[Atualizando]
Em quase treze anos, nunca vi cair.
Devo ter sorte.
P.S. Faz um mês que não vejo não ver cair. Ô falta!
Prolegômenos, (re)flexões e nadas, de todo tipo.
[Atualizando]
Em quase treze anos, nunca vi cair.
Devo ter sorte.
P.S. Faz um mês que não vejo não ver cair. Ô falta!
“E o que temos para assistir hoje?” perguntou, a meio metro dele.
“A mim, ora”, só um quarto de graça no tom, pouco para esvaecer o quebranto.
“É bom. Gosto de te ver”, e o meio metro cortado à metade, estancado o desalento, e o amor, ah o amor, desmedido, outra vez.
……..— Jair, teu primo Orestes mandou uma piada com cópia pra mim…
……..— Eu tinha visto o seu nome nos destinatários desse e-mail, Célia, e juro que torci muito para que você passasse batida por ele… Me desculpe pelo Orestes, meu amor. Ele é um traste machista, eu sei, e além disso, sabe muito bem [...]
Tá, agora entendi:
1) o mundo deu um porrilhão de voltas sem mim; e
2) você continuou embarcada nele.
Resultado: não temos mais nada a ver um com o outro.
Mas antes d’eu assinar, me explica uma coisa: em qual dessas voltas você e a Alice viraram — faz sinal de aspas com os dedos — “feitas uma [...]
Quinta-feira, 23 de outubro, por volta do meio-dia. Jair e Célia à mesa, onze meses depois. Dona Semírames na cozinha, passando um café.
— Célia, precisamos conversar.
— Que foi, Jair?
— Primeiro, quero te dizer que é sério. Muito. Segundo, que você vai ter que ser forte. Muito. Terceiro, que com os oito telefonemas que dei agora [...]
Um pacto bem simples: entre os dois só a verdade, sempre, não importasse qual.
Ligou para a Lúcia, amiga de infância de Sílvia. Preciso conversar com você, pode ser às sete?, te apanho no trabalho. O primeiro chope ainda pela metade e atacou, sem dó, até ver aqueles Sérgio, pare com isso largados no chão, ao [...]
[Recebido por e-mail tempos atrás. E Lindeilson, o proponente, ganha pontos pela franqueza.]
1986. Cidade do México. Três e meia da manhã. Gritos. Acordo, vou à cozinha, de onde consigo ver a janela do meu quarto e a dos vizinhos de baixo — moro no 702. A cena me assusta: ela, de camisola curta, ar transtornado, perambulando à frente da janela; dele, só escuto a voz. Os gritos [...]
“Tirania da intimidade“? “Comprei-a” numa aula de psicologia social, há coisa de uns 15 anos. E a “receita original” pode ser apreciada por meio da leitura de Richard Sennett (O Declínio do Homem Público: as tiranias da intimidade. Tem uma resenha sobre ele aqui).
Da minha parte, antropofágico como gosto de ser, aproprio-me do termo e [...]
— Comer…
— … não.
— Trepar…
— … também não.
— E foder?
— Não, não serve.
— Fazer amor é bem pior, parece tradução mal-feita, né?
— É, parece.
— Lembra de mais alguma?
— No México eles dizem coger.
— Ué, mas isso não significa “pegar”?
— Pois é, quero te pegar…
— … que em espanhol também quer dizer “bater”, e você sabe [...]
Tá bom, sustinho, pois não quero assustar ninguém. Mesmo assim, lembro de ter sentido espanto, no mesmo dia em que surrupiei uma conversa ao ouvir as pessoas daquela mesa de restaurante falando de uma palavra cotidiana, tão freqüente no discurso adocicado dos enamorados, e dando-lhe umas belas chibatadas, supondo que existam chibatadas belas. Trata-se de [...]
“Caraca, eu lá, toda me insinuando, querendo ficar com ele, e ele me despreza… Que homem é esse, que me esnoba desse jeito, que me faz sentir uma merda, a última das mulheres?” J., 26.
“Se você quer transar mesmo sem eu estar afim, a gente transa. É isso que você quer? Não vai ser legal, [...]
Depois de ter posto aqui o centenário Por favor, aconteceu de sair e conversar bastante com alguns amigos. Ouvi muito, falei um pouco, e dormi pensando sobre o amor e a vontade de viver, o amor e o companheirismo, o amor e a paixão, o amor e as armadilhas que o cercam, o amor… e [...]
“Querido, nosso casamento não foi um fracasso, mas algo muito pior: um sucesso mal gasto.”
.(Alicia, escrevendo para Miguel)
.
[Mario Benedetti, Quem de Nós, RJ, Record, 2007, p. 53]
“Todo mundo fica dizendo: ‘nossa, vocês deram uma sorte danada de se conhecer, vocês tiveram uma sorte danada de estar casados até hoje, vocês tiveram uma sorte danada com esses filhos maravilhosos…’ Sorte porra nenhuma! Anos de análise, muita conversa, muita negociação, muito sofrimento no meio, e esse povo tem coragem de chamar isso tudo [...]
Já faz algumas semanas que assisti ao filme O Passado, do Héctor Babenco, e me lembrei sobre ter pensado em algo quando vi o filme, umas poucas impressões que pretendi deixar por aqui também. Mas os dias foram se sucedendo, o trabalho sufocando, e, com o perdão do trocadilho, passou. Então aproveito e resgato agora [...]
“Você está triste…”, e não era uma pergunta. “Está tudo bem?”, agora sim. “Está tudo bem sim”, em resposta à voz do apartamento em frente, da janela em frente, praquela dona, praquela moça nem tão moça assim, que bebia o que parecia whisky, pelo menos amarelo era, pelo menos gelo tinha.
(Ela estava bem, diziam-lhe os [...]
— Jair, preciso te dizer algo.
— Célia, que bom. Faz tempo que eu esperava essa conversa, só que, para não variar, me faltava coragem. Ainda bem que você deu a partida! Há tantos silêncios entre nós, Célia, tantos emudecimentos gritando nesses quilométricos dez centímetros regulamentares que nos impusemos na hora de deitar… [...]