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Ágora com dazibao no meio Rotating Header Image

Posts Tagged ‘murmúrios’

Ruminações (2)

Umas conversas no falecido weblog me fizeram lembrar de algo que me aconteceu há 22, 23 25, 26 anos atrás. (Experiência importante para mim, e que, portanto, não ponho aqui como “verdade” ou “receita” para ninguém, vou logo avisando.)
Estudava eu psicologia, aquela maravilha de universo onde em minha sala éramos dois homens e 54 [...]

Mesuras

“E o que temos para assistir hoje?” perguntou, a meio metro dele.
“A mim, ora”, só um quarto de graça no tom, pouco para esvaecer o quebranto.
“É bom. Gosto de te ver”, e o meio metro cortado à metade, estancado o desalento, e o amor, ah o amor, desmedido, outra vez.

Ninguém é substituível

Você leu direito, escrevi “substituível” em vez de “insubstituível”. É que a máxima original, idolatrada-salve-salve por todo e qualquer gestor/gerente/chefe/manda-quem-pode-obedece-quem-tem-juízo pode até fazer sentido lá nos discursos administrativos/corporativos e quantos idos você quiser, mas a mim não convence. (Verdade é que não sou um sujeito de importância reconhecida — ainda bem! —, mas isso não [...]

Contra-intuição

Décadas atrás ouvi uma estória que me chamou muito a atenção. Não sei se a chamo de parábola, mas é no mínimo uma lenda, uma curiosa lenda. Vamos a ela, ou a como lembro dela:
Diz-se por aí que, séculos atrás, numa embarcação que navegava por águas bem distantes, viajava entre os passageiros e tripulantes uma [...]

Pré-saudades

Domingo.
Amanhece no Posto 6.

Vou ou não vou tomar o café da manhã na confeitaria Colombo,a do Forte, cuja vista não tem preço?

Ou então ao Leblon, só para tomar um suco no BB Lanches…

… e uma vez no bairro, dar uma passadinha no velho Braca?
A programação sugere que não é bom beber logo de manhã.Fico em [...]

Indeciso

Troco o crônico pelo agudo,
O agudo pelo crônico,
O agudo…
O crônico…
Troco.

Ansiedade, sanidade

Ando matutando sobre a dose de ansiedade diária ideal para os tempos atuais. Digo “ideal” pensando na relação entre as exigências da contemporaneidade e a nossa saúde física e mental. Pena que boa parte dos especialistas, fiados em seus receituários, queiram mais é que aumentemos sua proporção, haja vista a quantidade de produtos que as [...]

Mínima

Se Deus existe, Ele é mulher. Vá ser insondável assim lá na casa do chapéu!

Perdi a briga

Como dizer que as palavras volta e meia extrapolam, aparecendo mais do que deveriam?Como denunciar os excessos lingüísticos, a verborragia, a gordura das rimas, sem usar georgias, times, verdanas e afins?Como falar sem falar, só conteúdo sem forma, e sem o eco ressoando em minhas cócleas?Como comunicar-me sem ferramentas, sem intermediários e atravessadores, quando até [...]

Meus fenícios e seus ofícios

Deparei-me com algumas rugas que pensei serem de preocupação, mas tratava-se apenas de idéias, caraminholando por mais de doze horas, franzindo a minha testa. E para livrar-me desse processo de envelhecimento precoce, preciso tirá-las de lá.
Para ser sincero, nem idéias são. Trata-se de um tema, que perambula diuturnamente por aqui, monocórdio que ando: as medidas. [...]

Caraminholas

Pensei, avalanchicamente, sobre a importância das pausas.Pensei, pouco mas pensei, sobre a necessidade de histórias.Pensei, mas não queria ter pensado, sobre tristezas e vazios (assim, plurais).Pensei, mais um pouco. Então deixei que os pensamentos se pensassem sozinhos, falassem uns com os outros, trocassem confidências, sussurrassem tão baixinho que, de não mais poder ouvi-los, eu perdesse [...]

[Não sei que título dar...]

Uma única estrela. Talvez mereça menos.
Conhece a velha piada do português que queria atravessar o Canal de Suez em plena Guerra dos Seis Dias (5 a 10 de junho de 1967)?
[Já avisei que é velha... e metida a culta]
O pobre, impossibilitado de passar por lá com seu navio — não era para menos, tanto tiro [...]

Humanos

Pensando nas armadilhas que pomos para nós mesmos, lembrei que de tempos em tempos é preciso refazer o synteko do piso.
(Não chateie, vá, imagine que há tacos ou tábua corrida no chão da sua casa, sem ser daquelas porcarias descartáveis imitando madeira. Não é um exercício lá tão difícil…)
Pois nessa empreitada, costuma ser uma [...]

Wim Wenders, anjos e “Don’t Come Knocking”, dois anos atrás

Desconheço qualquer aspecto sobre a natureza dos anjos. Esguios, rotundos, rubicundos, pintados, filmados, sonhados, declamados, em obras literárias ou de auto-ajuda, nunca lhes dei muita atenção. Há dois anos, porém, ao assistir ao último filme do Wim Wenders (“Don’t Come Knocking” que recuso chamar pelo título infeliz que recebeu no Brasil), eles apareceram diante dos [...]

Ocidente, Oriente, cérebros e silêncios

Sem polêmicas nem provocações para deixar por aqui, e sobretudo por ter lido alguns posts muito bons sobre biologia, violência, neurociências e neuromarketing — catatau!, O Hermenauta e Idelber Avelar foram os “culpados”—, lembrei de um texto de que gosto muito, uma comparação entre Oriente e Ocidente feita pelo Dr. Daisetz Teitaro Suzuki (uma autoridade, [...]

Uma moralização “de quinta”

É mais um recorte tirado do tal livro do Haruki Murakami. Ainda na página 13, o personagem principal fala de uma moça. Na época da leitura, não consegui fingir que aquilo não que me incomodou. Segue o trecho:
“(…) Dizem, naqueles velhos tempos tinha uma garota que dormia com qualquer um, lembra, como era mesmo [...]

Livros

Devo confessar: até que gosto da Bíblia. Li algumas de suas passagens, e a forma mais prazerosa de leitura foi justamente quando a tratei como um romance épico, meio realismo mágico, com assassinatos, intrigas, inveja, traição e redenção, pontuado por milagres aqui e acolá.
Não li a Torá, queria saber de algum conhecedor na matéria se [...]

Filosofices baratas

E no meio de um sanguinolento embate verbal, crendo-se meio Buda, pensou:
“Os extremos e os excessos fazem mal à saúde; convém o caminho do meio.”
Reouviu o que pensou, aumentou a dose de budeidade, e pós-pensou:
“Desmerecer os extremos e os excessos, sem nunca ter saído do meio, é ter ‘meio vivido’, e também faz mal [...]

Eu, você, eles. Quem não?

Noite. Rua. (Vazia.)
Sozinho, à procura; surge outro.
— O que foi?
— Perdi a chave.
— Quer ajuda?
— Quero.

(Meia-hora; em vão.)

— Dê uma dica. Perdeu onde?
— No breu do beco, lá atrás.
— Por que procura aqui?
— Tem mais luz.

Quatro anos antes

Outro, o continente. Imensa, a saudade. Tamanha, a dor.
Um telefonema, uma notícia: uma escala, amanhã. Horas, poucas, em trânsito. “Vá ao aeroporto. Tentemos.”
O ônibus, a ansiedade, a chegada, o saguão, o painel: avião pousado, “Passageiros para Montevidéu, embarque, portão A.” E agora?
“Atenção, senhor R., queira dirigir-se ao check-in da companhia S… Senhor R., favor [...]

Por favor

Não insista, pare de tentar me catequizar: eu não amo todo mundo. E dizer “se não ama então detesta!” é criancice da sua parte. Dá no mesmo, é só o avesso. Quer mesmo entender? Então te explico. Para começar, algo que talvez te surpreenda: não odeio ninguém. Fiz um apanhado geral e concluí que ódio [...]

Estultices, por culpa do calor

Começou com um telefonema. Liguei para uma amiga, não falava com ela há séculos.
— Tudo bem?
— Não, papai morreu anteontem… caramba, e você liga assim, do nada!…
Esses eventos ocorrem com relativa freqüência comigo. Nunca mapeei, nunca enumerei, mas o que me chateia um pouco é a falta de aviso. Bem que poderia ser uma sensação [...]

Pontuação

Eu quero só porque você não quer.
Eu quero, só. Por quê você não quer?
Eu quero, só. Por quê? Você não quer?
Eu? Quero, só porque você, não. Quer?
Eu quero só pôr. Quê? Você! Não quer?

Licença

Licença.
Licença poética.
Com licença poética.
Com licença, poética.
Poética com licença.
Pô, ética, com licença!
Ética com licença.
Ética com licença, pô.
Ética, com licença, pô!
Licença com ética.
Licença com poética.
Licença.

Bons-modos mal-educados

— Operadora Francilene Gomes, bom dia. Informe seu nome e o número do seu celular com o DDD, por favor.
— Ricardo C., vinte e um, número-número-número-número, número-número-número-número.
— Para sua segurança, precisamos confirmar alguns dados. Diga o seu nome completo e os três primeiros números do seu CPF.
— Acabei de de dizer o meu nome completo, [...]

Samba de uma nota só

Era uma vez… (Certo, não é a maneira mais original de começar, mas dê um desconto, que a história é antiga.) Então, dizia eu, era uma vez um sujeito, amigo de escola do meu pai, que gostava muito de história. E da matéria, tinha especial apreço pelos fenícios (diria até que se tratava de [...]

Sêmen

É improvável que você lembre. E não estás só, o mesmo acontece comigo. Ainda assim, faça de conta que você consegue. Vá, deite-se na cama, de barriga para cima e na penumbra, que é para facilitar o processo. Vá mais um pouco, só um pequeno esforço, fechando os olhos, tentando desviar-se das inevitáveis distrações dominicais, [...]

Reflexões (pouco) religiosas

Não acredito (muito) em Deus.
Tem razão, esse parêntese não foi um bom começo. Afinal de contas, nos dias de hoje a palavra de ordem é “convicção”: pense o que pensar e, principalmente, diga o que disser, é preciso mostrar-se convicto. Mesmo se tiver que relativizar ou até mesmo contemporizar, faça isso cheio de certezas, caso [...]

Por onde andará David Bennent?

Essa criança da foto ao lado chama-se Oskar Matzerath, personagem principal do filme O Tambor (1979), de Volker Schlöendorff, baseado no romance homônimo de Günter Grass, e adaptado pelo diretor, pelo autor e por Jean-Claude Carrière, brilhante roteirista e muito conhecido por seus trabalhos com Luis Buñuel.
Oskar, no seu terceiro aniversário, decide parar de crescer. [...]

Zazen

Andar pela babélica Copacabana. Faço isso com alguma freqüência (não muita), já que nela habito. E tenho sorte, meus pés ainda não carecem do equilíbrio necessário para evitar entorses, por mais que as calçadas de pedras portuguesas os ponham à prova. Contudo, se pés detém alguma sabedoria, a rinocerôntica distração redobra o seu trabalho. (Bom [...]