blá blá, enquanto eu via um senhor amor fraterno, com toda a potência que lhe cabia absolutamente explicitada e nem um grama enrustida. Ali não havia contenção de espécie alguma, não havia nada a ser desvelado entre eles. Se trepassem, estou certo que &#8220;desculpe, foi engano&#8221; seria a conclusão de ambos.</p>
<p>- Volto a &#8220;Aqueles Dois&#8221;. Reconheço: não posso fazer da relação entre Raul e Saul uma leitura idêntica à que fiz de &#8220;Fale com Ela&#8221;. São tempos e contextos diferentes. No filme, as bandeiras de Almodóvar contra a repressão (homos)sexual já tremulavam faz tempo, desfraldadas em filmes anteriores, e já incorporadas ao cotidiano espanhol. Por isso não me pareceu nem um pouco estranho entender aqueles dois amigos como os primeiros protagonistas masculinos heterossexuais e interessantes da filmografia do diretor, que até então colocava os homens em papéis secundários, como machistas caricatos, bananas ou então simplesmente perversos.</p>
<p>- Sim, &#8220;Aqueles Dois&#8221; exala a homoerotismo, além de condenar a repressão já no subtítulo; mas uma repressão marcadamente &#8220;de fora&#8221;, &#8220;da repartição&#8221;, institucionalizada, tanto sexual como política, com quase nada das repressões que construímos silenciosamente e que aos poucos tornam-se tão somente nossas. Mas reconheço que o amor de Raul e Saul, visto pelos da repartição como expressão de uma &#8220;relação anormal e ostensiva&#8221;, &#8220;desavergonhada aberração&#8221;, um &#8220;comportamento doentio&#8221;, talvez não seja apenas fraterno — e desculpe pelo &#8220;apenas&#8221;, a palavra aqui empobrece as coisas —, embora não esteja tão certo de que isso importe tanto assim. (Hoje em dia, pelo menos, acredito que não.)</p>
<p>Bom, falei muito e pouco disse, além de quase nada concluir. Então melhor paro por aqui.</p></blockquote>
<p>É, está de bom tamanho. Agora volto para as caixas de comentários desses dois blogueiros que tanto admiro.</p>
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	<itunes:summary>Atendendo ao chamado do Idelber para discutir o conto Aqueles dois, do Caio Fernando de Abreu, o Milton Ribeiro, meu vizinho de condomínio e craque nas letras e na música, não se fez de rogado: mandou ver nas suas impressões sobre a história de Saul e Raul.
Passo longe da falsa modéstia, e bem perto da autocrítica pertinente. Por isso digo que é lá no post do Idelber e também no do Milton que a conversa deve ter lugar, e que é também por lá que a minha atenção estará. Mas antes disso, deixo aqui os meus pitacos sobre o assunto, os mesmos que escrevi na caixa de comentários do Clube de Leituras do Idelber, e que de outra forma ficariam perdidos no meio de tanta coisa boa que já li por lá.
Sutil
llegaste a mi
como una tentación
llorando de inquietud
mi corazón.
["Tu me acostumbraste", de Frank Dominguez]
- Sutileza, sugestão, duas palavras que vêm à minha cabeça. Uma, combinando com a suavidade da narração, sem sobressaltos, e com o desvelamento de um amor, humano amor, fraterno, acima de tudo (falo mais sobre isso depois); e a segunda, que tanto anda em falta, e que é tão perigosa como o lusco-fusco do amanhecer e do pôr-do-sol, aquelas horas onde os fantasmas passeiam, as revoluções ameaçam explodir e o mundo é perigoso, de tão indefinido que é. (Curioso, vivemos tempos onde o explícito é não apenas possível, como até cultuado, associado à liberdade e que tais, e onde a sugestão anda em baixa. O chato é que a própria habilidade de ser sugestivo parece tb escassear)
- Janaina Amado ( comentário #4) posicionou-se com clareza, trazendo para isso a estranha década de 80 à conversa, aquela mesma em que surge a AIDS — câncer gay, diziam tantos, entre assustados e enraivecidos — e onde  um bocado de gays  fizeram deste conto um lugar de acolhimento, refúgio, amor, construção de auto-estima. Some-se o fato, como bem disse a Lola (comentário #5), de que saber que o conto é do Caio atrapalha um pouco. A gente mistura autor e obra, e isso gera a expectativa de um conto gay (seja lá o que for isso). A culpa não deve ser do Caio e sim nossa, mas fingir que esses dados não passam na cabeça da gente é bem pior, não?
- Lembrei de um filme de Almodóvar, Hable con ella, e dos comentários da maioria das pessoas que saíam da sessão de cinema, no dia em que o assisti, a respeito de seus dois protagonistas masculinos: é uma relação homossexual, são dois enrustidos, e blá blá blá, enquanto eu via um senhor amor fraterno, com toda a potência que lhe cabia absolutamente explicitada e nem um grama enrustida. Ali não havia contenção de espécie alguma, não havia nada a ser desvelado entre eles. Se trepassem, estou certo que desculpe, foi engano seria a conclusão de ambos.
- Volto a Aqueles Dois. Reconheço: não posso fazer da relação entre Raul e Saul uma leitura idêntica à que fiz de Fale com Ela. São tempos e contextos diferentes. No filme, as bandeiras de Almodóvar contra a repressão (homos)sexual já tremulavam faz tempo, desfraldadas em filmes anteriores, e já incorporadas ao cotidiano espanhol. Por isso não me pareceu nem um pouco estranho entender aqueles dois amigos como os primeiros protagonistas masculinos heterossexuais e interessantes da filmografia do diretor, que até então colocava os homens em papéis secundários, como machistas caricatos, bananas ou então simplesmente perversos.
- Sim, Aqueles Dois exala a homoerotismo, além de condenar a repressão já no subtítulo; mas uma repressão marcadamente de fora, da repartição, institucionalizada, tanto sexual como política, com quase nada das repressões que construímos silenciosamente e que aos poucos tornam-se tão somente nossas. Mas reconheço que o amor de Raul e Saul, [...]</itunes:summary>
<itunes:subtitle>Atendendo ao chamado do Idelber para discutir o conto Aqueles dois, do Caio Fernando de Abreu, o Milton Ribeiro, meu vizinho de condomínio e craque nas letras e na música, não se fez de rogado: mandou ver nas suas impressões sobre a história [...]</itunes:subtitle>
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		<title>El cuento es muy sencillo</title>
		<link>http://agora.opsblog.org/2009/05/el-cuento-es-muy-sencillo/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 May 2009 17:16:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo C.</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A história é muito simples. Eu sei, mas nem por isso deixa de complicar a vida da gente, Mario.
Desculpe a tristeza. Bem que você e o teu amigo Serrat me avisaram que &#8220;quando nada falta, então a gente morre&#8221;, mas ainda assim não dá para fazer de conta que você não fará falta. (Da minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a id="aptureLink_I3Zz7eEfxA" href="../2008/06/curriculum/">A história é muito simples</a>. Eu sei, mas nem por isso deixa de complicar a vida da gente, Mario.</p>
<p><a href="http://agora.opsblog.org/files/2009/05/benedetti-3.jpg" ><img class="alignright size-medium wp-image-1631" src="http://agora.opsblog.org/files/2009/05/benedetti-3.jpg" alt="" width="178" height="274" /></a>Desculpe a tristeza. Bem que você e o teu amigo <a id="aptureLink_V7X6oWE1Sk" href="http://www.youtube.com/watch?v=vlcVikrlEHI" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://www.youtube.com/watch?v=vlcVikrlEHI');">Serrat</a> me avisaram que &#8220;quando nada falta, então a gente morre&#8221;, mas ainda assim não dá para fazer de conta que <strong>você</strong> não fará falta. (Da minha parte creio <a id="aptureLink_01MWS780Nn" href="../2008/06/post-scriptum/">ainda faltar alguma coisa</a>, meu velho, nem que seja um pouco de velhice.)</p>
<p>É claro que não sabias disso, mas nesta Ágora já falei de ti algumas vezes, embora não tão bem como o <a id="aptureLink_QlGK8QVMzh" href="http://miltonribeiro.opsblog.org/2009/05/18/mario-benedetti-1920-2009/" >Milton</a> ou a <a id="aptureLink_inIPa3ZNKV" href="http://flabbergasted2.wordpress.com/2009/05/18/condene-el-jubilo-mario-benedetti-1920-2009-r-i-p/" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://flabbergasted2.wordpress.com/2009/05/18/condene-el-jubilo-mario-benedetti-1920-2009-r-i-p/');">Meg</a>. E como eles já te mandaram flores, falta eu fazer o mesmo. Só que ando meio sem imaginação, poeta — quem dirá uma aos pés da tua —, por isso vá desculpando mais um abuso de quem já roubou <a id="aptureLink_nqFmf1NiKx" href="../2008/01/frase/">uma frase que só você poderia ter inventado</a>. É, prometo que não pego mais nada de ti — ao menos hoje não —, fora esses poemas que te ouvi declamar.</p>
<p><span style="font-size:85%">[Apenas apontem o mouse para a "caixa de som" no canto esquerdo de cada link e esperem que apareça o aplicativo para poder ouvi-los. Se elas não estiverem aparecendo, experimente clicar no título do post e entrar nele. Acredito (ou torço para) que com isso as tais caixinhas apareçam.]</span></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://agora.opsblog.org/files/2009/05/benedetti-credo.mp3" >benedetti-credo</a></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://agora.opsblog.org/files/2009/05/benedetti-tactica-y-estrategia.mp3" >benedetti-tactica-y-estrategia</a></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://agora.opsblog.org/files/2009/05/benedetti-ella-que-pasa.mp3" >benedetti-ella-que-pasa</a></p>
<p>Pode que seja uma certa lassidão de caráter da minha parte pôr a sua própria voz para te homenagear, Mario, mas é prosa mais do que sabida que eu sou uma negação poética. E como você era mesmo único, colocar-te declamando esses poemas para que outros se enlutem como se deve me pareceu mais honesto, com o perdão da <em>boutade</em>.</p>
<p>Um grande e agradecido abraço pelos serviços em poesia e prosa que prestaste a todos nós, Mario Benedetti.</p>
<p>[<a id="aptureLink_u7gDXv19K8" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mario%20Benedetti" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/http://pt.wikipedia.org/wiki/Mario%20Benedetti');">Mario Benedetti</a>, 14/09/1920 - 17/05/2009]</p>
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	<itunes:summary>A história é muito simples. Eu sei, mas nem por isso deixa de complicar a vida da gente, Mario.
Desculpe a tristeza. Bem que você e o teu amigo Serrat me avisaram que quando nada falta, então a gente morre, mas ainda assim não dá para fazer de conta que você não fará falta. (Da minha parte creio ainda faltar alguma coisa, meu velho, nem que seja um pouco de velhice.)
É claro que não sabias disso, mas nesta Ágora já falei de ti algumas vezes, embora não tão bem como o Milton ou a Meg. E como eles já te mandaram flores, falta eu fazer o mesmo. Só que ando meio sem imaginação, poeta — quem dirá uma aos pés da tua —, por isso vá desculpando mais um abuso de quem já roubou uma frase que só você poderia ter inventado. É, prometo que não pego mais nada de ti — ao menos hoje não —, fora esses poemas que te ouvi declamar.
[Apenas apontem o mouse para a "caixa de som" no canto esquerdo de cada link e esperem que apareça o aplicativo para poder ouvi-los. Se elas não estiverem aparecendo, experimente clicar no título do post e entrar nele. Acredito (ou torço para) que com isso as tais caixinhas apareçam.]
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benedetti-tactica-y-estrategia
benedetti-ella-que-pasa
Pode que seja uma certa lassidão de caráter da minha parte pôr a sua própria voz para te homenagear, Mario, mas é prosa mais do que sabida que eu sou uma negação poética. E como você era mesmo único, colocar-te declamando esses poemas para que outros se enlutem como se deve me pareceu mais honesto, com o perdão da boutade.
Um grande e agradecido abraço pelos serviços em poesia e prosa que prestaste a todos nós, Mario Benedetti.
[Mario Benedetti, 14/09/1920 - 17/05/2009]</itunes:summary>
<itunes:subtitle>A história é muito simples. Eu sei, mas nem por isso deixa de complicar a vida da gente, Mario.
Desculpe a tristeza. Bem que você e o teu amigo Serrat me avisaram que quando nada falta, então a gente morre, mas ainda assim não [...]</itunes:subtitle>
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		<title>Çem palavras</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 12:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo C.</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[língua]]></category>

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