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Posts Tagged ‘(des)memórias’

Arturo

O sujeito da foto aí ao lado é Arturo Toscanini. Gosto dele, mais ainda por se chamar Arturo, nome de um velho amigo mexicano que, como o Toscanini, calhou de ser regente de orquestra, pena que longe da fama do seu homônimo, mas pelo menos é meu amigo enquanto o outro não é e [...]

Um nada de quarta

Tenho uma amiga recente que gosta muito do falecido seriado Seinfeld — “falecido pra você, seu ingrato!”, não é bem a frase que ela diria, mas suponho que o espírito lhe fosse próximo —, e eventualmente pontua algumas situações com episódios da série. Pois hoje, logo após um agradabilíssimo almoço em companhia de outros dois [...]

Poemínimo platoníssimo (e mentiras seminais)

Zizi,
nunca mais te vi.
Como crer
que não te esqueci?

[De um velho álbum do início da década de 70, século passado.]
Sete anos atrás, li A Marca Humana, de Philip Roth — livro que neste momento pousa sobre minha barriga, apoiado no notebook, enquanto digito a palavra “digito”. E como haveria de ser, o segredo carregado durante cinquenta anos [...]

Acerto de contas com “Casanova”, de Fellini

[Encontrei este desenho aqui]

Sim, vi tudo o que pude de Fellini. Mas assumo que do supracitado filme guardo apenas três cenas, e só salvo a primeira:
1) o famoso recurso do “mar de celofane”, que a maioria costuma associar a E la Nave Va (1983) — mas que vi primeiro em Amarcord (1973).
Tudo bem que a [...]

A maioria das biografias

Nos tempos atuais, dizer que não gosto muito de biografias faz de mim quase um pária. Paciência, até os seres mais comuns têm direito às suas idiossincrasias. Por que haveria eu de furtar-me das minhas? Sim, há vida inteligente no gênero, tanto quanto nos biógrafos e nos biografados, preciso reconhecer. Mas assim como no que [...]

Delicadeza

[Do cartunista Quino]

Erasmo de Rotterdam é do meu time

“Esperais um epílogo do que vos disse até agora? Estou lendo isso em vossas fisionomias. Mas, sois verdadeiramente tolos se imaginais que eu tenha podido reter de memória toda essa mistura de palavras que vos impingi. Em lugar de um epílogo quero oferecer-vos duas sentenças. A primeira, antiquíssima, é esta: Eu jamais desejaria beber com [...]

Ode a Mnemosine

Até ontem, pensava ter memória falha. Descobri que não. Minha memória é perfeita, grande amiga e aliada. Por obra dela, reconheço que tudo de que lembro não passa da mais pura verdade — pelo menos a minha verdade. E dentre as alternativas que a mãe das musas me oferece para aquilo de que (supostamente) não [...]

Sinais de inquietação, pouco antes do alarme

Na noite anterior, viu que às unhas do pé urgia um corte. Pegou o seu canivete suíço de mil e uma utilidades, abriu a de número três e pôs mãos-à-obra (dos pés), enquanto assistia a um programa qualquer de televisão. E por fim livre das aparas, dormiu contente.

Deu de acordar satisfeito, e mais satisfeito ficou [...]

Que ladeira é essa…

Almoço de domingo, tempos atrás.
Início dos trabalhos: dois pastéis de camarão e alguns chopes.
Prato principal: carne assada com arroz, farofa, feijão e batata frita.
Sexto chope, o suficiente.
A vida é mesmo boa.
Sobremesa: uma generosa fatia de pudim de leite condensado. (Para viagem, por favor.)
A caminho de casa, uma parada: comprar ingredientes para um tabule, pois urge [...]

A Balada de Narayama, uma cena (em dois tempos)

[Primeiro uma sinopse encontrada — e encurtada — por aí, pra relembrar. Depois, uma cena do filme.] Japão, fim do século XIX, um pequeno vilarejo aos pés do monte Narayama. Ao completar 70 anos de idade, seus moradores deveriam subir ao topo do monte, levados por seus primogênitos e, como elefantes velhos, esperar pela [...]